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Rã-touro invasora é monitorada em Florianópolis: conheça a espécie perigosa e seu impacto

Conheça a rã-touro invasora monitorada em Florianópolis. Saiba como identificar a espécie perigosa e seu impacto no meio ambiente.
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Amanda Clark

A Rã-touro: Uma Ameaça Invasora em Florianópolis

Uma espécie de anfíbio considerada invasora e perigosa está sendo monitorada em Florianópolis, Santa Catarina, devido aos seus reflexos significativos no meio ambiente local. A rã-touro, com nome científico Aquarana catesbeiana, apresenta características particulares que podem impactar profundamente a fauna nativa brasileira. Seu tamanho superior confere vantagem competitiva na busca por alimentos, posicionando-a como um predador de grande potencial no ecossistema local.

Originária da América do Norte, a rã-touro foi introduzida no Brasil em 1935 para criação em ranários e comércio de carne. Por escapar de cativeiros ou ser solta intencionalmente, a espécie se dispersou pelo país, estabelecendo populações em ambientes naturais e se tornando invasora em diversas regiões. Esse padrão de invasão também ocorreu em outros países, transformando-a em uma das piores espécies invasoras do mundo segundo especialistas.

Características Físicas e Identificação da Espécie

Os indivíduos podem ultrapassar 20 centímetros de comprimento e pesar até 680 gramas, conferindo-lhes tamanho impressionante. Os girinos já apresentam tamanho avantajado, atingindo cerca de 17 centímetros. Essa dimensão corporal representa uma vantagem na alimentação, incluindo peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte em sua dieta diversificada.

Uma das formas mais eficientes de identificar a espécie é pelo som característico que emite. A vocalização da rã-touro é grave e assemelha-se ao mugido de um touro, influenciando diretamente seu nome popular. Apenas os machos emitem esse canto característico, que pode ocorrer tanto durante o dia quanto à noite.

Como Diferenciar a Rã-touro de Espécies Nativas

O Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis (LEAR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou informações essenciais para identificação. A rã-touro macho apresenta grande porte, tímpanos grandes em relação aos olhos e membranas entre os dedos das patas traseiras. A fêmea também possui grande porte, porém com tímpanos menores que os olhos e as mesmas membranas nas patas traseiras. Os girinos, por sua vez, apresentam grande porte e são encontrados em lagoas.

Riscos Ambientais e Sanitários

Um dos principais riscos identificados é a possibilidade de a espécie ser portadora de doenças que afetam tanto anfíbios nativos quanto peixes e répteis. Em outras regiões onde foi introduzida, a rã-touro foi associada à transmissão de patógenos como o fungo da quitridiomicose e o ranavírus, doenças que afetam exclusivamente outros anfíbios e peixes. Felizmente, não representam risco à saúde humana nem a animais domésticos, conforme destacado pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).

Monitoramento e Ações em Florianópolis

Em outubro de 2025, a rã-touro foi registrada pela primeira vez em Florianópolis, no bairro Ratones, de acordo com dados de Ciência Cidadã. A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Floram, tem acompanhado casos de aparecimento de espécimes, enquanto o LEAR pede o apoio das pessoas para relatos de avistamentos.

Caso uma pessoa se depare com um espécime, deve gravar o som emitido e fotografar o animal quando possível. Esse material deve ser enviado para a Floram pelo WhatsApp (48) 3237-5660, contendo endereço do local do avistamento com coordenadas, além de data e hora do registro.

Estratégia de Controle e Captura

Para realizar seu controle, foram iniciados trabalhos de captura com equipes especializadas para conter e acompanhar o crescimento da população em Florianópolis. Até o momento, foram realizadas duas ações de campo, capturando 11 espécimes: 3 juvenis e 7 adultos em novembro de 2025, e 1 em março de 2026. Eles foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para análises, incluindo testagem para ranavírus e quitridiomicose.

Fábio Henrique Machado, presidente da Floram, explicou que o trabalho conduzido segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas em parceria com demais instituições e com a comunidade.

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