Nova gestão do GSI analisa continuidade de programas e despesas do governo fluminense
O delegado Lisandro Leão assumiu a função de secretário do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Rio de Janeiro na semana passada, em um contexto marcado pela instabilidade política que caracteriza o governo estadual. Apesar da incerteza quanto à permanência no cargo, considerando a possibilidade de novas eleições em breve, o novo gestor decidiu realizar uma avaliação abrangente de todos os setores sob sua responsabilidade.
Entre as prioridades estão programas estratégicos como o Barricada Zero e a análise minuciosa de contratos diversos, incluindo a polêmica contratação de aeronaves particulares para deslocamentos do governador e outras autoridades estaduais. Essa avaliação representa um passo importante para traçar novos rumos da administração no âmbito da segurança institucional.
Funções essenciais do Gabinete de Segurança Institucional
O GSI possui responsabilidades críticas na estrutura administrativa fluminense. Suas atribuições principais incluem garantir a segurança pessoal do governador e seus familiares, proteger as instalações dos Palácios e residências oficiais, além de administrar as aeronaves pertencentes ao governo do Rio de Janeiro. Desde 2024, o gabinete também supervisiona o programa Barricada Zero, expandindo seu escopo operacional.
O programa Barricada Zero em foco
Criado pelo ex-governador Cláudio Castro, o Barricada Zero objetiva remover obstáculos em comunidades do Rio que dificultam a ação policial. Embora o GSI não atue diretamente nas operações de campo, desempenha papel fundamental no planejamento e articulação entre as forças de segurança e prefeituras locais. A Polícia Militar fornece o apoio operacional, contando até com retroescavadeiras blindadas para essas ações.
Os números da iniciativa impressionam: nos últimos quatro meses, foram atendidas 227 comunidades, removidos 14 mil toneladas de entulhos e realizadas 90 prisões. Embora a avaliação em curso não signifique necessariamente o encerramento do programa, ela reflete a necessidade de revisar sua efetividade e continuidade sob a nova gestão.
Análise crítica dos contratos e despesas
O orçamento anual do GSI alcança R$ 64 milhões, montante que será submetido a escrutínio detalhado. Um dos contratos mais questionados refere-se à locação de jatinhos particulares para viagens do governador e autoridades estaduais. Revelado pelo GLOBO, esse serviço de táxi aéreo representa um gasto significativo aos cofres públicos.
Jatinhos particulares: despesa polêmica
A contratação de aeronaves privadas custou R$ 17,4 milhões em três anos ao governo fluminense. Um aspecto particularmente controverso desse contrato é a existência de uma lista secreta de voos e passageiros, levantando questões sobre transparência administrativa e adequação do uso de recursos públicos para esses deslocamentos.
Mudanças já em andamento no gabinete
A revisão administrativa iniciou-se imediatamente após a posse do novo secretário. De segunda-feira em diante, foram realizadas 24 exonerações de servidores ocupantes de cargos de chefia, assistentes e profissionais de segurança. O contingente exonerado era composto principalmente por agentes de segurança: dez policiais civis (ativos ou aposentados), seis policiais militares (ativos ou da reserva), um policial federal aposentado e uma bombeira militar.
Essas mudanças sinalizam uma reconfiguration estratégica na instituição, alinhada à proposta de revisão abrangente dos programas, contratos e gestão de pessoal. A nova liderança do GSI demonstra disposição em reavaliar decisões anteriores e promover alterações estruturais significativas na pasta.
