Na tarde de hoje, Cláudio Castro oficializou sua renúncia ao cargo de Governador do Estado do Rio de Janeiro. A decisão foi anunciada em uma cerimônia no Palácio Guanabara e antecipa sua saída para concorrer a uma vaga no Senado nas próximas eleições. Com a renúncia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente o governo do estado.
Em seu discurso de despedida, Castro procurou destacar os aspectos positivos de sua gestão. "Saio de cabeça erguida, com alto índice de aprovação e liderando as pesquisas para o Senado. Estou extremamente grato a Deus por estes seis anos como governador", afirmou o ex-governador. Apesar de poderia permanecer no cargo até abril, optou por se afastar antes.
A renúncia ocorre no dia anterior ao reinício do julgamento dos recursos do caso Ceperj no Tribunal Superior Eleitoral. Até o momento, dois ministros já se posicionaram a favor da cassação dos diplomas de Cláudio Castro, do ex-vice Thiago Pampolha e de Rodrigo Bacellar, além da inelegibilidade de alguns envolvidos. O julgamento está marcado para os dias 24 e 25 de março, se necessário.
O caso envolve suspeitas de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, relacionadas a contratações e repasses de recursos da Fundação Ceperj. De acordo com o TSE, os registros indicam uma estrutura abusiva, com mais de R$ 500 milhões transferidos do erário estadual no primeiro semestre daquele ano.
A saída antecipada de Castro é vista nos bastidores como uma tentativa de evitar o desgaste de uma possível derrota no plenário. Contudo, ministros consideram que a renúncia não basta para evitar os efeitos de uma condenação, como a inelegibilidade.
Essa mudança abre um novo capítulo institucional no estado, uma vez que Thiago Pampolha já havia renunciado ao cargo de vice. Nesse caso, será aplicada a regra da dupla vacância, com a convocação de eleições indiretas pela Alerj em até 48 horas e realização em trinta dias. O eleito cumprirá o restante do mandato atual.
No entanto, essa disputa também está em meio a batalhas judiciais, com trechos da lei aprovada pela Alerj suspensos pelo STF, o que impacta o processo de eleição indireta. A decisão de Fux reduz a margem de manobra de candidatos governistas que esperavam regras mais flexíveis.
A saída de Castro do governo não o isenta do julgamento do caso Ceperj. Seu foco agora é a candidatura ao Senado, mas o desfecho do processo judicial pode determinar se sua renúncia será lembrada como parte de sua campanha política ou como uma tentativa frustrada de evitar as consequências de uma condenação.
