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Elias Jabbour defende a valorização do nacionalismo de esquerda na discussão política

Elias concedeu uma entrevista exclusiva para o DIÁRIO DO RIO na qual falou sobre sua pré-candidatura, política nacional e internacional e Carnaval
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Amanda Clark

Nascido em São Paulo, Elias Jabbour atualmente preside o Instituto Pereira Passos (IPP). É pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB do Rio de Janeiro, além de professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ.

Elias também atua nos programas de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) e em Relações Internacionais (PPGRI) também na UERJ. E não menos importante, ele toca na bateria Unidos de Vila Isabel.

Morador do bairro da escola de samba, Elias Jabbour deu uma entrevista para um veículo de imprensa na sede do IPP na qual falou sobre sua pré-candidatura, política nacional e internacional e Carnaval.

Quais serão suas principais plataformas e ideias para sua candidatura a deputado federal, em outubro?

Eu acho que existe no Brasil e no Rio de Janeiro um vazio no discurso nacionalista de esquerda. Durante muito tempo, desde a década de 1990, discursos que eu chamo de totalidade, ou seja, se fala do nacional, em desenvolvimento, política industrial, em classes sociais, em país. Essas micronarrativas estão tomando sempre o debate público. E a própria esquerda perdeu um pouco o bonde do debate. Ela foi abandonando de forma limpa, gradual e insegura a pauta nacional, a pauta do desenvolvimento, a pauta do projeto nacional. Então a nossa candidatura cumpre um papel político muito claro que é trazer para o seio do debate político um guarda-chuva nacional. E a linha mestra disso é a necessidade urgente de reindustrialização do Brasil. Então, eu sou pré-candidato a deputado federal nessa plataforma, com discurso majoritários de governadores sabe? E também que sente o nosso discurso muito na questão do projeto oral do processo e da centralidade do processo. E isso vai estar no palanque junto com Lula para presidente com Eduardo Paes para governador e Benedita para o Senado.

Então, nessa pré-candidatura, você busca o eleitorado do PDT, que já foi muito forte no Rio de Janeiro com bandeiras bem parecidas?A nossa pré-candidatura pode atingir todo um eleitorado que votou que votou no Ciro Gomes em 2018. Ele ganhou no Rio de Janeiro. E o Ciro Gomes é uma figura que vocalizava a questão do projeto nacional. Eu acredito que o nosso conteúdo visa um projeto nacional diferente do Ciro Gomes. Mas não é essa a questão. A questão é que existe um nicho no Rio de Janeiro que nós estamos explorando. Nosso eleitorado é, evidentemente, de esquerda, uma esquerda que tem relações históricas no trabalhismo com brizolismo, com getulismo e por aí vai. Ou seja, esse é o caminho que nossa pré-candidatura está ocupando. E está ocupando com muito sucesso, inclusive, até pela pela repercussão das nossas intervenções pública e debates nas redes sociais, em podcasts e também nesse fenômeno que está sendo está se constituindo aqui na cidade do Rio de Janeiro que são as nossas aulas públicas.

Eduardo Paes terá como vice uma pessoa da família Reis, ligados ao bolsonarismo. Qual sua análise sobre isso?Tenho uma relação política com ele muito boa. Independentemente do trabalho, temos uma relação de amizade. Claro, com concordâncias e discordâncias. Mas não tenho a menor dúvida de que no caso ele é a figura mais pronta para o momento político do Rio de Janeiro. E não somente isso, existe uma questão que envolve a viabilização de um grande palanque para o Lula aqui no Rio de Janeiro. Nós sabemos as dificuldades que o presidente Lula enfrenta no Rio. E vale falar também que foi o presidente Lula quem escolheu Eduardo Paes para ser candidato. A vontade do presidente também deve ser respeitada. Aqui, o Flávio está na frente dele nas pesquisas e Eduardo Paes assegura um palanque tão grande quanto amplo para sustentar a candidatura de Lula aqui no Rio de Janeiro. E aqui eu falo só mais um ponto que é o seguinte: o centro da nossa discussão, o debate que eu faço não é somente em torno de um projeto nacional para o Rio. No imediato é garantir com que a extrema-direita não volte a governar o país. Por quê? Porque se é uma direita tem duas características que devem ser denunciadas, colocadas ao público. A primeira é que ela é antipopular, ou seja, ela ela não tem a menor vergonha na cara de de chamar de deixar claro que trabalha para os ricos. A segunda é que é bloco político antinacional. Eu digo isso por quê? Porque o Flávio Bolsonaro vai ser o primeiro candidato a presidente da história do Brasil que é abertamente pró Estados Unidos. O Bolsonaro era, mas não tão abertamente. Flávio não, Flávio é explicito. E sempre pró Estados Unidos não é uma coisa boa ou ruim a priori. Mas hoje em dia, o Estados Unidos tem uma uma política externa para garantir acesso privilegiado aos recursos naturais e aos ativos estratégicos da América Latina e o Flávio Bolsonaro ao comemorar, por exemplo, a o sequestro Maduro e o bombardeiro Irã se coloca como um homem no Brasil dessa estratégia dos Estados Unidos.

Mas como você lida com as contradições de Eduardo Paes na política?Eduardo Paes estatizou o serviço o serviço de transporte do Rio de Janeiro, mexendo com interesses dominantes profundos. Foi uma revolução. Existem as contradições e discordâncias, claro. Mas vejo o Eduardo no Eduardo como a possibilidade do Lula ter um ter um um porto seguro aqui no Rio de Janeiro, que garanta a possibilidade de conversar com muita gente. Esse é ponto. Eduardo é contraditório como qualquer pessoa é. Mas ao invés de apontar as divergências, prefiro apontar as convergências. O meu sonho seria um candidato revolucionário. Mas temos que trabalhar em cima da realidade que está posta. Deixa eu te falar uma coisa, o Flávio Bolsonaro em uma semana fechou dezenove palanques no Brasil. Dezenove palanques. O Rio, até agora, é o único palanque certo para o Lula no Sudeste. Em São Paulo, Fernando Haddad vai ter que ir para o sacrifício. Em Minas estão pedindo pelo amor de Deus para o Pacheco ser nosso candidato. No Espírito Santo nós não temos um candidato competitivo. No Paraná não tem Eduardo Paes, em Santa Catarina não tem Eduardo Paes, no Rio Grande do Sul tem duas candidaturas de esquerda que estão se digladiando. Não temos um Eduardo Paes em nenhum um palanque no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, em Goiás, Tocantins. E o Flávio Bolsonaro, diferentemente do pai, é mais atraente para o centro, imprensa, mercado. Se passa de mais moderado, é mais político que os dois irmãos. A frente ampla que elegeu Lula na última eleição não será tão ampla esse ano. Justamente por essa capacidade maior que o Flávio Bolsonaro tem de alcançar apoios além da extrema-direita. Então, a vida está me colocando diante de uma responsabilidade. O mundo não está fácil. O Trump está sequestrando o presidente da Venezuela. Israel fazendo um genocídio. O Irã está sendo atacado porque é o Irã. E aqui no Rio de Janeiro eu vou ficar escolhendo aliado de acordo com meu pressuposto pequeno burguês? Infelizmente, eu não conheço a política dessa forma.

E por que a esquerda não forma novas lideranças?O meu problema agora é derrotar a extrema-direita hoje. Daqui quatro anos é uma outra discussão. O pós-Lula para mim é uma outra discussão. Meu problema é imediato. A esquerda não formar novas lideranças, eu acho que não é uma pequena dificuldade, é uma grande dificuldade, em comparação com a extrema-direita. Só que eu não posso hoje focar nesse debate, porque a conjuntura não me permite. Assim, eu posso falar sobre isso na UERJ, como professor com meus

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