{"id":23964,"date":"2026-03-22T22:31:13","date_gmt":"2026-03-23T01:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/noticias\/o-impacto-de-castro-na-gestao-do-rio-de-janeiro-desafios-economicos-instabilidade-politica-e-obstaculos-nao-superados\/"},"modified":"2026-03-22T22:31:13","modified_gmt":"2026-03-23T01:31:13","slug":"o-impacto-de-castro-na-gestao-do-rio-de-janeiro-desafios-economicos-instabilidade-politica-e-obstaculos-nao-superados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/noticias\/o-impacto-de-castro-na-gestao-do-rio-de-janeiro-desafios-economicos-instabilidade-politica-e-obstaculos-nao-superados\/","title":{"rendered":"O impacto de Castro na gest\u00e3o do Rio de Janeiro: desafios econ\u00f4micos, instabilidade pol\u00edtica e obst\u00e1culos n\u00e3o superados."},"content":{"rendered":"<p>O governo de Cl\u00e1udio Castro deixa um legado contradit\u00f3rio. H\u00e1 indicadores que ajudam a montar uma pe\u00e7a de defesa, sobretudo na economia. Mas o saldo pol\u00edtico e administrativo do per\u00edodo \u00e9 mais \u00e1spero. O ex-governador encerra a passagem pelo Pal\u00e1cio Guanabara com uma gest\u00e3o que n\u00e3o conseguiu resolver problemas estruturais do estado e terminou espremida por crise institucional, disputa judicial e desgaste pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na parte positiva, o argumento mais s\u00f3lido est\u00e1 no emprego formal. O Rio de Janeiro fechou 2025 com saldo de 100.920 vagas com carteira assinada, ficando em segundo lugar no pa\u00eds. \u00c9 um n\u00famero relevante e que ajuda a explicar por que o governo tentou vender a imagem de retomada econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O turismo costuma aparecer nesse pacote de boas not\u00edcias, mas a\u00ed o m\u00e9rito precisa ser repartido. O estado realmente bateu recorde de turistas internacionais em 2025, com 2.196.443 visitantes. S\u00f3 que boa parte desse impulso passou pela cidade do Rio de Janeiro. A Prefeitura do Rio informou que a capital recebeu 12,5 milh\u00f5es de visitantes no ano, sendo 2,1 milh\u00f5es de estrangeiros, enquanto a Riotur destacou a alta puxada por grandes eventos. O pr\u00f3prio Visit Rio define como miss\u00e3o atrair turistas e promover eventos e congressos na cidade. Ou seja, seria exagero creditar esse sucesso apenas ao governo estadual.<\/p>\n<p>J\u00e1 a frente fiscal n\u00e3o entra com facilidade entre os ativos do governo. A ades\u00e3o ao Propag parece menos um trof\u00e9u de boa gest\u00e3o e mais uma sa\u00edda de emerg\u00eancia para um estado que terminou o per\u00edodo sem reforma fiscal e administrativa robusta. O or\u00e7amento de 2026 foi sancionado com d\u00e9ficit previsto de R$ 18,93 bilh\u00f5es, e a pr\u00f3pria Alerj registrou estimativa de R$ 24,14 bilh\u00f5es em ren\u00fancia fiscal. Nesse cen\u00e1rio, o programa surge como resposta \u00e0 falta de corre\u00e7\u00e3o estrutural das contas, e n\u00e3o como prova de que ela tenha sido feita.<\/p>\n<p>Na seguran\u00e7a p\u00fablica, o governo tentou construir uma imagem de firmeza, e a megaopera\u00e7\u00e3o nos complexos do Alem\u00e3o e da Penha virou uma de suas principais vitrines. O pr\u00f3prio estado apresentou a a\u00e7\u00e3o como a maior opera\u00e7\u00e3o policial da hist\u00f3ria fluminense, com 93 fuzis apreendidos e 81 pris\u00f5es. S\u00f3 que a fotografia mais ampla foi bem menos favor\u00e1vel. Estudo do GENI\/UFF mostrou que, em 2024, 34,9% da popula\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Metropolitana do Rio vivia sob controle ou influ\u00eancia de grupos armados, mais de 4 milh\u00f5es de pessoas. E a pesquisa Sonhos da Favela 2026 mostrou um ambiente de medo persistente: 36% dos entrevistados disseram n\u00e3o confiar em nenhuma institui\u00e7\u00e3o para proteg\u00ea-los da viol\u00eancia, enquanto 47% apontaram como principal desejo poder ir e vir com tranquilidade. A opera\u00e7\u00e3o virou vitrine, mas n\u00e3o bastou para reverter a percep\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o das fac\u00e7\u00f5es nem a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O maior desgaste do governo ficou mesmo na pol\u00edtica. O caso Ceperj engoliu a reta final do mandato. O TSE retomou o julgamento dos recursos que pedem a cassa\u00e7\u00e3o dos diplomas de Cl\u00e1udio Castro, do ex-vice Thiago Pampolha e de Rodrigo Bacellar, por supostos abusos de poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico nas elei\u00e7\u00f5es de 2022. Ao mesmo tempo, cresceu a percep\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o do governador \u00e0 Alerj. Bacellar foi reeleito por unanimidade hist\u00f3rica para a presid\u00eancia da Casa, e depois o ministro Luiz Fux, do STF, suspendeu trechos da lei estadual aprovada pela Assembleia e sancionada por Castro que previa voto aberto e prazo de 24 horas para desincompatibiliza\u00e7\u00e3o na elei\u00e7\u00e3o indireta. A impress\u00e3o que ficou foi a de um governo cada vez mais dependente do arranjo do Parlamento.<\/p>\n<p>Esse ambiente piorou ainda mais com a pris\u00e3o do vereador Salvino Oliveira. A Pol\u00edcia Civil prendeu o parlamentar em mar\u00e7o, sob suspeita de liga\u00e7\u00e3o com o Comando Vermelho. Na sequ\u00eancia, o PSD acionou o STJ e acusou Cl\u00e1udio Castro e integrantes da c\u00fapula da seguran\u00e7a de uso pol\u00edtico da m\u00e1quina policial para perseguir advers\u00e1rios. Independentemente do desfecho do caso, o epis\u00f3dio aprofundou a leitura de um governo j\u00e1 mergulhado em guerra aberta com seus advers\u00e1rios e sem capacidade de terminar o mandato em terreno institucional est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nos transportes, o passivo \u00e9 grande. Em quase seis anos de poder, Cl\u00e1udio Castro n\u00e3o inaugurou uma \u00fanica nova linha de metr\u00f4. O sistema segue operando com as linhas 1, 2 e 4, e a principal novidade do per\u00edodo foi a retomada das obras da esta\u00e7\u00e3o G\u00e1vea, paradas havia uma d\u00e9cada e com entrega prevista s\u00f3 para 2028. E n\u00e3o foi s\u00f3 o metr\u00f4. A crise da SuperVia tamb\u00e9m entrou para a conta do governo. A concession\u00e1ria seguiu em recupera\u00e7\u00e3o judicial, e o pr\u00f3prio estado precisou organizar a substitui\u00e7\u00e3o da operadora, com leil\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o para um novo cons\u00f3rcio em 2026. Para quem prometia melhorar a mobilidade metropolitana, ficou pouco: nem expans\u00e3o real do metr\u00f4, nem solu\u00e7\u00e3o est\u00e1vel para o trem urbano.<\/p>\n<p>No saneamento, o legado \u00e9 amb\u00edguo. A concess\u00e3o da antiga Cedae arrecadou R$ 22,7 bilh\u00f5es em outorgas e veio acompanhada da promessa de outros R$ 23 bilh\u00f5es em investimentos. Mas, do ponto de vista pol\u00edtico, a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se converteu em um grande ciclo de obras estaduais claramente associado ao governo Castro. Ficou a sensa\u00e7\u00e3o de que a venda foi bilion\u00e1ria, mas o retorno pol\u00edtico e estrutural para o estado n\u00e3o teve a mesma for\u00e7a. Ao mesmo tempo, houve melhora concreta nas concession\u00e1rias. A \u00c1guas do Rio informa j\u00e1 ter investido R$ 5,1 bilh\u00f5es e, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, a primeira etapa do sistema de coleta em tempo seco passou a evitar o despejo di\u00e1rio de 3,5 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua contaminada com esgoto na Ba\u00eda de Guanabara. Houve avan\u00e7o operacional. O que n\u00e3o houve foi um legado pol\u00edtico do mesmo tamanho da promessa.<\/p>\n<p>No fim, o governo Cl\u00e1udio Castro deixa um resultado desigual. H\u00e1 emprego formal para exibir. H\u00e1 uma opera\u00e7\u00e3o policial que o governo tentou transformar em s\u00edmbolo de for\u00e7a. Mas sobram passivos mais pesados: avan\u00e7o das fac\u00e7\u00f5es, inseguran\u00e7a persistente, crise pol\u00edtica, depend\u00eancia da Alerj, caso Ceperj, falta de expans\u00e3o do metr\u00f4 e colapso da SuperVia como retrato do fracasso na mobilidade. At\u00e9 no turismo, um dos trunfos mais citados, o cr\u00e9dito precisa ser dividido com a Prefeitura do Rio. \u00c9 um legado com alguns n\u00fameros bons, mas com lacunas grandes demais para serem tratadas como detalhe.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1udio Castro termina com n\u00fameros positivos no emprego formal, mas deixa passivos pesados na seguran\u00e7a, nos transportes, na crise do caso Ceperj, na depend\u00eancia da Alerj e na percep\u00e7\u00e3o de que a concess\u00e3o da Cedae arrecadou muito sem produzir um legado estadual do mesmo tamanho<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":23965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[269],"tags":[271,278],"class_list":["post-23964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-destaque","tag-politica"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23965"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}