{"id":24375,"date":"2026-04-04T12:11:24","date_gmt":"2026-04-04T15:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/?p=24375"},"modified":"2026-04-04T12:11:24","modified_gmt":"2026-04-04T15:11:24","slug":"hugo-bonemer-tom-ripley-teatro-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/brasil\/hugo-bonemer-tom-ripley-teatro-brasil\/","title":{"rendered":"Hugo Bon\u00e8mer dirige e interpreta o vigarista Tom Ripley em adapta\u00e7\u00e3o teatral in\u00e9dita no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A It\u00e1lia dos anos 1950 se torna palco para uma hist\u00f3ria de obsess\u00e3o, crime e identidades enganosas. &#8220;O talentoso Ripley&#8221;, romance cl\u00e1ssico de Patricia Highsmith publicado em 1955, ganha sua primeira adapta\u00e7\u00e3o teatral brasileira a partir deste s\u00e1bado (4) de abril, no Teatro Gl\u00e1ucio Gill, na Copacabana. A montagem re\u00fane Hugo Bon\u00e8mer e Francisco Paz em uma produ\u00e7\u00e3o que promete reinventar a narrativa ic\u00f4nica que j\u00e1 conquistou o cinema e a televis\u00e3o, incluindo a vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica estrelada por Matt Damon, indicada a cinco pr\u00eamios da Academia.<\/p>\n<p>A trama segue Tom Ripley, um criminoso e vigarista carism\u00e1tico contratado por um milion\u00e1rio para trazer de volta seu filho, Richard Greenleaf, dos Estados Unidos para a It\u00e1lia. Ao chegar no pa\u00eds europeu, Tom conhece o herdeiro e desenvolve uma obsess\u00e3o profunda e perturbadora pelo rapaz. Essa fixa\u00e7\u00e3o desencadeia uma s\u00e9rie de crimes e transgress\u00f5es que exploram os limites da moralidade e da identidade humana.<\/p>\n<h2>Uma perspectiva inovadora: A voz do vil\u00e3o<\/h2>\n<p>Diferente do romance e das adapta\u00e7\u00f5es audiovisuais anteriores, a vers\u00e3o teatral brasileira apresenta uma abordagem singular: toda a narrativa \u00e9 contada do ponto de vista de Tom Ripley. Hugo Bon\u00e8mer, que tamb\u00e9m atua como codiretor ao lado de Kamilla Rufino, alterna entre viver os acontecimentos no palco e narr\u00e1-los sob o olhar s\u00e1dico e amoral do personagem principal. Essa escolha dramat\u00fargica cria um efeito provocador e reflexivo.<\/p>\n<p>&#8220;Meu objetivo, enquanto personagem, \u00e9 fazer o p\u00fablico acreditar que tudo o que o Tom faz \u00e9 justific\u00e1vel. Enquanto artista, ator e diretor, \u00e9 o oposto: fazer com que o p\u00fablico n\u00e3o ache isso aceit\u00e1vel&#8221;, explica Bon\u00e8mer. O ator compara a estrat\u00e9gia narrativa do personagem com a l\u00f3gica contempor\u00e2nea das redes sociais, onde influenciadores constroem narrativas pr\u00f3prias e as apresentam como verdade absoluta.<\/p>\n<h2>Crime transformado em entretenimento: Uma reflex\u00e3o urgente<\/h2>\n<p>A performance de Bon\u00e8mer levanta quest\u00f5es perturbadoras sobre nossa rela\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea com vil\u00f5es carism\u00e1ticos. &#8220;Tom \u00e9 como um produtor de conte\u00fado, cria a pr\u00f3pria narrativa e apresenta isso como verdade. Mas ele fala atrocidades e comete todos os crimes que se pode imaginar&#8221;, pontua o ator. Essa observa\u00e7\u00e3o toca em um problema social atual: a tend\u00eancia de normalizar discursos criminosos quando apresentados com humor e carisma.<\/p>\n<p>&#8220;Cada vez mais perdemos a refer\u00eancia do que \u00e9 ruim e come\u00e7amos a achar divertidos discursos que tentam transformar crime em humor&#8221;, completa Bon\u00e8mer, alertando sobre a dessensibiliza\u00e7\u00e3o coletiva frente a transgress\u00f5es morais quando revestidas de entretenimento.<\/p>\n<h2>Trocas de identidade no palco<\/h2>\n<p>Para intensificar a confus\u00e3o entre personas e acentuar o tema da duplicidade, a adapta\u00e7\u00e3o de Phyllis Nagy utiliza as trocas de identidade como recurso c\u00eanico. Al\u00e9m de Hugo Bon\u00e8mer como Tom Ripley e Francisco Paz como Richard Greenleaf, o restante do elenco \u2014 Guilhermina Libanio, Cassio Pandolfh, Jo\u00e3o Fernandes, Laura Gabriela e Tom Nader \u2014 se reveza interpretando dois ou tr\u00eas pap\u00e9is diferentes. Esse artif\u00edcio refor\u00e7a visualmente o mundo de ilus\u00f5es e fraudes que permeia a narrativa.<\/p>\n<h3>Personagens femininas ganham protagonismo<\/h3>\n<p>Na trama original, as mulheres ocupam pap\u00e9is secund\u00e1rios e pouco aprofundados. Na vers\u00e3o teatral, elas conquistam maior destaque e import\u00e2ncia narrativa. Guilhermina Libanio interpreta tanto Marge, a namorada tradicional de Richard, quanto Sophia, uma prostituta autossuficiente. Laura Gabriela incorpora Emily e Tia Dottie, personagens perif\u00e9ricas que se revelam cruciais para esclarecer a amoralidade de Tom.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de ser disruptiva para a \u00e9poca, por viver como escritora e n\u00e3o ser casada, Marge representa a mulher tradicional dos anos 1950, que foi criada para construir sua vida em torno da fam\u00edlia&#8221;, analisa Guilhermina. A atriz destaca como sua personagem possui maior ag\u00eancia na pe\u00e7a: &#8220;Amei como a Marge tem for\u00e7a nessa adapta\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 mais direta, e saca qual \u00e9 a do Tom muito antes do que no filme.&#8221;<\/p>\n<p>A codirectora Kamilla Rufino aponta como as personagens femininas perif\u00e9ricas s\u00e3o &#8220;extremamente relevantes para a trama&#8221;. Segundo ela, &#8220;A pe\u00e7a mostra como o machismo afeta os homens tamb\u00e9m. O Tom Ripley \u00e9 completamente influenciado por traumas causados pelo patriarcado, por essas press\u00f5es em cima de todos n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<h2>Sexualidade e preconceito na It\u00e1lia dos anos 1950<\/h2>\n<p>Tom nunca se assume explicitamente homossexual na hist\u00f3ria, apesar de sua obsess\u00e3o por Richard e relacionamentos profundos com homens. A ambiguidade em torno de sua sexualidade gera forte preconceito de outros personagens. Kamilla Rufino explica essa escolha: &#8220;Esse preconceito \u00e9 outra maneira de mostrar como o mundo n\u00e3o sabe lidar com quest\u00f5es femininas, e a incapacidade das pessoas em volta dele lidarem com a possibilidade de algo mais feminino&#8221;.<\/p>\n<p>Para Hugo Bon\u00e8mer, a hist\u00f3ria ressoa profundamente com a comunidade LGBTQIA+. &#8220;A hist\u00f3ria do Tom faz com que homens gays de uma gera\u00e7\u00e3o inteira se compade\u00e7am com ele. Pessoas gays est\u00e3o habituadas a cumprir mais de um papel desde sempre, a falar dois idiomas&#8221;, reflete. &#8220;Desde que anunciamos a pe\u00e7a, ela tem sido muito difundida dentro de canais LGBT. Temos recebido mensagens muito carinhosas de pessoas que s\u00e3o apaixonadas por essa hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<h2>Bastidores: Da tela ao palco<\/h2>\n<p>A jornada dessa adapta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2019, quando Francisco Paz, filho de exibidores e atual gestor do Gran Cine Bardot em B\u00fazios, adquiriu os direitos de adaptar a hist\u00f3ria para os palcos. Imerso no mundo do cinema desde a inf\u00e2ncia, Francisco viu na obra uma oportunidade \u00fanica de trag\u00ea-la ao teatro brasileiro. Hugo Bon\u00e8mer se juntou ao projeto posteriormente, compartilhando a dire\u00e7\u00e3o com Kamilla Rufino.<\/p>\n<p>Para Bon\u00e8mer, viver a dupla identidade de ator e diretor espelha o pr\u00f3prio personagem. &#8220;Esses dois lugares sempre existiram em mim. Cresci dentro de uma escola de dan\u00e7a em que meu pai produzia, fazia cen\u00e1rio, e minha m\u00e3e estava no palco. De certa forma, agora estou fazendo o que eles faziam.&#8221;, revela o artista.<\/p>\n<h2>Informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas<\/h2>\n<p><strong>Local:<\/strong> Teatro Gl\u00e1ucio Gill, Copacabana<\/p>\n<p><strong>Per\u00edodo:<\/strong> 4 a 27 de abril<\/p>\n<p><strong>Hor\u00e1rios:<\/strong> S\u00e1bado a segunda-feira, \u00e0s 20h<\/p>\n<p><strong>Ingressos:<\/strong> R$ 70<\/p>\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa:<\/strong> 18 anos<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo Bon\u00e8mer dirige e atua como Tom Ripley em adapta\u00e7\u00e3o teatral in\u00e9dita de Patricia Highsmith. Estreia em abril no Rio de Janeiro com reflex\u00e3o sobre crime e moralidade.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":24372,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-24375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24375"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24384,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24375\/revisions\/24384"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24372"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}