{"id":25156,"date":"2026-04-24T12:01:29","date_gmt":"2026-04-24T15:01:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/br-393-rodovia-aco-rio-minas-abandono-acidentes\/"},"modified":"2026-04-24T12:01:29","modified_gmt":"2026-04-24T15:01:29","slug":"br-393-rodovia-aco-rio-minas-abandono-acidentes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/brasil\/br-393-rodovia-aco-rio-minas-abandono-acidentes\/","title":{"rendered":"BR-393: A Rodovia do A\u00e7o entre Rio e Minas enfrenta abandono cr\u00edtico com buracos e acidentes fatais"},"content":{"rendered":"<h2>A Situa\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica da BR-393: Entre Rio e Minas Gerais<\/h2>\n<p>A BR-393, oficialmente conhecida como Rodovia L\u00facio Meira ou Rodovia do A\u00e7o, atravessa uma fase cr\u00edtica de deteriora\u00e7\u00e3o que coloca em risco a vida de motoristas, passageiros e pedestres. Com aproximadamente 200 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, a via corta oito munic\u00edpios: Al\u00e9m Para\u00edba em Minas Gerais, e Sapucaia, Tr\u00eas Rios, Para\u00edba do Sul, Rio das Flores, Vassouras, Barra do Pira\u00ed e Volta Redonda no Rio de Janeiro. Apesar de sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para o transporte de cargas e acesso a cidades hist\u00f3ricas do Vale do Caf\u00e9 fluminense, a rodovia tornou-se uma verdadeira armadilha para quem a utiliza diariamente.<\/p>\n<h2>Deteriora\u00e7\u00e3o Progressiva: Quando Come\u00e7ou o Abandono<\/h2>\n<p>Os problemas da BR-393 se intensificaram significativamente a partir de junho do ano passado, quando o governo federal encerrou a concess\u00e3o da empresa K-Infra, respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o desde 2018. A gest\u00e3o foi transferida para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), \u00f3rg\u00e3o que desde ent\u00e3o tem enfrentado dificuldades em manter a qualidade da via.<\/p>\n<h3>Caracter\u00edsticas F\u00edsicas da Deteriora\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os levantamentos realizados pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT) revelam dados alarmantes sobre o estado da rodovia. Aproximadamente <strong>78,3% da extens\u00e3o da BR-393 apresentam trincas ou remendos mal executados<\/strong>. Al\u00e9m disso, 20,3% da superf\u00edcie encontram-se desgastadas, com aspereza superficial no asfalto, e 1% possui buracos ou afundamentos graves. O trecho mais cr\u00edtico situa-se em Barra do Pira\u00ed, onde \u00e9 poss\u00edvel contar at\u00e9 14 desn\u00edveis concentrados em um \u00fanico ponto.<\/p>\n<h2>Riscos Espec\u00edficos para Diferentes Usu\u00e1rios da Via<\/h2>\n<h3>Motoristas de Cargas Pesadas<\/h3>\n<p>Os caminhoneiros enfrentam perigos espec\u00edficos ao circular pela BR-393. Jos\u00e9 Carlos Lima dos Santos, caminhoneiro de 35 anos que transporta estireno, uma mat\u00e9ria-prima qu\u00edmica para produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos, relata o medo constante. Para profissionais como ele, os buracos representam riscos de tombamento, capotagem e, no caso de cargas perigosas, poss\u00edveis explos\u00f5es e inc\u00eandios em caso de colis\u00e3o.<\/p>\n<h3>Pedestres e Usu\u00e1rios de Transportes P\u00fablicos<\/h3>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preocupante para pedestres. Tatiana Mariana Lima, administradora de 44 anos e paciente oncol\u00f3gica que necessita se deslocar tr\u00eas vezes por semana para tratamento de c\u00e2ncer, relata o medo ao aguardar \u00f4nibus no ponto de parada. Com um acostamento em p\u00e9ssimo estado, repleto de mato alto e po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua, usu\u00e1rios do transporte p\u00fablico se veem vulner\u00e1veis aos riscos de atropelamento quando as carretas precisam desviar dos buracos.<\/p>\n<h2>Dados Preocupantes Sobre Infraestrutura<\/h2>\n<p>Conforme o levantamento da CNT, <strong>47,7% da rodovia n\u00e3o possuem acostamento<\/strong> adequado, enquanto 21,2% necessitam de implanta\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o de cabeceira. Surpreendentemente, 85% da via apresenta curvas perigosas, caracter\u00edstica natural do terreno montanhoso que se agrava pela falta de manuten\u00e7\u00e3o apropriada.<\/p>\n<h2>Acidentes e V\u00edtimas: A Consequ\u00eancia do Abandono<\/h2>\n<h3>N\u00fameros Alarmantes<\/h3>\n<p>Os dados estat\u00edsticos evidenciam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Em 2025, foram registrados 319 acidentes na BR-393, representando uma redu\u00e7\u00e3o de 13,6% em rela\u00e7\u00e3o a 2024 (369 acidentes). Por\u00e9m, o n\u00famero de mortes aumentou significativamente em 33,3%, passando de 21 para 28 \u00f3bitos. Tr\u00eas acidentes envolvendo carretas e motocicletas no in\u00edcio deste m\u00eas deixaram dois mortos, e em novembro do ano passado, a rodovia chegou a fechar por dez horas devido a colis\u00e3o entre dois caminh\u00f5es.<\/p>\n<h3>Padr\u00f5es de Ocorr\u00eancia<\/h3>\n<p>As colis\u00f5es s\u00e3o o principal tipo de acidente, representando 64,3% dos casos. Invas\u00e3o de contram\u00e3o figura como a principal causa de mortes, respons\u00e1vel por 32,1% dos \u00f3bitos. A maioria dos acidentes ocorre aos s\u00e1bados e domingos (15,7%), durante o dia (53%), enquanto a maioria das mortes acontece \u00e0s segundas-feiras (25%), durante a noite (57,1%).<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00f5es Tempor\u00e1rias Inadequadas<\/h2>\n<p>O Dnit tem recorrido a solu\u00e7\u00f5es paliativas para contornar a situa\u00e7\u00e3o. Em diversos trechos, utiliza-se paralelep\u00edpedos, terra e cascalho como medidas emergenciais para tapar buracos. Oper\u00e1rios relatam ter encontrado crateras com at\u00e9 22 cent\u00edmetros de profundidade, impedindo a passagem de carretas. Essas medidas provis\u00f3rias frequentemente precisam ser refeitas dias ap\u00f3s sua execu\u00e7\u00e3o, como relatado por Robson Henrique Miranda, funcion\u00e1rio de oficina de carros na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Investimentos Necess\u00e1rios<\/h2>\n<p>A CNT estima que a recupera\u00e7\u00e3o completa da rodovia exigir\u00e1 um investimento de <strong>R$ 317,8 milh\u00f5es<\/strong>. Deste total, R$ 298,2 milh\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rios em a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o, que incluem refor\u00e7o ou substitui\u00e7\u00e3o do pavimento. A manuten\u00e7\u00e3o com interven\u00e7\u00f5es superficiais e preventivas demandar\u00e1 R$ 19,6 milh\u00f5es adicionais.<\/p>\n<h2>Perspectivas Futuras e Medidas em Andamento<\/h2>\n<p>O Dnit informou estar realizando levantamento dos pontos cr\u00edticos e elaborando um cronograma de interven\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias. Atualmente, executa reparos emergenciais atrav\u00e9s de opera\u00e7\u00f5es de tapa-buracos e servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o rotineira, como ro\u00e7ada e limpeza da pista. Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, enfatiza que <strong>a redu\u00e7\u00e3o de acidentes depende de a\u00e7\u00f5es estruturadas e permanentes, com aplica\u00e7\u00e3o eficiente dos recursos p\u00fablicos<\/strong>.<\/p>\n<p>A BR-393 permanece como um alerta claro sobre a necessidade de investimentos cont\u00ednuos em infraestrutura vi\u00e1ria, especialmente durante per\u00edodos de movimenta\u00e7\u00e3o intensa, como feriados prolongados. A combina\u00e7\u00e3o de terreno montanhoso natural com deteriora\u00e7\u00e3o acelerada da via cria um cen\u00e1rio de risco que exige a\u00e7\u00e3o imediata e definitiva.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BR-393 entre Rio e Minas enfrenta abandono cr\u00edtico com buracos, acidentes fatais e 28 mortes em 2025. Investimento de R$ 317 milh\u00f5es necess\u00e1rio.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":25152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-25156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25156\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25152"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}