Recurso da AGU ao Supremo Tribunal Federal
A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando uma decisão do ministro Flávio Dino que ampliou o escopo de uma ação judicial originalmente focada na taxa de fiscalização cobrada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O governo argumenta que o caso extrapolou seus limites iniciais ao envolver determinações sobre a estrutura de órgãos do sistema financeiro, especialmente o Banco Central (BC) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Ampliação Indevida do Objeto da Ação
Segundo a manifestação apresentada pela AGU nesta quarta-feira, uma ação originalmente voltada à análise da constitucionalidade da taxa da CVM se transformou em uma discussão muito mais ampla sobre a organização da fiscalização estatal do mercado de capitais. A União sustenta que as determinações proferidas pelo ministro Dino passaram a alcançar instituições que sequer integram o processo, comprometendo os princípios processuais básicos.
Para a AGU, esse movimento representa uma ampliação indevida do objeto da ação. O processo passou a discutir temas relacionados à organização administrativa, gestão de pessoal, integração tecnológica e planejamento institucional de órgãos públicos, matérias que não foram objeto dos pedidos formulados pelo autor da ação, qual seja, o partido Novo.
Origem da Controvérsia Judicial
A controvérsia surgiu no âmbito de uma ação apresentada pelo partido Novo contra alterações promovidas por uma lei de 2022 na Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliários (TFM). A legenda argumenta que a arrecadação da taxa teria se tornado desproporcional aos custos das atividades desempenhadas pela CVM, questionando a constitucionalidade dessas cobranças.
Determinações do Ministro Flávio Dino
Ao analisar o caso, Dino determinou que a União apresentasse um plano emergencial de reestruturação da atividade fiscalizatória da autarquia. Entre as informações solicitadas estavam medidas relacionadas à recomposição de pessoal, integração tecnológica, planejamento institucional e fortalecimento da capacidade de supervisão do mercado.
Posteriormente, em despacho proferido em maio, o ministro mencionou expressamente a necessidade de examinar a atuação de outros órgãos ligados ao sistema de fiscalização financeira, citando o Banco Central, o Coaf e demais instituições que integram a rede de prevenção à lavagem de dinheiro e combate a ilícitos financeiros.
Questões Processuais Levantadas pela AGU
A AGU argumenta que BC e Coaf não integram a relação processual e que não houve qualquer pedido para sua inclusão no processo. Por essa razão, sustenta que o STF não poderia impor obrigações ou determinar providências envolvendo essas instituições no âmbito do julgamento. Segundo o governo, permitir essa expansão do escopo da ação poderia abrir precedente perigoso para que processos de controle abstrato fossem utilizados para promover reorganizações institucionais de órgãos que não são partes nas ações.
Objetivo Financeiro do Governo
O objetivo da União com esse recurso é evitar que as taxas arrecadadas pelo BC e pelo Coaf fiquem com esses órgãos e permaneçam na conta do Tesouro Nacional. Essa questão financeira está no cerne do conflito entre o governo e a decisão do ministro.
Próximos Passos
A AGU pede que Dino reconsidere a decisão ou leve o caso ao plenário da Corte para uma análise mais ampla. O recurso coloca em questão não apenas a constitucionalidade da taxa de fiscalização da CVM, mas também questões fundamentais sobre os limites do poder judiciário em ampliar o escopo de ações judiciais além de seus objetivos originais.
