Recentemente, Domingos Brazão, condenado a 76 anos e 3 meses de prisão por envolvimento no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, anunciou sua renúncia ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. A renúncia ocorre logo após a confirmação da condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, há menos de um mês.
Além de Domingos Brazão, seu irmão, Chiquinho Brazão, também foi condenado à mesma pena de prisão. A sentença incluiu uma indenização de R$ 7 milhões às famílias das vítimas e a previsão de perda dos cargos públicos após o trânsito em julgado do processo.
Mesmo estando afastado da função desde 2024, Domingos Brazão permaneceu vinculado ao tribunal e recebeu salário. Dados mostram que em fevereiro, sua remuneração bruta chegou a quase R$ 56 mil, incluindo vencimentos e benefícios adicionais.
Posteriormente à condenação, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a transferência de Domingos Brazão para o sistema prisional do Rio de Janeiro. Em 18 de março, ele já estava detido em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, após deixar o presídio federal de Porto Velho, em Rondônia.
A renúncia não apenas tem um significado simbólico, mas também abre uma vaga de conselheiro no TCE-RJ em um momento crucial da política fluminense. Cláudio Castro, que está prestes a deixar o cargo para concorrer ao Senado, pode influenciar na escolha do novo conselheiro como um dos últimos atos de seu poder no Palácio Guanabara.
Nos bastidores políticos, a vaga no tribunal se tornou uma peça importante no jogo político do estado. Existe a especulação de que Cláudio Castro possa almejar uma cadeira no tribunal caso sua inelegibilidade seja confirmada no julgamento do caso Ceperj no TSE. Embora não haja confirmação oficial, a especulação cresceu devido à atual situação política delicada do governador.
Com a renúncia de Domingos Brazão, a vaga no TCE-RJ deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a ser parte do cenário da sucessão política fluminense. No Rio de Janeiro, uma cadeira no tribunal representa não apenas poder, mas também influência a longo prazo.
