Um grupo de empresários e nomes ligados à cultura está investindo na revitalização de igrejas históricas no Rio de Janeiro, buscando resgatar parte importante do patrimônio religioso e arquitetônico da cidade.
Dentre os locais que estão sendo considerados está o Outeiro da Glória, uma das construções mais emblemáticas do Rio, erguida em 1739 em estilo barroco-rococó. Além de sua relevância histórica e religiosa, a igreja sempre se destacou pela vista privilegiada e pelo significativo papel na memória da cidade.
A proposta surge da percepção de que esses espaços precisam retomar sua relevância na vida cultural e urbana do Rio. No caso do Outeiro da Glória, uma de suas principais fontes de renda eram os casamentos realizados na igreja, eventos que por anos contribuíram para movimentar o local, mas que perderam força com o tempo. Alguns desses templos pertencem a Irmandades católicas centenárias, algumas das quais sofrem com imóveis vazios na região central.
O projeto visa a revitalização de três igrejas históricas. O objetivo é unir preservação, uso cultural e sustentabilidade financeira, em um modelo que permita manter esses imóveis ativos e funcionando, sem limitá-los à contemplação ou ao abandono.
A iniciativa também é impulsionada por um exemplo recente considerado bem-sucedido: a revitalização da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio. A restauração do templo demonstrou que, com a combinação entre conservação do patrimônio, programação e ocupação qualificada, é viável devolver destaque a igrejas históricas da cidade. A capela dos comerciantes, conhecida como igrejinha da Ouvidor, foi restaurada pelo empresário Cláudio André de Castro, da Sérgio Castro Imóveis. Atualmente, o local está sempre cheio com suas Missas Solenes com Coral e Orquestra, aos fins de semana, e se tornou um modelo a ser seguido em gestão e promoção cultural.
No cenário dos bastidores, observa-se que o Rio possui um conjunto de igrejas de enorme valor histórico, artístico e turístico, porém ainda pouco explorado dentro de uma estratégia mais abrangente de preservação e visitação. O objetivo desse grupo é justamente transformar esse patrimônio em um ativo cultural, religioso e urbano. Algumas joias da cidade continuam abandonadas, como a Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo, na Primeiro de Março, e a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, na Alfândega, cuja restauração foi incumbida ao Iphan por decisão judicial, mas o órgão ainda não tomou providências.
Com informações de Ancelmo Gois/O Globo.
