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Ex-policial penal com histórico político é alvo da Interpol

Servidor investigado na Operação Anomalia é suspeito de tentar interferir na extradição de traficante internacional; Polícia Federal pediu inclusão do nome na lista de procurados da Interpol
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Amanda Clark

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão do nome do policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido pelo apelido de “Bonitão”, na Difusão Vermelha da Interpol. Alvo de mandado de prisão na Operação Anomalia, ele é considerado foragido desde o início da semana.

A investigação aponta que o servidor teria participado de um esquema para tentar retardar o processo de extradição de um traficante internacional de drogas preso no Brasil. Segundo a PF, há indícios de que Pinheiro tenha deixado o país e esteja atualmente nos Estados Unidos.

Mesmo com o mandado de prisão em aberto, registros do Portal da Transparência indicam que o policial penal recebeu dois pagamentos do governo estadual em fevereiro, totalizando R$ 6.198,73. Um deles foi feito pela Secretaria de Administração Penitenciária, no valor de R$ 2.963,99, e outro pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, de R$ 3.234,74.

Da segurança de jogadores ao serviço público

Antes de ingressar no sistema penitenciário fluminense, Luciano Pinheiro atuou como segurança particular de jogadores de futebol no início da década de 2010. A atividade ocorreu principalmente junto a atletas brasileiros que atuavam em clubes da Rússia.

Com o tempo, ele passou a circular em diferentes estruturas da administração pública. O policial penal já trabalhou no governo estadual, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e também em Brasília, onde esteve cedido ao gabinete do deputado federal Dr. Luizinho (PP) até fevereiro de 2025.

Na Alerj, ele integrou a estrutura do gabinete da presidência durante a gestão do então presidente da Casa, André Ceciliano (PT).

Procurada, a assessoria de Ceciliano afirmou que a indicação para a nomeação partiu do deputado André Lazaroni. Segundo a nota, o ex-presidente da Alerj não manteve encontros com o policial penal em Brasília e avalia que ele pode ter tentado “vender um prestígio que não tinha”.

A assessoria do deputado Dr. Luizinho não respondeu aos contatos da reportagem.

Prisão no passado e reabilitação judicial

O histórico de Pinheiro também inclui episódios anteriores com a Justiça.

Em 2014, ele foi preso na Maré, sob suspeita de atuar como informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P, apontado como aliado de Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.

Na ocasião, a investigação indicava que ele teria funcionado como elo entre lideranças do tráfico. O policial respondeu ao processo em liberdade, acabou condenado e posteriormente cumpriu pena por posse ilegal de arma.

Com o passar dos anos, conseguiu reabilitação criminal concedida pela Justiça, o que permitiu sua permanência na vida pública.

Suspeita de visita irregular ao “faraó dos bitcoins”

O nome de “Bonitão” voltou a aparecer em investigações internas do sistema penitenciário em agosto de 2021.

Na época, a Secretaria de Administração Penitenciária abriu apuração sobre uma suposta entrada irregular de visitantes na prisão onde estava detido Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “faraó dos bitcoins”.

Segundo a corregedoria da pasta, quatro pessoas teriam visitado o empresário durante um período de quarentena sanitária. Entre elas estaria um homem identificado apenas como Luciano, que apresentou um número de matrícula funcional já desativado.

Reportagem da TV Globo apontou que se tratava de Luciano Pinheiro. O policial penal negou ter feito a visita.

Operação Anomalia mira tentativa de lobby

A nova investigação que colocou Pinheiro na condição de foragido faz parte de mais uma fase da Operação Anomalia, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Ao todo, foram expedidos quatro mandados de prisão. Três suspeitos já foram detidos:

o delegado federal Fabrizio Romano,

o ex-secretário de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena,

e a advogada Patrícia Falcão.

Segundo a PF, o grupo teria tentado interferir no processo de extradição do traficante internacional Gerel Lusiano Palm.

Natural de Curaçao, Palm foi condenado por homicídio na Holanda e também é investigado pela agência antidrogas dos Estados Unidos por tráfico internacional.

Pagamento prometido de até R$ 150 mil

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça indicam que Luciano Pinheiro teria recebido um adiantamento de R$ 15 mil para tentar intermediar contatos políticos em Brasília.

De acordo com a investigação, caso o processo de extradição fosse suspenso, ele receberia mais R$ 150 mil, valor que seria pago pela advogada investigada no caso.

Gerel Palm foi preso no Rio de Janeiro em 2021, em ação da Interpol, e permanece no sistema penitenciário estadual enquanto o processo de extradição segue em análise.

Até o momento, Luciano de Lima Fagundes Pinheiro não foi localizado pelas autoridades.

O que diz a Secretaria de Administração Penitenciária

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que ainda não foi oficialmente notificada pela Polícia Federal ou por outro órgão sobre eventual investigação envolvendo o servidor.

A pasta afirmou que Pinheiro pertence ao quadro da secretaria, mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal.

Segundo a Seap, ele retornou aos quadros da secretaria na quarta-feira (11) e atualmente não ocupa cargo ou função.

“O caso será apurado pela secretaria”, informou a pasta.

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