Depois de uma disputa que resultou em ônibus sendo rebocados e críticas públicas, a Prefeitura do Rio e o Detro chegaram a um acordo para permitir, de forma limitada, a conexão entre Mesquita, na Baixada Fluminense, e o sistema BRT. O acordo entrou em vigor nesta terça-feira (17/03), mas com mudanças significativas em relação ao plano original proposto pela prefeitura.
Na prática, três linhas intermunicipais que já existiam começaram a operar, de forma experimental, até o Terminal Margaridas, em Irajá, onde os passageiros podem fazer a integração com o BRT Transbrasil em direção ao Terminal Gentileza. Essa operação é realizada apenas fora do horário de pico, das 9h às 15h30, com 15 ônibus em circulação e uma tarifa de R$ 6,70. Ao chegar ao terminal, é necessário pagar uma nova passagem de R$ 5 para continuar a viagem no BRT.
Em horários de grande movimento, os ônibus seguem o trajeto tradicional diretamente até a Central do Brasil, sem a necessidade de integração.
Mudança após tentativa fracassada
Essa configuração atual surge depois da tentativa fracassada da Prefeitura do Rio de implementar a linha 77, que ligaria diretamente a Baixada ao BRT. No entanto, a iniciativa não avançou. No primeiro dia previsto para operação, nesta segunda-feira (16/03), os veículos foram apreendidos pelo Detro sob a alegação de que o município não tinha autorização para operar transporte intermunicipal.
Diante da reação do estado, a prefeitura foi obrigada a suspender a linha no mesmo dia. O prefeito Eduardo Paes criticou a ação do Detro e do governador Cláudio Castro nas redes sociais, alegando que a medida prejudica os moradores da Baixada e protege os interesses do setor de transporte intermunicipal.
Acordo define responsabilidades
O novo formato foi anunciado ainda na noite de segunda-feira como uma solução negociada. Segundo o presidente do Detro, Rafael Salgado, houve um entendimento depois que a prefeitura procurou o órgão estadual. Ele afirmou que o município reconheceu que a competência sobre as linhas intermunicipais é do estado.
"Esse terminal aqui, estamos no terminal BRT metropolitano, foi feito para isso. Como eles decidiram operar essas três linhas hoje, nos horários que inicialmente seriam de entrepico, um pouco diferentes deles, das 9h30 às 15h, nós dissemos, 'olha, o que queremos é isso, que vocês operem com os seus ônibus, em boas condições, com ar-condicionado, cumprindo os horários corretamente'. Então, na verdade, atendeu ao que planejávamos fazer"
