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Alzheimer: uma notícia boa e preocupações sobre os novos remédios

Após duas décadas de tentativas frustradas, o tratamento contra o tipo de demência mais comum finalmente teve avanços
Amanda Omura

Amanda Omura

A pesquisa sobre um tratamento para a doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, passou muito tempo sem grandes novidades. Nas últimas duas décadas, nenhum novo remédio havia sido lançado.

E não foi por falta de tentativas: mais de uma centena de candidatos a novos tratamentos foram avaliados, mas todos frustraram as expectativas de médicos, pacientes e familiares.

O cenário mudou em 2021, com aprovação do medicamento aducanumabe (da farmacêutica Biogen) pela Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos.

Vale dizer que a liberação deste fármaco gerou controvérsias na comunidade científica, e os pedidos posteriores para uso dele em outros lugares (como Europa e Brasil) foram negados.

No início de 2023, outra medicação contra esse tipo de demência recebeu sinal verde em terras americanas: o lecanemabe (dos laboratórios Eisai e Biogen). Ainda não há previsão de quando ele chegará ao Brasil.
E mais uma opção pode estar a caminho: na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer de 2023, realizada há pouco na Holanda, foram apresentados os resultados positivos dos estudos com o donanemabe (Eli Lilly), que foi capaz de frear a progressão dos sintomas da doença.

Por um lado, os avanços recentes foram comemorados e renovaram as esperanças, ao indicarem saídas para ao menos atrasar a perda das memórias e do raciocínio.

Preocupação 1: resultados 'modestos'
Os testes com o lecanemabe, por exemplo, envolveram 1795 participantes com quadros demenciais leves. Metade deles recebeu o remédio, enquanto a outra parcela tomou placebo, uma substância sem nenhum efeito terapêutico. Todos passaram por exames e testes cognitivos para comparar os resultados.

Ao final de 18 meses de experiência, o grupo que usou esse anticorpo monoclonal tinha menos beta-amiloide e apresentava um "declínio moderadamente menor nas medidas de cognição e função" quando comparado a quem tomou placebo.
Ou seja: o tratamento com os anticorpos monoclonais funcionou como uma espécie de freio, que segurou por um tempo extra a evolução do Alzheimer para as etapas mais graves e incapacitantes.

Preocupação 2: efeitos colaterais 'potencialmente graves'
Os testes clínicos com os anticorpos monoclonais detectaram alguns eventos adversos importantes entre os pacientes que fizeram o tratamento.

No lecanemabe, os pesquisadores relataram efeitos colaterais classificados como "sérios". São eles: reações relacionadas à infusão (esses remédios são aplicados na veia, uma vez por quinzena ou por mês), inchaço e pequenas hemorragias no cérebro (conhecidas pela sigla em inglês ARIA-E), fibrilação atrial (um tipo de arritmia cardíaca), síncope e angina (dor no peito).

Já no donanemabe, os autores também destacam o maior risco de ARIA-E e reações relacionadas à infusão do fármaco. Três voluntários faleceram durante o estudo após complicações relacionadas ao inchaço e às pequenas hemorragias no cérebro.

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