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Como deve ser introdução alimentar de bebês – e os riscos de dar comida antes do 6º mês

No Brasil, menos da metade (45,7%) dos bebês menores de seis meses se alimenta exclusivamente de leite materno
Amanda Omura

Amanda Omura

Segundo a pediatra Rosângela Gomes dos Santos, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o "aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e deve continuar até os dois anos ou mais".

Isso é o que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), explica a especialista. A orientação é seguida pelo Ministério da Saúde e consta da cartilha da pasta às mães.

No Brasil, porém, menos da metade (45,7%) dos bebês menores de seis meses se alimenta exclusivamente de leite materno, segundo uma pesquisa financiada pelo próprio órgão (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, 2020).

"O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e, a partir desse período, se pode fazer a introdução alimentar", diz Santos à BBC News Brasil, reforçando que não se deve dar "água ou chá" ao recém-nascido.

Segundo a pediatra, a introdução de alimentos antes do sexto mês, que não seja leite materno ou fórmula prescrita pelo pediatra (para as mães que não puderem amamentar nesse período), pode causar problemas de saúde para o bebê.

"O intestino do recém-nascido não está desenvolvido o suficiente. Em situações extremas, ele pode ter uma infecção intestinal e isso pode gerar complicações generalizadas, levando-o à morte", diz.

Mas, normalmente, o que acontece, diz a pediatra intensivista Cinara Carneiro, é que a introdução de alimentos antes do tempo recomendado gera um quadro de desnutrição no bebê.

"A criança pode ser gordinha, fofinha, mas ela é desnutrida. Porque, na verdade, não tem a proporção adequada dos nutrientes ofertados. Ela pode ter anemia ou sobrecarga da função renal, levando a uma lesão", explica.

"O que temos que estar atentos é que, quando se faz oferta de alimentos num momento inadequado do desenvolvimento da criança, ela vai ter deficiência nutricional. Isso, consequentemente, leva a atraso em seu desenvolvimento", acrescenta.

Santos, da SPSP, acrescenta que o uso de fórmulas lácteas por mães que não conseguem amamentar deve ser parcimonioso — e elas devem ser feitas seguindo as recomendações médicas.

Segundo o Ministério da Saúde, "o aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade. Além disso, o ato contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do pequeno e promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê".

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