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Auxílio Brasil: mais de 1 milhão de famílias estavam na fila de espera em fevereiro, diz estudo

Houve um salto de 142% no número de famílias sem acesso ao benefício em relação a janeiro
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Amanda Omura

'Zerada' no início deste ano, segundo o Ministério da Cidadania, a fila de brasileiros à espera do Auxílio Brasil voltou a crescer. Estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que 1.050.295 famílias que atendem aos requisitos para receber o benefício não tiveram acesso a ele em fevereiro deste ano.
A chamada demanda reprimida teve um salto em relação a janeiro, quando o número de famílias à espera era de 434.421.

Para receber o benefício, as famílias precisam atender às condições do programa e estar inscritas no Cadastro Único. Não é preciso se inscrever para o benefício: o governo avalia dentro do CadÚnico os elegíveis. A demanda reprimida, assim, leva em conta o número de inscritos no Cadastro que se enquadram para o recebimento.

Em comparação com o segundo semestre de 2021, no entanto, houve queda acentuada na 'fila', que coincide com a inclusão de cerca de 3 milhões de famílias dentro do programa entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, logo após o governo transformar o Bolsa Família em Auxílio Brasil.

No mês de julho de 2021, havia uma demanda por acesso ao programa (então Bolsa Família) de 2,41 milhões de famílias. Já em novembro de 2021 o número saltou para mais de 3,18 milhões – aumento de 32% em 4 meses.

Por outro lado, em janeiro, o número de famílias à espera do benefício teve uma queda considerável de 86,4%, para 434,2 mil, com a inclusão das 3 milhões de famílias no programa. E, em fevereiro, ocorreu um salto de 142% no número de famílias sem acesso ao benefício, passando para mais de 1 milhão.
Por regiões
A região com maior incidência de espera por concessão do auxílio em janeiro era o Sudeste, com 183.753, seguida pelo Nordeste (124.519).

São Paulo era o estado com o maior número de famílias que tinham direito a receber mas não estavam dentro do programa: 90.793, seguido por Minas Gerais (43.689), Rio de Janeiro (40.007), Bahia (32.384) e Pernambuco (26.355).
A CNM ainda não tem os dados detalhados de fevereiro por estados e municípios.

19,1 milhões de famílias deveriam estar no programa
O estudo mostra que, em julho de 2021, havia mais de 25 milhões de famílias cadastradas no Cadastro Único, e aproximadamente 19,1 milhões atendiam aos requisitos para receber o benefício. Ou seja, 76% das famílias brasileiras inscritas no CadÚnico deveriam estar incluídas no programa de transferência de renda. No entanto, o número de beneficiários era de 16,7 milhões, segundo a CNM.

Já em novembro, 17,6 milhões de famílias tinham perfil para estar no programa social, mas apenas 14,5 milhões recebiam a transferência de renda. Em comparação a julho, há uma queda de 2,18 milhões de beneficiários. E a demanda reprimida era de quase 3,2 milhões de famílias – acréscimo de 773,5 mil famílias em relação ao mês de julho.

Já em janeiro, o número de famílias beneficiadas passou de 14,5 milhões para 17,5 milhões. Segundo a CNM, o ideal seria que o programa tivesse naquele mês mais de 18 milhões de famílias contempladas para zerar a fila. Com isso, a demanda reprimida chegou a perto de meio milhão de famílias.

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