Situação das internações por síndrome respiratória aguda grave no Brasil
O Boletim InfoGripe da Fiocruz divulgou dados preocupantes sobre o avanço da síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em diferentes regiões do Brasil. Enquanto há uma interrupção do crescimento ou queda no número de casos graves de influenza A em muitos estados do Norte e Nordeste, a análise identificou que 13 estados continuam com incidência de SRAG em níveis de alerta, indicando a necessidade de maior vigilância epidemiológica.
Estados em nível de alerta para SRAG
Os estados que mantêm incidência de SRAG em níveis de alerta incluem Acre, Pará e Tocantins na região Norte; Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia no Nordeste; Mato Grosso e Goiás no Centro-Oeste; e Minas Gerais e Espírito Santo no Sudeste. Estes dados referem-se ao período de 29 de março a 4 de abril e demonstram uma distribuição geográfica preocupante da doença.
Características clínicas da SRAG
A SRAG é uma condição clínica grave caracterizada por sintomas severos como febre alta, tosse intensa, dificuldade para respirar, calafrios e cansaço extremo. Esta condição é normalmente causada por vírus como Sars-CoV-2 (Covid-19), Influenza (gripe) e VSR (vírus sincicial respiratório), principal causador da bronquiolite em crianças. A doença exige hospitalização e pode ser fatal, tornando essencial a adoção de medidas preventivas.
Dados epidemiológicos por vírus e faixa etária
Nas últimas quatro semanas, a prevalência entre os casos positivos foi de 30,7% de influenza A; 2,0% de influenza B; 19,9% de vírus sincicial respiratório; 40,8% de rinovírus e 6,2% de Sars-CoV-2. Quanto aos óbitos, a presença destes vírus entre os positivos foi de 40,5% de influenza A, 3,2% de influenza B, 5,5% de VSR, 27,3% de rinovírus e 25,0% de Sars-CoV-2.
A queda de SRAG em crianças e adolescentes está associada à diminuição dos casos graves por rinovírus em parte significativa do país. Entre adultos e idosos, a diminuição dos casos de SRAG tem sido impulsionada pela queda das hospitalizações por influenza A, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Recomendações de vacinação e prevenção
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, enfatiza que a vacina contra a influenza é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos pelo vírus. É fundamental que a população de maior risco – como crianças, idosos e pessoas com comorbidades – se vacine o quanto antes. Profissionais de saúde, que são grupos mais expostos, também devem priorizar a vacinação.
Gestantes a partir da 28ª semana de gestação devem se vacinar contra o VSR, garantindo a proteção dos bebês ao nascer. Portella recomenda ainda que pessoas com sintomas de gripe ou resfriado permaneçam em casa em isolamento; caso isso não seja possível, o ideal é sair usando uma boa máscara de proteção.
Situação por estado e capitais
Além dos 13 estados em nível de alerta crítico, seis unidades federativas (Amazonas, Roraima, Rondônia, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul) continuam apresentando incidência elevada, porém já com sinal de interrupção do crescimento ou queda. Os estados de Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro apresentam crescimento dos casos na tendência de longo prazo, apesar de ainda estarem em nível de segurança.
Quanto às capitais, 11 apresentam incidência de SRAG em nível de alerta com sinal de crescimento nas últimas seis semanas: Palmas, Cuiabá, São Luís, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro. Oito capitais mostram sinais de interrupção do crescimento: Boa Vista, Manaus, Belém, Porto Velho, Goiânia, Brasília, Salvador e Teresina.
