Novo protocolo de rastreamento chega ao SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou um novo protocolo para o rastreamento do câncer colorretal, marcando um avanço significativo na prevenção dessa doença que afeta milhões de brasileiros. A principal inovação é a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para pacientes assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos, podendo alcançar mais de 40 milhões de brasileiros.
Como funciona o teste FIT
O FIT é um exame não invasivo que detecta a presença de sangue oculto nas fezes, um dos primeiros sinais de alerta para o câncer colorretal, pólipos ou lesões pré-cancerígenas. A grande vantagem deste teste é sua simplicidade: não requer preparo intestinal complexo nem dietas especiais antes da coleta, fatores que contribuem para aumentar a adesão da população ao rastreamento.
Diferentemente da colonoscopia, o FIT oferece uma abordagem menos invasiva e mais acessível, especialmente importante em regiões onde a colonoscopia não está disponível. A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Clarissa Baldotto, destaca que essa medida é crucial para ampliar o alcance do rastreamento em todo o país.
Benefícios da detecção precoce
O diagnóstico precoce do câncer colorretal aumenta significativamente as chances de cura e tratamento eficaz. Segundo a Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), as taxas de cura chegam a 90% quando a doença é identificada em fase inicial. Esta é uma razão crucial para expandir o acesso ao rastreamento através do SUS.
A doença costuma apresentar uma evolução silenciosa nas fases iniciais, o que torna ainda mais importante a realização de testes preventivos. Quando diagnosticado precocemente, o tratamento frequentemente se limita à cirurgia, evitando necessidade de quimioterapia ou radioterapia adicionais.
Sinais de alerta e fatores de risco
Pacientes que apresentam sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dores abdominais, perda de peso inexplicada ou anemia devem realizar os exames de diagnóstico. Os principais fatores de risco incluem envelhecimento, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada e histórico familiar da doença.
Qualidade técnica do FIT
O teste possui características técnicas superiores aos antigos testes de rastreamento. Clarissa Baldotto ressalta que o FIT é mais específico para sangue humano nas fezes, apresentando maior sensibilidade e especificidade. Uma vantagem importante é a eliminação de resultados falso positivos, onde não há sangramento real mas o teste apresenta resultado positivo, aumentando a confiabilidade diagnóstica.
O caminho após resultado positivo
Caso o FIT apresente resultado positivo, o paciente será encaminhado para realizar uma colonoscopia, exame que permite visualizar o intestino e confirmar ou descartar a presença de lesões e tumores. Desta forma, o FIT funciona como uma ferramenta inicial de triagem eficiente, não substituindo a colonoscopia, mas otimizando seu uso.
Impacto na mortalidade
A adoção do novo protocolo busca ampliar significativamente o acesso à prevenção no SUS e reduzir a mortalidade associada ao câncer colorretal. Como um dos tipos de câncer com maior potencial de cura quando identificado precocemente, esta iniciativa representa um passo importante na saúde pública brasileira, democratizando o acesso a ferramentas de rastreamento de qualidade.
