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Agentes de IA Revolucionam Pagamentos no Brasil: Segurança, Regulação e Oportunidades

Agentes de IA transformam pagamentos no Brasil. Conheça segurança, regulação e oportunidades do comércio agêntico autônomo.
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Amanda Clark

A Era dos Agentes Inteligentes Autônomos nos Pagamentos

A transformação digital nos processos de consumo e pagamento no Brasil ganhou novo impulso com a ascensão dos agentes inteligentes. A Pagos - Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos promoveu sua 45ª Reunião em abril, dedicando um painel completo à discussão sobre sistemas de inteligência artificial que atuam de forma autônoma na execução de compras e pagamentos em nome dos consumidores. Este encontro reuniu especialistas do mercado financeiro, inovação tecnológica e liderança empresarial para debater um fenômeno que está redefinindo fundamentalmente como os brasileiros realizam transações comerciais.

Valéria Carrete, mediadora e vice-presidente de Emissores da Pagos, marcou o tom da discussão com uma pergunta provocadora: "Se antes a discussão era sobre como a gente paga, a pergunta agora é: o que acontece quando não somos exatamente nós que clicamos para comprar?". Essa mudança paradigmática indica a entrada na chamada "era concierge", onde os agentes de IA deixam de ser simples assistentes para se tornarem verdadeiros comandantes das decisões de compra, pesquisa, decisão e pagamento. Esta transformação impacta diretamente a autenticação, a segurança, a experiência do usuário e as responsabilidades nos negócios digitais.

Da Inovação Teórica à Solução Prática de Problemas Reais

O especialista em Inovação e Inteligência Artificial, Gil Giardelli, enfatizou que o movimento atual "não é mais uma inovação em busca de um problema, mas a resolução de problemas reais por meio da inteligência artificial". As empresas já observam agentes atuando autonomamente em cenários práticos, como na gestão de lojas físicas, onde realizam compras, precificação e tomada de decisões sem interferência humana direta. Este fenômeno representa uma nova fase de destruição criativa que, diferentemente do passado, não leva décadas para se consolidar, mas acontece em questão de meses.

Giardelli ressaltou que "essa é uma nova fase de destruição criativa que antes levava décadas e hoje acontece em meses. O futuro chegou, só que ele ainda não está igual para todo mundo". Esta observação crítica evidencia que a adoção de tecnologia de agentes inteligentes ainda é desigual entre diferentes segmentos e regiões do Brasil, criando oportunidades e desafios simultâneos para diversos atores do mercado.

Segurança e Regulação: Prioridades Urgentes

A segurança e regulação da utilização de agentes inteligentes emergiram como temas centrais do debate. Thais Cabral Padilha, vice-presidente de Engenharia da Salesforce, alertou que em breve haverá regulamentação específica para o uso de IA realizando transações em nome de humanos. "Assim como temos legislações para proteção de dados e direitos do consumidor, vamos precisar de regras que estabeleçam claramente as responsabilidades dos atores envolvidos, seja o usuário, o provedor da IA ou as plataformas que orquestram essas operações".

A especialista também evidenciou um desafio técnico importante: a IA atual é criativa e prescritiva, mas não é 100% determinística. Pode acontecer de um agente extrapolar limites de crédito estabelecidos, ainda que melhorias continuem sendo implementadas. Este ponto ilustra a necessidade de frameworks regulatórios sofisticados que equilibrem inovação com proteção ao consumidor.

Novos Parâmetros de Identificação em Transações

Thais destacou novos parâmetros de identificação utilizados em transações executadas por agentes, indo além dos métodos tradicionais. Estes incluem análises de velocidade média de digitação, taxa de erro, inclinação do dispositivo e até pressão em tela. No entanto, como agentes inteligentes não apresentam os mesmos traços digitais típicos de humanos, é necessário um retrofit nos modelos de segurança existentes. As adquirentes, segundo a executiva, são fundamentais neste processo, pois tiveram contato direto com estabelecimentos e podem auxiliar na preparação para o comércio agêntico.

Desafios Operacionais da Implementação em Larga Escala

Pedro Bramont, diretor responsável por IA, CRM e inovação no Banco do Brasil, detalhou os desafios operacionais da implantação em larga escala de agentes inteligentes. "Cada empresa começou desenvolvendo seu próprio agente, em sua linguagem e com seus protocolos", explicou. O grande desafio atual não é mais construir os agentes, mas sim a orquestração desses sistemas, decidindo qual agente executar em qual transação, como monitorar performance e garantir governança adequada.

Bramont ilustrou um cenário real: pode-se ter de dois a três agentes vendedores para o mesmo segmento, e o orquestrador precisa mapear as habilidades de cada um para disparar o melhor para o cliente. Esta camada de governança é essencial para garantir eficiência, segurança e controle de riscos, como a busca pelo pagamento com menor taxa ou maior agilidade, além de proteção contra fraudes.

Oportunidades Concretas Impulsionadas pela Adoção

O painel destacou oportunidades reais proporcionadas pelos agentes inteligentes. No setor aéreo, por exemplo, a experiência de compra é complexa, envolvendo múltiplas variáveis como datas, destinos e combinações diversas. Com agentes parametrizadores inteligentes, um consumidor pode solicitar uma viagem para um local com baixa probabilidade de chuva em um período específico, com preço máximo definido, voos diretos da sua residência, e que inclua opções culturais e contato com a natureza. Hoje, realizar essa busca manualmente é praticamente impossível, mas o agente agrega essas variáveis em segundos, melhorando significativamente a experiência e aumentando a expectativa de compra.

Dados de Mercado Reforçam o Potencial

Estudos recentes da McKinsey indicam que a inteligência artificial está se consolidando como um dos principais motores de transformação no comércio digital e nos serviços financeiros, com potencial de movimentar trilhões de dólares até 2040. A PwC Brasil aponta que essa revolução tecnológica é fundamental para a reinvenção do mercado, trazendo mais eficiência, segurança e inovação. Dados impressionantes mostram que 74% dos líderes de serviços financeiros no Brasil acreditam que a tecnologia elevará a qualidade dos produtos e serviços em até 12 meses, evidenciando otimismo do setor financeiro brasileiro superior à média global.

O Papel Colaborativo do Setor Privado e Público

Valéria Carrete encerrou o painel enfatizando a importância da colaboração entre setor privado e público. "Não podemos olhar só para os bancos e reguladores tradicionais, é fundamental levantar a cabeça e entender o que está acontecendo globalmente. As prefeituras, por exemplo, já começam a preparar seus atrativos turísticos para o comércio agêntico, estruturando informações e conteúdos de forma que possam ser facilmente encontrados, interpretados e recomendados por agentes de IA".

Gil Giardelli concluiu afirmando que "estamos diante de uma transformação que vai além do ambiente digital e toca na maneira como vivemos, produzimos e consumimos. O movimento é rápido, e o principal é a colaboração entre agentes de mercado, reguladores, desenvolvedores e consumidores para construir um ecossistema seguro, eficiente e inovador".

Novos Recursos para o Ecossistema de Pagamentos

Durante o encontro, foi lançado o primeiro e-book estratégico sobre Comércio Agêntico no Brasil, reunindo análises, frameworks e referências de grandes players globais como Visa, Mastercard, OpenAI, Amazon e Google. Este recurso representa um passo importante na consolidação de conhecimento e boas práticas sobre a adoção de agentes inteligentes no contexto brasileiro. A Pagos reitera seu compromisso em fomentar debates técnicos sobre inovação, segurança, regulação e novos modelos de pagamento que transformam o consumo no país.

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