Você está em:

El Niño x La Niña: mudança de fenômeno pode impactar a inflação no Brasil

Principal temor é que o fenômeno provoque longos períodos de seca, esvaziando reservatórios
Picture of Amanda Omura

Amanda Omura

Além do noticiário climático, o El Niño ganhou protagonismo também nas últimas divulgações da inflação oficial do Brasil. O regime mais intenso de calor e chuvas provocado pelo fenômeno prejudicou parte da safra de alimentos in natura, o que fez os preços nos supermercados dispararem.

A previsão é que, neste mês, o El Niño chegue à sua fase final. Mas outro evento climático começa a entrar em cena: o La Niña.

A chegada do novo fenômeno está prevista para acontecer a partir de agosto deste ano. Em resumo, o La Niña é conhecido por inverter a região de predomínio de secas e chuvas em relação ao El Niño.

Para entender melhor:
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico em 0,5ºC ou mais. Ele costuma levar chuvas intensas ao Sul do Brasil e provocar seca na região Norte.
O La Niña acontece quando o Pacífico está ao menos 0,5ºC abaixo da média histórica, trazendo o resultado inverso: chuvas intensas no Norte e Nordeste e estiagem na região Sul.

Economistas, trazem o alento de que a expectativa inicial é que os reflexos do La Niña sobre os preços sejam menos prejudiciais do que suas versões anteriores.

O registro mais recente do La Niña durou três anos (2020-2023) e, causou fortes impactos na produção agropecuária. O resultado foi percebido no bolso do consumidor com o aumento dos custos no campo e a consequente pressão sobre a inflação.
A falta de chuvas resultou, inclusive, na declaração de emergência por municípios localizados no Centro-Sul do país — região que concentra as principais produções rurais —, com reflexos em alimentos como milho, soja, frango, feijão, leite e carne bovina.

A estiagem, característica histórica do La Niña, também pode causar um aumento generalizado nos custos de energia elétrica, apontam especialistas. Isso devido à diminuição do volume de água nas represas e à consequente redução da produção de energia nas hidrelétricas. O receio é justamente em relação ao Centro-Sul, que concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento de água do país.

Apesar dos temores baseados no histórico do fenômeno, entretanto, o que se espera para este ano é um La Niña menos prejudicial tanto para as lavouras quanto para os reservatórios, com reflexos mais leves sobre os preços para o produtor e o consumidor final ao longo de 2024.

O cenário menos pessimista ganhou força com a crença de que o evento climático deve ter uma transição mais suave, com maior probabilidade de ocorrer só a partir de agosto. Além disso, o período recente de chuvas ajudou na umidificação do solo e na manutenção dos reservatórios, aliviando o caminho para os próximos meses.

As boas condições de produção em outros países — como a vizinha Argentina — também ajudaram nessa equação, colaborando com o controle dos preços de commodities como soja e milho.

Posts Relacionados

Alcolumbre Prorroga Medida Provisória para Controlar Preços de Combustíveis no Brasil

Alcolumbre Prorroga Medida Provisória para Controlar Preços de Combustíveis no Brasil

Alcolumbre prorroga medida provisória com subvenção de combustíveis. União investe R$ 1,12 por litro de diesel para conter alta dos preços.

Cartão de Crédito Rotativo: o Vilão do Endividamento das Famílias Brasileiras

Cartão de Crédito Rotativo: o Vilão do Endividamento das Famílias Brasileiras

Entenda por que o cartão de crédito rotativo é o maior vilão do endividamento das famílias brasileiras, segundo executivo experiente do mercado.

Crédito Próprio Ganha Força com Consumidor Adimplente: Oportunidade para o Varejo Brasileiro

Crédito Próprio Ganha Força com Consumidor Adimplente: Oportunidade para o Varejo Brasileiro

85% dos consumidores brasileiros pagam cartão integralmente. Oportunidade de expansão de crédito próprio no varejo com consumidor adimplente.

Tarifaço de 25% dos EUA divide candidatos: Lula culpa Bolsonaros, Flávio contra-ataca e Caiado critica polarização

Tarifaço de 25% dos EUA divide candidatos: Lula culpa Bolsonaros, Flávio contra-ataca e Caiado critica polarização

Tarifaço de 25% dos EUA gera conflito entre Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema. Conheça as acusações e posições de cada candidato.

Tarifaço americano de 25% afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, alerta Amcham

Tarifaço americano de 25% afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, alerta Amcham

Tarifaço americano de 25% afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras. Amcham alerta impactos negativos bilaterais.

Soberania de Dados em IA: Segurança Bancária e Proteção de Informações Corporativas

Soberania de Dados em IA: Segurança Bancária e Proteção de Informações Corporativas

Entenda como a soberania de dados em IA funciona e quais critérios técnicos garantem segurança bancária nas operações corporativas brasileiras.

Meditação no Trabalho: O Que a Ciência Comprova Sobre Redução de Estresse

Meditação no Trabalho: O Que a Ciência Comprova Sobre Redução de Estresse

Meditação no trabalho: conheça as comprovações científicas sobre redução de estresse e como funciona a prática Heartfulness nas empresas.

Ministro da Fazenda anuncia possível ativação de Lei de Reciprocidade caso EUA confirmem tarifas de 25%

Ministro da Fazenda anuncia possível ativação de Lei de Reciprocidade caso EUA confirmem tarifas de 25%

Ministro da Fazenda anuncia provável ativação de Lei de Reciprocidade se EUA confirmarem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

en_USEnglish