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Fechamento do Estreito de Ormuz por 9 Semanas Ameaça Recessão Global e Reduz Consumo de Petróleo

Fechamento do Estreito de Ormuz por 9 semanas ameaça recessão global com queda de 5 milhões de barris/dia e destruição de demanda por petróleo.
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Amanda Clark

O Impacto da Crise no Fornecimento de Petróleo

O bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte mundial de petróleo, está gerando consequências econômicas cada vez mais sérias. Após nove semanas de fechamento, a crise que começou discretamente em setores menos visíveis já se expande para mercados centrais do dia a dia em todo o mundo, ameaçando desencadear uma recessão econômica global.

Inicialmente, países desenvolvidos conseguiram mitigar o impacto ao utilizar seus estoques emergenciais e pagando preços mais elevados para garantir abastecimento. No entanto, especialistas alertam que esse alívio é meramente temporário. A realidade é que a demanda por petróleo terá de se recalibrar drasticamente para baixo, alinhando-se a uma oferta que já caiu pelo menos 10%.

A Destruição Silenciosa da Demanda

O processo de redução da demanda começou de forma invisível em setores como o petroquímico asiático e o mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP), essencial para cozinhar na Índia. Saad Rahim, economista-chefe da trader Trafigura Group, afirma que a destruição de demanda está acontecendo em lugares que não são centros visíveis de formação de preços, mas esse padrão está mudando rapidamente.

Com o prolongamento do impasse entre os Estados Unidos e o Irã, o impacto se desloca cada vez mais para o Ocidente, afetando produtos essenciais no cotidiano dos consumidores. Companhias aéreas na Europa e nos EUA já cortam milhares de voos, enquanto analistas alertam para fraqueza no consumo de gasolina após os preços ultrapassarem US$ 4 por galão.

Projeções Alarmantes de Economistas

A Agência Internacional de Energia (IEA) registra que a demanda global por petróleo está em seu maior declínio em cinco anos. A trading Gunvor Group estima que a perda pode alcançar 5 milhões de barris por dia no próximo mês, representando 5% da oferta mundial. Outros analistas sugerem que o impacto já atingiu cerca de 4 milhões de barris diários.

As consequências econômicas já se materializam: a Alemanha reduziu pela metade suas projeções de crescimento, enquanto o Fundo Monetário Internacional cortou estimativas globais citando a guerra. No cenário mais severo do Banco Central Europeu, o petróleo Brent atinge US$ 145 por barril, reduzindo o crescimento regional pela metade.

A Progressão em Ondas da Crise

A queda já registrada é de 5,3 milhões de barris por dia neste trimestre. Consultoria FGE NexantECA projeta que uma interrupção de 12 semanas em Ormuz levaria o Brent acima do recorde recente, para US$ 154 por barril. Cuneyt Kazokoglu, diretor de transição energética da FGE, destaca que a destruição de demanda chegará em ondas: a Ásia foi primeira, a África é próxima, e a Europa já começa a sentir impactos severos.

Diesel: A Espinha Dorsal em Risco

Os destilados médios, particularmente o diesel, representam uma área crítica. Preços na Europa superaram US$ 200 por barril, o maior nível desde 2022. Na Índia, operadores de frotas preparam-se para racionamento, enquanto Vikas Dwivedi, do Macquarie Group, adverte que quando o diesel for afetado, todos sentirão o impacto.

Companhias aéreas globais reduzem capacidade: Deutsche Lufthansa cortou 20 mil voos, KLM reduziu operações, e a United Airlines limita crescimento em 5%. Até motoristas americanos, protegidos pela abundância energética doméstica, compram 5% menos combustível apesar de preços mais altos.

Cenários Extremos e Incertezas

Em cenários onde apenas o preço equilibra o mercado, o petróleo bruto precisaria subir até US$ 250 por barril. Frederic Lasserre, chefe de pesquisa da Gunvor, adverte que sem reabertura em três meses, o mundo enfrenta recessão macroeconômica. A empresa testou cenários com petróleo chegando a US$ 200 ou US$ 300.

Países consumidores tentaram ganhar tempo liberando estoques emergenciais — EUA, Alemanha e Japão anunciaram liberação sem precedentes de 400 milhões de barris. Contudo, o esgotamento desses estoques deixa o mundo cada vez mais exposto. Russell Hardy, CEO da Vitol Group, resume: tomou-se emprestada a oferta, mas isso não pode continuar para sempre. As consequências recessivas de racionar a demanda estão apenas começando.

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