Você está em:

Quanto custa acabar com a extrema pobreza no Brasil?

Especialistas dizem que o país poderia gastar menos do que os R$ 89,1 bilhões do Auxílio Brasil
Picture of Amanda Omura

Amanda Omura

No Sol Nascente, uma das regiões mais pobres do Distrito Federal, o casal Daniel Souza de Oliveira e Bruna Carvalho Tavares e os seis filhos sobrevivem apenas com os R$ 632 que recebem do Auxílio Brasil e os R$ 51 do Auxílio Gás.
Mesmo com dois benefícios, o dinheiro não é suficiente para dar conta de todas as despesas. Só o custo do aluguel, da conta de luz e do gás soma R$ 700 por mês. Na prática, é como se cada integrante da família tivesse direito a apenas R$ 85,5 mensais.

Eliminar a pobreza do país, no entanto, é acessível. Especialistas estimam que seja necessário entre R$ 43 bilhões e 80 bilhões anuais para que toda a população supere ao menos a linha de pobreza – valores menores que os gastos atualmente no pagamento do Auxílio Brasil.
Pobreza, o grande problema
Famílias como a de Daniel têm engrossado as estatísticas da dura desigualdade do Brasil. No ano passado, 27,6 milhões de brasileiros estavam na pobreza, segundo o último levantamento realizado pela FGV Social. Ou seja, 13% das pessoas no país encerraram 2021 vivendo com até R$ 290 por mês, o maior patamar desde 2012, pelo menos.

Hoje, o principal programa é o Auxílio Brasil. Com um orçamento estimado em R$ 89,1 bilhões neste ano, ele foi criado pelo governo Jair Bolsonaro para substituir o Bolsa Família, que tinha cerca de R$ 35 bilhões em recursos disponíveis.

Mesmo com um programa mais robusto em vigor, os analistas que se debruçam sobre os indicadores sociais dizem que apenas mais dinheiro não é suficiente para acabar com a pobreza. A avaliação é a de que o Brasil pode até gastar menos no combate à miséria se conseguir focalizar melhor o benefício naqueles que mais precisam.

Os especialistas também alertam que o fim da pobreza não depende apenas dos programas de transferência de renda. Boas políticas de educação e saúde, além de uma inflação sob controle e um mercado de trabalho forte, são fundamentais.
"O Brasil tem um número grande e um número pequeno. O número grande é a quantidade de pobres. (Em outubro de 2021) Eram cerca de 27 milhões de pessoas. E tem um número pequeno, que é o custo de erradicação da pobreza", afirma Marcelo Neri, diretor da FGV Social.
"Apesar de o governo gastar muito (com o Auxílio Brasil), ele não consegue encontrar as pessoas que, por exemplo, estão dormindo na rua, o que está cada vez mais comum", acrescenta Naercio Menezes, coordenador da Cátedra Ruth Cardoso e professor do Insper. "Os programas têm de ser ágeis para encontrar essa entrada e saída de pessoas da pobreza."

Valor necessário é pequeno
Nas contas de Marcelo Neri, da FGV Social, o custo para tirar os 27,6 milhões de brasileiros da pobreza seria de R$ 43 bilhões anuais.
"Se você fizesse um programa totalmente focalizado, esse número (para acabar com a pobreza) é pequeno", afirma. "São cerca de R$ 43 bilhões, que é menos da metade do que se gasta com o Auxílio Brasil."

Posts Relacionados

Coreia do Sul registra maior crescimento econômico em cinco anos impulsionado por demanda de semicondutores

Coreia do Sul registra maior crescimento econômico em cinco anos impulsionado por demanda de semicondutores

Coreia do Sul atinge maior crescimento econômico em cinco anos com PIB de 1,7% impulsionado por demanda global de semicondutores

Argentina enfrenta maior queda econômica mensal desde 2023 em fevereiro

Argentina enfrenta maior queda econômica mensal desde 2023 em fevereiro

Economia argentina registra maior queda mensal desde 2023 em fevereiro com contração de 2,6%, enquanto governo promete recuperação

Empreendimento de Luxo no Leblon Vende 60% das Unidades Antes do Lançamento Oficial

Empreendimento de Luxo no Leblon Vende 60% das Unidades Antes do Lançamento Oficial

Construtora Mozak vende 60% do empreendimento Bruma no Leblon antes do lançamento oficial. Sucesso no mercado imobiliário de luxo do Rio.

Pedágio Free Flow: Por Que as Reclamações Não Devem Interromper a Modernização das Rodovias

Pedágio Free Flow: Por Que as Reclamações Não Devem Interromper a Modernização das Rodovias

Free flow: saiba por que as reclamações não devem prejudicar os avanços trazidos pela modernização eletrônica de pedágios nas rodovias.

Endividamento das Famílias Cresce: Como as Apostas Eletrônicas Impactam a Economia Brasileira

Endividamento das Famílias Cresce: Como as Apostas Eletrônicas Impactam a Economia Brasileira

Endividamento das famílias cresce com apostas eletrônicas. Conheça o impacto econômico dessa tendência e o papel do governo.

Juros Altos no Brasil: O Desafio Econômico Comparável ao Plano Real

Juros Altos no Brasil: O Desafio Econômico Comparável ao Plano Real

Quatro em cinco famílias brasileiras têm dívidas. Com juros reais de 10%, Brasil enfrenta desafio econômico comparável ao Plano Real.

Petróleo a US$ 100 posiciona América do Sul como maior fonte de oferta global até 2035

Petróleo a US$ 100 posiciona América do Sul como maior fonte de oferta global até 2035

América do Sul pode adicionar 2,1 milhões de barris diários até 2035. Brasil, Guiana e Suriname lideram potencial de expansão petrolífera.

Feriadão de São Jorge deve injetar R$ 47,6 milhões na economia do Rio em 2024

Feriadão de São Jorge deve injetar R$ 47,6 milhões na economia do Rio em 2024

Feriadão de São Jorge deve injetar R$ 47,6 milhões na economia do Rio. Confira estimativas da Prefeitura e impacto econômico

en_USEnglish