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Entenda como o vinho pode ajudar as ‘bactérias do bem’ que temos no intestino

Consumo moderado de vinho tinto ajuda a regular a microbiota intestinal, um grupo de trilhões de bactérias que temos no intestino
Amanda Omura

Amanda Omura

Um estudo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor) aponta que o consumo moderado de vinho tinto ajuda a regular a microbiota intestinal, um grupo de trilhões de bactérias que temos no intestino.

A microbiota está diretamente associada a doenças como obesidade, diabetes mellitus tipo 2, acúmulo de gordura no fígado e doenças cardiovasculares. Portanto, a qualidade dela pode ser um dos fatores que influenciam a evitar problemas de saúde.
Dois cardiologistas responsáveis pelo estudo, Elisa Haas e Protásio Lemos, afirmaram que o maior achado da pesquisa é que a microbiota pode se beneficiar da mudança no consumo de alimentos e bebidas.

Ecossistema de bactérias
"Hoje a gente entende que ela (a microbiota) tem um papel quase como um novo órgão endócrino conversando com o corpo. Existem perfis bacterianos associadas às doenças", ressalta Elisa.
Isso acontece porque a microbiota é capaz de produzir substâncias que podem ser maléficas ou benéficas, uma vez que o comportamento e alimentação influenciam nas reações bacterianas.

Para compreender melhor, é preciso pensar a microbiota como um ecossistema. Na natureza, ecossistemas diversos são mais saudáveis. A médica faz uma metáfora com o tema e aponta que, da mesma maneira que o meio ambiente vêm sendo alvo do desmatamento, acredita-se que o corpo humano também passa por processo de "empobrecimento" da nossa "floresta interna".

A microbiota é adquirida pela via de parto (normal ou cesariano) e diversos fatores influenciam seu desenvolvimento ao longo dos anos.
Pessoas que vivem no campo tem uma microbiota mais diversa do que as que vivem na cidade, assim como as pessoas que têm cachorro também apresentam maior diversidade do que aquelas que não têm.

250 ml de vinho e melhora na microbiota
Os pesquisadores escolheram o vinho tinto porque ele tem um conteúdo maior de polifenóis, o que pode ter um impacto benéfico em diversos mecanismos no corpo humano.

Mais detalhes:
Foi feito com um grupo de 42 voluntários homens, com mais de 60 anos;
Voluntários tinham histórico de doença cardíaca (infarto, cateterismo, cirurgia de ponte de safena, doença carótida, doença arterial periférica e acidente vascular cerebral);
Para a pesquisa, cada um deles bebeu 250 ml de vinho tinto diariamente durante 5 dias, por 3 semanas.
Depois, eles passaram por um período igual de abstenção de álcool, ambos precedidos por um período de dieta controle de duas semanas.
A pausa serviu para comparar as análises biológicas dos participantes antes, durante e depois do consumo da bebida.
O resultado, explica Elisa Haas, cardiologista e uma das autoras do estudo, mostrou melhoria na microbiota intestinal e modificações no sangue relacionadas a melhor metabolismo energético e antioxidante.

O cardiologista e pesquisador sênior do InCor, Protásio Lemos, ressalta que os polifenóis do vinho tinto têm vários efeitos importantes em relação a circulação.

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