Voltar ao Início

Você está em:

Foco no paciente reduz o risco de readmissão hospitalar

“The New England Journal of Medicine” publicou material sobre as medidas para diminuir as chances de readmissão
Amanda Omura

Amanda Omura

No fim de dezembro, “The New England Journal of Medicine” publicou um amplo material sobre as medidas a serem tomadas para diminuir as chances de um paciente voltar a ser internado depois de receber alta, a chamada readmissão hospitalar. A “receita” não é difícil de adivinhar: é preciso levar em conta todas as características da pessoa, incluindo uma avaliação da sua vulnerabilidade social, em vez de utilizar uma mesma métrica para todos.

A Corewell Health, rede que reúne 22 hospitais nos Estados Unidos, mapeou que pacientes apresentavam mais probabilidades de enfrentar dificuldades de recuperação; em seguida, criou um plano customizado, de acordo com as necessidades de cada um. Para o grupo considerado vulnerável, foi montado um suporte de transição com a duração de um mês depois da alta. Além da abordagem interdisciplinar, com profissionais de diversas áreas, o trabalho não se limitava aos desafios clínicos: as intervenções abrangiam questões como os determinantes sociais de saúde (por exemplo, as condições da moradia).

O resultado da experiência, que se estendeu por 20 meses, não poderia ser diferente: recuperação mais rápida das pessoas e custos menores para o sistema que conseguiu evitar a reinternação. O que me leva a citar um outro estudo sobre o papel dos hospitais para reduzir a desigualdade na saúde, caso passem a avaliar os pacientes levando em conta suas necessidades sociais, como insegurança alimentar, precariedade de moradia, falta de acesso a transporte, incapacidade de pagar contas básicas e exposição à violência.

Para mudar a situação, os Estados Unidos vão adotar três medidas para produzir uma visão mais abrangente do paciente. A primeira entra em vigor este ano e estabelece o compromisso dos hospitais em cinco frentes: eleger a igualdade na saúde como prioridade estratégica; levantar as informações sociodemográficas dos pacientes; analisar o material; adotar medidas focadas em sanar disparidades na saúde; e, para fechar, exigir o comprometimento das lideranças nesse esforço. A segunda e terceira etapas serão consequências: a obrigatoriedade de os hospitais relatarem a porcentagem de adultos que foram beneficiados por essa abordagem e quantos se enquadravam num perfil vulnerável. Com certeza será preciso padronizar as ferramentas de medição, qualificar a mão de obra das instituições para que o projeto dê certo e azeitar o compartilhamento dos dados para ajustes nas políticas públicas. Torço para que funcione, embora os investimentos necessários possam se tornar um grande desafio.

Posts Relacionados

Mitos e fatos sobre nutrição: o glúten realmente faz mal?

Mitos e fatos sobre nutrição: o glúten realmente faz mal?

O glúten tem sido o vilão: cada vez mais pessoas não toleram o conjunto de proteínas encontrados no trigo e em outros grãos

Como determinar o tamanho ideal das porções de comida para cada pessoa

Como determinar o tamanho ideal das porções de comida para cada pessoa

Além da qualidade dos alimentos, também é importante consumir uma quantidade adequada. Como calcular isso?

Passar protetor solar apenas em algumas partes do rosto traz alerta para saúde

Passar protetor solar apenas em algumas partes do rosto traz alerta para saúde

Prática que visa criar um 'jogo de luz e sombra na pele' ao passar protetor solar apenas em partes do corpo não é recomendada

Por que o álcool é tão perigoso para o cérebro dos jovens

Por que o álcool é tão perigoso para o cérebro dos jovens

O álcool é uma toxina. Seus riscos incluem acidentes, doenças do fígado e muitos tipos de câncer, até em pequenas quantidades

Candidíase em homens: como surge a infecção que causa coceira e manchas

Candidíase em homens: como surge a infecção que causa coceira e manchas

A 'Candida albicans' é um tipo de fungo que normalmente coexiste em equilíbrio na microbiota humana, e faz parte do corpo

Cosméticos: quais substâncias nossa pele consegue ou não absorver

Cosméticos: quais substâncias nossa pele consegue ou não absorver

Marketing traz apelo de várias substâncias com promessas de resultados, mas nem tudo é absorvido pela pele

A teoria do ‘útero errante’ que deu origem ao ultrapassado conceito de histeria

A teoria do ‘útero errante’ que deu origem ao ultrapassado conceito de histeria

Esta crença existiu há mais de 2,4 mil anos, mas o paradigma sobre como o suposto 'animal' afetava o corpo se manteve

Psicóloga incentiva adultos a cuidarem de sua criança interior para superar traumas

Psicóloga incentiva adultos a cuidarem de sua criança interior para superar traumas

Com mais de 8 milhões de seguidores, Nicole Lepera fala sobre como os traumas influenciam a vida adulta em vídeos

en_USEnglish