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Marine One passa a 1,2 km de avião comercial em Washington: novo incidente aéreo preocupa

Marine One passa a 1,2 km de avião comercial em Washington. Novo incidente aéreo reaviva preocupações com segurança.
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Amanda Clark

Incidente com helicóptero presidencial ressurge preocupações com segurança aérea em Washington

O helicóptero presidencial Marine One, que transportava o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, registrou um incidente de segurança na terça-feira ao passar a apenas 1,2 quilômetros de distância de uma aeronave comercial no espaço aéreo de Washington. O evento reaviva discussões sobre a complexidade e os riscos do sistema de tráfego aéreo na capital americana, especialmente considerando o trágico acidente de janeiro de 2024 que resultou em 67 mortes.

Detalhes do incidente com o Marine One

O Marine One decolou da Casa Branca à tarde de terça-feira com destino à base aérea de Andrews, onde Trump embarcaria para Los Angeles. A tripulação do helicóptero alertou os controladores de tráfego aéreo sobre a iminência da decolagem, um procedimento que deveria conceder prioridade de trânsito à aeronave presidencial. No entanto, gravações obtidas pelo jornal New York Times revelam que o operador pareceu surpreso com a mensagem do comandante.

Após o Marine One deixar o solo, a aeronave se viu em uma trajetória de potencial colisão com um avião da empresa Envoy Jet que decolava do aeroporto Ronald Reagan. A separação horizontal entre os dois vetores foi de apenas 1,2 quilômetros, com uma separação vertical de 210 metros. O piloto do helicóptero presidencial chegou a avistar a aeronave comercial durante o incidente.

Análise das autoridades sobre a segurança

A Agência Federal de Aviação (FAA) confirmou que ocorreu uma perda momentânea de separação entre as duas aeronaves. Os parâmetros de segurança estabelecidos pela FAA recomendam uma distância lateral mínima de 2,4 quilômetros ou uma separação vertical de 152 metros entre aeronaves. Apesar do incidente, a agência declarou que Trump nunca esteve em perigo durante o evento.

O Corpo de Fuzileiros Navais, responsável pela operação do Marine One, classificou o voo como uma movimentação de rotina, negando que tenha havido qualquer situação de risco. A porta-voz da Casa Branca reforçou que o presidente não correu perigo em nenhum momento, embora reconheceu a perda de separação temporária.

Contexto histórico: o acidente de 2024

Este incidente ocorre exatamente um ano e meio após a colisão devastadora entre um avião Bombardier CRJ700 operado pela American Eagle e um helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA, próximo ao aeroporto Reagan, que deixou 67 pessoas mortas (64 passageiros do avião e três militares). A investigação daquele desastre identificou falhas na conduta do piloto, problemas nas rotas de helicópteros e sobrecarga dos controladores de tráfego aéreo.

Desafios estruturais do espaço aéreo de Washington

O espaço aéreo da capital americana é considerado um dos mais complexos dos Estados Unidos, com numerosas restrições de tráfego implementadas principalmente após os ataques de 11 de Setembro. O aeroporto Ronald Reagan, que opera voos domésticos e algumas rotas internacionais, possui uma das pistas mais movimentadas do país e convive com rotas de helicópteros utilizados por executivos, políticos e, principalmente, pelo presidente.

De acordo com dados da FAA, foram registrados mais de 15 mil incidentes de risco na área entre 2021 e 2024, sendo que em 85 casos a distância entre as aeronaves foi inferior a 50 metros. Este dado demonstra a gravidade recorrente dos problemas de segurança aérea na região.

Recomendações não implementadas após investigação anterior

O inquérito sobre o acidente de janeiro de 2024 apresentou recomendações à FAA, incluindo mudanças ou eliminações de rotas de helicópteros. Contudo, nem todas as sugestões foram implementadas de forma agressiva como defendem especialistas do setor. Reduções no número de decolagens e pousos no aeroporto Reagan foram parcialmente implementadas, mas segundo analistas, não foram suficientes.

Allen Campbell, piloto veterano do setor comercial e das Forças Armadas, afirmou à rede CNN que a situação poderia ter sido resolvida anos atrás, destacando que grandes aeroportos como Dallas-Fort Worth, Los Angeles, Chicago e Miami não permitem helicópteros em um raio de cinco milhas sem autorização específica e rigorosa. Segundo Campbell, o aeroporto Ronald Reagan abusou dessa prática por anos, e agora terá de corrigir o problema.

Déficit de controladores de tráfego aéreo

Um dos principais problemas identificados é o déficit crônico de controladores de tráfego aéreo nos Estados Unidos. Em novembro passado, durante uma paralisação orçamentária federal, centenas de controladores deixaram seus postos pela falta de pagamento de salários, agravando significativamente o caos aéreo às vésperas do feriado do Dia de Ação de Graças e comprometendo a segurança do sistema.

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