Diplomacia intensiva entre EUA e Irã continua após impasse no Paquistão
Apenas dois dias após uma maratona diplomática entre os Estados Unidos e o Irã que terminou sem um acordo preliminar no Paquistão, o presidente americano Donald Trump anunciou que uma nova rodada de negociações pode ocorrer nos próximos dois dias no país asiático. Em comunicações com a imprensa, Trump não forneceu detalhes específicos sobre o local exato ou a agenda das discussões, mantendo a expectativa sobre os próximos passos dessa delicada negociação internacional.
De acordo com o jornal New York Post, Trump relatou não estar satisfeito com as discussões anteriores, especialmente no tocante à proposta de uma moratória de 20 anos nas atividades nucleares iranianas. Em um primeiro telefonema, o presidente declarou que as discussões entre os dois lados estão em andamento e que uma nova reunião poderia acontecer em breve, possivelmente na Europa.
Indicações de novas conversas iminentes
Em um segundo telefonema relatado pelo Post, Trump instruiu repórteres a permanecerem no Paquistão, afirmando que algo poderia acontecer nos próximos dois dias e que os EUA estariam mais propensos a se deslocar para lá. O presidente também fez elogios ao marechal Asif Munir, de quem se aproximou no ano anterior, sugerindo que a dinâmica diplomática local pode favorecer futuras negociações.
Até o momento, nem o Departamento de Estado americano nem o governo do Irã emitiram pronunciamentos oficiais sobre essas declarações, mantendo a incerteza sobre o status real das negociações.
Contexto das negociações anteriores
Na semana passada, a menos de duas horas antes do vencimento de um prazo estabelecido por Trump para a abertura do Estreito de Ormuz, o presidente americano anunciou uma trégua de duas semanas e agendou uma reunião bilateral com o Irã para o fim de semana em Islamabad. Os dois lados enviaram representantes de alto escalão, incluindo o vice-presidente americano JD Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher-Ghalibaf.
Após 21 horas de reuniões intensas, os negociadores americanos deixaram Islamabad sem alcançar um acordo. Trump posteriormente anunciou que imporia seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz e aos portos iranianos, escalonando a tensão diplomática.
Pontos de discordância nas negociações
Conforme relatado por diplomatas nos bastidores, dois principais pontos travaram as negociações anteriores. O primeiro envolvia a demanda iraniana de manter algum tipo de controle sobre o Estreito de Ormuz, incluindo a possibilidade de cobrar um pedágio pela passagem. Antes das hostilidades, este estreito era responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo e gás, com alguns navios pagando até US$ 2 milhões em taxas.
O segundo e mais crítico ponto de discordância referia-se ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de desenvolver uma arma atômica e de acelerar suas atividades de enriquecimento de urânio. Teerã nega enfaticamente essas acusações e assegura que suas atividades nucleares possuem apenas objetivos civis e pacíficos.
Propostas nucleares em debate
De acordo com relatos da imprensa americana citando fontes envolvidas nas conversas, os EUA sugeriram uma pausa de 20 anos no enriquecimento de urânio pelo Irã, além da transferência de todo material enriquecido, aproximadamente 440 quilogramas, para outros países como a Rússia. Analistas consideram essa demanda uma pequena concessão diplomática de Washington, que historicamente exigira publicamente o fim completo de todas as atividades nucleares.
Em resposta, os iranianos apresentaram uma contraproposta alternativa: a suspensão por cinco anos do enriquecimento e a diluição do material enriquecido mantendo-o no país, sem enviá-lo ao exterior. Os EUA rejeitaram essa proposta.
Trump comunicou ao New York Post que não gosta da ideia de uma moratória de 20 anos e enfatizou não querer que o Irã sinta que saiu como vencedor nas negociações. No entanto, negociadores experientes acreditam que o processo de negociação deve permitir que ambos os lados tenham elementos positivos para apresentar a seus públicos domésticos, garantindo que nenhum dos lados saia completamente derrotado dessa disputa diplomática.
