Declaração de Trump sobre encontro com líder norte-coreano gera controvérsia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira sua intenção de se reunir com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, antes do final do ano. A declaração, porém, ocorre em meio a uma aparente falta de confirmação por parte de Pyongyang, gerando questionamentos sobre a veracidade das negociações diplomáticas entre os dois países.
Quando questionado por jornalistas na Casa Branca sobre a possibilidade de um encontro, Trump respondeu de forma direta: "Sim, vou me reunir com ele". Esta afirmação segue declarações anteriores em que o presidente americano teria confirmado que Kim Jong-un respondeu positivamente às suas iniciativas de aproximação, descrevendo as conversas como "muito positivas".
Negação de Pyongyang cria tensão diplomática
Contrariando as afirmações de Trump, Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, publicou um comunicado oficial afirmando que "não tem conhecimento" de qualquer comunicação entre os dois líderes. A declaração é particularmente significativa, já que Kim Yo-jong é uma figura de destaque na hierarquia política da Coreia do Norte e geralmente está informada sobre assuntos relacionados à política externa do país.
"Quanto às recentes notícias procedentes de Washington sobre a comunicação entre os líderes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos, não tenho conhecimento a respeito, e provavelmente seja o único assunto relacionado com a política externa da nossa alta direção do qual não estou a par", afirmou Kim Yo-jong em seu comunicado.
Possível encontro durante viagem à Ásia
Segundo autoridades americanas, Trump vem pressionando seus assessores para organizar um encontro presencial com Kim durante o outono. A viagem de Trump à Ásia em novembro, quando líderes mundiais se reunirão em Shenzhen, na China, para a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), é apontada como uma oportunidade potencial para o encontro. Porém, ainda não existe planejamento oficial confirmado para tal reunião.
Retomada de diplomacia nuclear do primeiro mandato
O objetivo de Trump é retomar a iniciativa diplomática de seu primeiro mandato, quando realizou três encontros com Kim na tentativa de negociar o programa nuclear norte-coreano. Em 2018, Trump assinou com Kim Jong-un a "Declaração de Cingapura", um roteiro para as negociações sobre o programa nuclear. Posteriormente, em 2019, os dois voltaram a se reunir em Hanói, mas Trump abandonou a mesa após Kim se recusar a concordar com o desmantelamento completo de seu programa nuclear.
Apesar da aproximação anterior, as negociações fracassaram e Pyongyang não abandonou seu arsenal nuclear. Trump reconhece que a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares extremamente potentes, afirmando que "nunca se devia permitir que isto acontecesse", porém ressaltando sua excelente relação pessoal com Kim.
Analistas céticos quanto a avanços diplomáticos
Analistas e autoridades americanas não esperam grandes avanços em uma nova reunião. Desde os três encontros anteriores com Trump, o arsenal nuclear de Kim se tornou significativamente maior e mais capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos. Bruce Klingner, ex-alto funcionário da CIA especializado na Coreia, critica a estratégia, afirmando que "isso apazigua mais um ditador despótico com base na percepção equivocada de que uma relação pessoal realmente alcançará os objetivos da política externa dos EUA".
Dimensão incerta do arsenal norte-coreano
A verdadeira extensão do arsenal nuclear norte-coreano permanece incerta entre especialistas. Enquanto estimativas iniciais apontam para cerca de 60 ogivas, Jeffrey Lewis, especialista em programa nuclear norte-coreano da Universidade Stanford, afirma que o arsenal provavelmente está na casa das centenas neste momento, considerando o número de lançadores de mísseis exibidos pelo país e o aumento da produção de plutônio e urânio altamente enriquecido.
Redução de exercícios militares com Coreia do Sul
Trump anunciou uma redução "considerável" da participação americana nos exercícios militares anuais do Escudo da Liberdade Ulchi com a Coreia do Sul, justificando a decisão por sua relação "muito boa" com Kim Jong-un. Os exercícios foram reduzidos de 11 dias para apenas cinco dias, ocorrendo de 17 a 21 de agosto. A agência estatal de notícias norte-coreana KCNA atacou os exercícios, classificando-os como uma "ameaça mais imediata e explícita" à Coreia do Norte e à "segurança regional".
