Investigação sobre filiação indevida de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal foi acionada para investigar a filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao partido Missão, um incidente que impediu o registro de sua candidatura à Presidência da República junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A abertura do inquérito foi determinada pelo presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, atendendo também ao pedido da equipe jurídica do senador.
De acordo com informações divulgadas, a filiação indevida ocorreu na madrugada dos dias 12 para 13 de agosto. Alguém, sem qualquer manifestação de vontade de Flávio Bolsonaro, inseriu no sistema oficial da Justiça Eleitoral um registro de filiação a partido diverso, resultando no cancelamento automático de sua filiação ao PL. O TSE já informou, em nota oficial, que o ato de cadastro não foi resultado de um ataque hacker, mas do "uso indevido" da ferramenta por alguém que possuía as credenciais necessárias para efetuar filiações.
Precedente com o presidente Lula
Este caso apresenta semelhanças notáveis com outro episódio ocorrido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho de 2023, quando ele foi filiado indevidamente ao PL. O caso foi revelado pelo GLOBO em janeiro de 2024. A Polícia Federal investigou a falsa filiação e descobriu que um adolescente de 13 anos inseriu dados falsos em nome do presidente no sistema do TSE. Segundo os investigadores, tratou-se de uma fraude deliberada e não de um ataque hacker ao sistema.
Ações do partido Missão e do PL
O partido PL já protocolou ao TSE um pedido de desfiliação de Flávio Bolsonaro. O partido Missão, que tem Renan Santos como candidato presidencial, afirmou que acionará a Polícia Federal para identificar os responsáveis pela fraude. Conforme informações do partido, ele chegou a avisar o PL sobre o incidente no dia 2 de agosto, mas não obteve resposta imediata.
Em comunicado oficial, o Missão denunciou ser vítima de uma "tentativa de filiação fraudulenta" e declarou estar à disposição das autoridades para esclarecimentos. "A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos", informou o partido em nota.
Medidas de preservação de evidências
Segundo o PL, a situação é "grave" e exige ações imediatas. O partido solicitou a preservação de todos os registros eletrônicos da operação, incluindo logs de acesso, identificação de usuários, credenciais, endereços IP, datas, horários e demais elementos que permitam rastrear a origem e identificar os responsáveis pela alteração indevida. Essas informações serão repassadas à Polícia Federal para subsidiar a investigação.
Decisão do TSE em favor de Flávio
Nesta quarta-feira, o presidente do TSE atendeu integralmente ao pedido de tutela de urgência apresentado pela defesa de Flávio Bolsonaro. O ministro Kássio Nunes Marques determinou que o vínculo com o PL fosse restabelecido desde 30 de novembro de 2021, data da filiação original do senador, e ordenou a exclusão do registro que o vinculava indevidamente ao Missão.
Além disso, o presidente do TSE também ordenou a liberação imediata do Sistema Candex, ferramenta utilizada para processar os pedidos de registro de candidatura, permitindo que Flávio Bolsonaro pudesse dar prosseguimento aos trâmites eleitorais necessários. O partido Missão comprometeu-se a disponibilizar um relatório completo contendo todos os logs, e-mails e IPs para a imprensa e autoridades competentes.
