A histórica Igreja da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor, receberá neste sábado (14), às 12h15, uma Missa Solene em memória dos 200 anos de falecimento de Dom João VI, monarca cuja trajetória está profundamente entrelaçada com a história do Rio de Janeiro, tendo reinado sobre o Império Português desde as terras cariocas. O evento é uma realização da Venerável Liga dos Devotos de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, com apoio da Irmandade, do Círculo Monárquico, e da Casa Imperial do Brasil, para homenagear o homem que enganou Napoleão Bonaparte e mudou para sempre a cara do Brasil.
A celebração será presidida pelo padre Vitor Pimentel Pereira e contará com grande coral e orquestra, seguindo o padrão das Missas de Fim de Semana organizadas ininterruptamente pela Venerável Liga desde 2023, quando retomou uma tradição musical de utilizar a Polifonia Sacra e o Canto Gregoriano na capelinha elíptica da rua do Ouvidor, que voltou a badalar seus sinos quando de sua reinauguração em junho daquele ano. A presença da Princesa Imperial Viúva, Dona Christine de Orléans e Bragança, está confirmada.
A Santa Missa será celebrada em latim segundo o rito do Missal de Paulo VI, conhecido como Novus Ordo — a forma ordinária da liturgia católica atualmente em vigor, mais ou menos como fez o Papa Leão XIV logo após o conclave que o escolheu como líder da Igreja Católica. Serão utilizadas peças sacras dos séculos XVIII e XIX na cerimônia que será musicada pelo Coral Astorga, da soprano Juliana Sucupira.
Figura central na história do Brasil, Dom João VI foi responsável por transformar o Rio de Janeiro em sede do Império Português após a transferência da corte para a cidade em 1808. Durante seu reinado, o Rio viveu profundas transformações políticas, administrativas e culturais, consolidando-se como centro do poder no mundo lusófono, e este centro era justamente a região da Praça XV, onde se localiza a Igreja da Padroeira dos Comerciantes do Rio.
Esta região do Centro histórico — onde se encontram igrejas seculares, antigas irmandades e instituições que remontam ao período colonial — preserva até hoje vestígios dessa época de intensas mudanças que marcaram a formação da cidade. Ali fica o famoso Arco do Teles, hoje sede de diversos Centros Culturais e a sede do DIÁRIO DO RIO.
A Igreja da Lapa dos Mercadores, fundada no século XVIII por comerciantes portugueses organizados na antológica Irmandade dos Mercadores, insere-se diretamente nesse cenário histórico. Situado em plena Rua do Ouvidor — uma das vias mais tradicionais e simbólicas da cidade — o templo elíptico é um raro testemunho do Rio colonial que sobreviveu às grandes transformações urbanas que marcaram o Centro ao longo dos séculos. Restaurado com esmero em 2023, reabriu com grande pompa e hoje recebe turistas de todo o mundo todos os dias de 9 da manhã às 17h.
Ao longo de mais de duzentos anos, o templo acompanhou as transformações do Rio e permanece como um dos marcos religiosos e culturais da Rua do Ouvidor, e hoje ostenta o título de capela mais badalada do Centro, com concertos, Missas Solenes e um cuidado litúrgico que vem apaixonando os amantes do catolicismo mais tradicional assim como os apaixonados pela música sacra. O trabalho da irmandade na recuperação de peças históricas desaparecidas de seu acervo também ficou muito conhecido.
Pequena em dimensões, mas rica em história e tradição, a igreja mantém viva uma programação litúrgica que busca recuperar o espírito solene das antigas celebrações católicas do período imperial. Atualmente, missas solenes com coral e orquestra são celebradas regularmente no templo todos os sábados e domingos, sempre às 12h15, atraindo fiéis, interessados em história e visitantes que circulam pela região central da cidade e querem conhecer a imagem milagrosa que protagonizou o célebre Milagre da Rua do Ouvidor.
Essas celebrações costumam contar com música sacra executada por coral e, em ocasiões especiais, por orquestra, reforçando o caráter cultural e histórico do templo no contexto do Centro do Rio.
A Santa Missa deste sábado pretende justamente recordar essa conexão entre fé, memória e história, evocando o papel desempenhado por Dom João VI na formação do Rio de Janeiro como capital política e cultural do Brasil.
Aberta ao público, a cerimônia deve reunir fiéis, interessados em história e admiradores do patrimônio religioso da cidade.
Serviço
Missa Solene pelos 200 anos de falecimento de Dom João VI
Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores
Rua do Ouvidor, 35 – Centro – Rio de Janeiro
Sábado, 14 de março
Horário: 12h15
Celebração com grande coral e orquestra
Santa Missa em latim – rito do Missal de S. Paulo VI
