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Epilepsia: conheça os sinais além das convulsões e saiba como agir em uma crise

Campanha Março Roxo alerta a importância do diagnóstico precoce, orienta sobre sinais menos conhecidos e ensina como agir diante de crises para reduzir riscos e preconceitos
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Amanda Clark

O mês de março é marcado pela campanha Março Roxo, iniciativa que busca ampliar a conscientização sobre a epilepsia, uma das doenças neurológicas mais comuns no mundo. A mobilização reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso à informação e do combate ao estigma que ainda cerca a condição, que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia globalmente. No Brasil, estima-se que aproximadamente 2% da população conviva com a doença, o que evidencia a relevância de campanhas educativas e de prevenção.

A epilepsia é caracterizada por crises epilépticas recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Embora a forma mais conhecida seja a convulsiva, com perda de consciência e movimentos involuntários, há manifestações mais sutis que muitas vezes passam despercebidas. Episódios de “desligamento” do ambiente, movimentos repetitivos involuntários, sensações estranhas, como odores inexistentes e confusão súbita estão entre os sinais de alerta.

Segundo a neurologista Aline Vidal, as manifestações variam conforme a área cerebral afetada. Por isso, a repetição desses sinais deve levar à busca por avaliação médica especializada.

“Nem todas as crises envolvem convulsões. Existem episódios breves de ausência ou alterações sensoriais que podem dificultar o diagnóstico”, explica.

As causas da epilepsia são diversas e nem sempre identificáveis. Em muitos casos, especialmente na infância, trata-se de epilepsia idiopática, sem origem definida. No entanto, fatores como traumatismos cranianos, AVC, tumores, infecções do sistema nervoso como meningite e alterações genéticas podem estar associados ao desenvolvimento da doença.

O diagnóstico é feito principalmente com base na descrição clínica das crises, podendo ser complementado por exames. Apesar de não haver cura em todos os casos, a maioria dos pacientes consegue controlar as crises com o uso de medicamentos antiepilépticos, que reduzem a atividade elétrica anormal do cérebro.

A jornalista Cíntia Neves, hoje com 52 anos, conviveu com a epilepsia desde a adolescência. Inicialmente, os sintomas não eram convulsivos, o que atrasou o diagnóstico. Mesmo com tratamento, chegou a ter até sete crises em um único dia, especialmente em momentos de estresse.

“Eu ficava ausente, enrolava a fala e babava. Não caía, mas parecia fora do ar”, lembrou.

A virada aconteceu aos 30 anos, quando passou por uma cirurgia para retirada da área do cérebro onde as crises se originavam. O procedimento, indicado para casos que não respondem à medicação, mudou sua rotina.

“Minha vida mudou completamente. Hoje tenho uma vida praticamente normal”, disse.

Além da conscientização, a campanha também orienta sobre como agir diante de uma crise. A recomendação é manter a calma, deitar a pessoa de lado para evitar sufocamento, afastar objetos que possam causar ferimentos e proteger a cabeça até o fim do episódio. Não se deve tentar conter os movimentos, nem colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa.

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