O ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, está em negociações para fazer uma delação premiada com a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Ele foi preso em fevereiro, durante a operação Barco de Papel, por supostamente estar envolvido em um esquema de desvio de cerca de R$ 1 bilhão do fundo previdenciário estadual para o Banco Master, apesar dos alertas ignorados pela gestão do governador Claudio Castro (PL) e das suspeitas de irregularidades.
A possível colaboração de Antunes é vista como um ponto crucial nas investigações, pois pode esclarecer as decisões tomadas dentro do governo estadual e apontar responsabilidades políticas e administrativas.
Antes dos grandes investimentos, o governo estadual foi alertado sobre os riscos dessa operação. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), deputados estaduais e especialistas em mercado financeiro alertaram sobre problemas como a concentração de recursos em uma única instituição e a falta de garantias adequadas para o volume investido.
Mesmo com os alertas, a Rioprevidência continuou investindo no Banco Master, o que, de acordo com auditorias, vai contra princípios básicos de diversificação e segurança na gestão de fundos previdenciários.
Após identificar falhas graves, como a falta de estudos técnicos consistentes e mudanças nas normas internas que facilitaram as operações, o TCE determinou a suspensão de novos investimentos relacionados ao banco.
Antunes foi preso sob a suspeita de direcionar os recursos para o Banco Master. Há indícios de que as decisões internas tenham sido manipuladas para permitir os investimentos, e também de tentativa de destruição de provas após o início das investigações.
O STJ negou um pedido de habeas corpus para Antunes, destacando a presença de indícios de crimes e o risco de interferência nas investigações como justificativas para sua prisão preventiva.
O caso chegou ao STF devido à possível participação de autoridades com foro privilegiado. A expectativa é que a delação de Antunes possa esclarecer o fluxo das decisões e indicar se houve pressão política para viabilizar os investimentos. Investigadores acreditam que a colaboração pode atingir diferentes níveis da administração estadual, especialmente diante dos alertas prévios que foram ignorados.
