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Parada Gay é vetada como patrimônio cultural por vereadores conservadores

Com placar de 16 X 15, projeto que reconhecia a Parada do Orgulho LGBTQI+ como de interesse cultural, social e histórico da cidade foi derrubado após embate entre vereadores conservadores e liberais
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Amanda Clark

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ) rejeitou, por 16 votos a 15, o projeto de lei que pretendia reconhecer a Parada do Orgulho LGBTI+ de Copacabana como de interesse cultural, social e histórico da cidade. Com 31 votos de um total de 51 vereadores, a proposta foi arquivada após articulação da ala conservadora, liderada pelo vereador Rogério Amorim (PL), que reuniu apoio de parlamentares de diferentes partidos.

Além do PL, votaram contra a proposta vereadores de siglas como Podemos, Solidariedade, Republicanos, PRD, MDB, PSD e União Brasil, consolidando um bloco que uniu partidos de centro e direita em torno da rejeição do projeto. Do outro lado, parlamentares de esquerda e de perfil liberal defenderam o reconhecimento do evento, mas não conseguiram reverter o placar.

Protesto termina com retirada de manifestantes

A sessão foi marcada por tensão dentro e fora do plenário. Durante a votação, manifestantes que acompanhavam a discussão nas galerias protestaram a favor do projeto, o que levou à interrupção momentânea dos trabalhos.

O presidente da sessão, vereador Paulo Messina (PL), inicialmente pediu silêncio para dar continuidade à votação. No entanto, diante da continuidade dos protestos, especialmente durante a fala de Rogério Amorim, determinou a retirada dos manifestantes.

Seguranças da Câmara foram acionados e retiraram o grupo das galerias, em uma cena que acirrou ainda mais o clima de polarização no plenário.

Debate ideológico marca sessão

A discussão do projeto escancarou o embate entre conservadores e liberais na Casa. Vereadores contrários à proposta argumentaram que o reconhecimento institucional da parada seria inadequado e poderia abrir precedentes para outras iniciativas semelhantes.

Já os defensores sustentaram que o projeto não implicava gastos públicos, mas apenas o reconhecimento de um evento consolidado, com relevância social, cultural, turística e econômica para a cidade.

A autora da proposta, vereadora Monica Benício (PSOL), criticou a rejeição e classificou o resultado como reflexo de resistência a pautas de diversidade.

Histórico e dimensão do evento

Realizada na orla de Copacabana, a Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio se consolidou como um dos principais eventos do calendário da diversidade na cidade. Inspirada por manifestações que ganharam força no Brasil a partir dos anos 1990, a parada carioca expandiu sua dimensão ao longo dos anos 2000.

Com forte apelo popular, o evento reúne centenas de milhares de pessoas em suas edições mais recentes, entre moradores e turistas, movimentando a economia local, especialmente nos setores de turismo, hotelaria e serviços.

Além do caráter festivo, a parada também funciona como espaço de reivindicação política e visibilidade para a população LGBTI+, com discursos, apresentações e mobilizações ao longo do percurso.

Repercussão e próximos passos

A rejeição foi comemorada por parlamentares conservadores, que consideraram a decisão uma vitória contra o que classificam como “avanço de pautas identitárias” no Legislativo. Já movimentos sociais e representantes da comunidade LGBTI+ criticaram o resultado e a condução da sessão, especialmente a retirada dos manifestantes.

Nos bastidores, vereadores favoráveis à proposta já articulam a possibilidade de reapresentação do projeto, com ajustes, ou outras formas de garantir reconhecimento institucional ao evento.

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