A trajetória de um filme que sonha com a Academia
Rejane Faria, aos 65 anos, segue em ritmo acelerado na sétima arte brasileira. Após cruzar o tapete vermelho do 54º Festival de Cinema de Gramado na noite de terça-feira (18) para a exibição de seu novo projeto "Leite em pó", dirigido por Carlos Segundo, a atriz mineira já prepara as malas para dois dos mais prestigiados festivais cinematográficos do mundo. Nas próximas semanas, Faria viajará para Toronto, no Canadá, e San Sebastián, na Espanha, levando consigo "Vicentina pede desculpas", sua mais recente produção dirigida por Gabriel Martins.
O filme ganhou projeção internacional após sua seleção na mostra principal de Toronto, um dos termômetros mais importantes da temporada de premiação global. Esta visibilidade ressurge em um momento estratégico para o cinema brasileiro, que ficou ausente das seleções competitivas principais de Berlim, Cannes e Veneza durante o ano anterior, tornando "Vicentina pede desculpas" uma esperança renovada na corrida pelo Oscar de melhor filme internacional de 2027.
Esperança e realismo na busca pela estatueta dourada
Em conversa com o GLOBO durante o Festival de Gramado, Rejane Faria expressou otimismo equilibrado sobre as perspectivas do filme. A atriz destacou a importância estratégica dos próximos passos: "Vou para Toronto e para San Sebastián, que são dois festivais de grande importância nesta largada para a carreira do filme". Ela compartilhou também sua experiência anterior com "Marte um", outro projeto de Gabriel Martins que recebeu indicação como representante brasileiro para a Academia.
Faria reconheceu o caminho árduo que se segue: "Vivi a experiência de ser selecionado o representante do Brasil no Oscar e foi muito especial. Transitamos muito pelo mundo, mas infelizmente não conseguimos alcançar". Apesar disso, mantém esperança genuína. "Agora, 'Vicentina' vem com esta expectativa, mas vamos com o pé no chão. A partir desses festivais, o desejo é fazer uma caminhada bonita e sólida. Se resultar numa chegada no Oscar, vai ser maravilhoso".
O poder narrativo de 'Vicentina pede desculpas'
A produção, fruto da parceria entre Filmes de Plástico e Netflix, oferece uma narrativa profunda e emocionante que toca em temas universais de luto, responsabilidade e redenção. A história acompanha uma mãe que enfrenta a tragédia subsequente à morte de seu filho Wesley, que falece em um acidente de ônibus no qual era motorista. O conflito central intensifica-se quando evidências sugerem que a ação de Wesley poderia ter sido intencional.
Vicentina, então, embarca em uma jornada de coragem extraordinária para encontrar as famílias das vítimas e oferecer suas desculpas sinceras. Simultaneamente, é forçada a confrontar seu próprio luto e as maiores incertezas que atravessam sua existência. Esta narrativa complexa e sensível representa exatamente o tipo de cinema que ressoa nas principais premiações internacionais.
O comprometimento de Rejane Faria com o papel
A atriz não hesitou em demonstrar seu envolvimento profundo com o projeto. "É a história lindíssima de uma mulher de 75 anos que sofre um luto e diante dessa dor toma uma decisão inesperada", explicou Faria. Seu respeito pela narrativa e pela personagem foi evidente: "Me deu muito orgulho ser escolhida para fazer este projeto. Senti muita responsabilidade e o desejo de responder à altura. Me entreguei de corpo e alma".
Calendário importante para o cinema brasileiro
"Vicentina pede desculpas" chegará aos cinemas brasileiros ainda em 2026, oferecendo ao público a oportunidade de acompanhar essa história tocante. O grande momento para o cinema nacional será em 16 de setembro, quando a Academia Brasileira de Cinema anunciará o representante brasileiro na categoria de melhor filme internacional do Oscar. Esta data marca o ponto de virada em que esperanças se transformam em decisões oficiais, com potencial para abrir as portas da maior premiação cinematográfica do mundo para esta produção genuinamente brasileira.
