O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi libertado da prisão na tarde de hoje e fez duras críticas à condução da investigação que resultou em sua detenção. A soltura foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que revogou a prisão temporária decorrente da operação da Polícia Civil contra a estrutura financeira do Comando Vermelho. Salvino deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte.
Ao sair da prisão, o vereador afirmou que a decisão judicial confirmou suas alegações de injustiça. Ele também anunciou que buscará responsabilização pelos responsáveis pelo caso. Salvino Oliveira declarou: "Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que tão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados, e a gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram dessa maneira."
O desembargador responsável pela decisão de soltura considerou que os elementos reunidos até o momento não eram suficientes para manter a prisão do vereador. Ele ressaltou a fragilidade do material que ligava Salvino à organização criminosa investigada. Além disso, a menção ao político se baseava em uma conversa entre terceiros registrada há mais de um ano, não demonstrando consistentemente seu envolvimento.
Com a revogação da prisão temporária, Salvino Oliveira responderá em liberdade enquanto as investigações continuam. Entre as medidas cautelares impostas, o vereador não poderá deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem autorização judicial e está proibido de manter contato com outros investigados.
A defesa de Salvino Oliveira respondeu às acusações divulgadas pela Polícia Civil, contestando a falta de clareza nas acusações e a suposta inexistência de um Relatório de Inteligência Financeira mencionado no caso. Os advogados também refutaram as suspeitas de movimentações financeiras milionárias atribuídas ao vereador.
O caso gerou intensa repercussão política no Rio de Janeiro, destacando-se o conflito entre Eduardo Paes (PSD) e Cláudio Castro (PL), e afetou a Câmara Municipal do Rio, com críticas à forma como a prisão foi conduzida e à tentativa de associar a atuação parlamentar em favelas a atividades criminais.
Com a sua libertação, Salvino Oliveira retorna à sua liberdade em meio a uma investigação em andamento e a um ambiente político conturbado pelo caso.
