O regresso de Salvino Oliveira ao plenário da Câmara do Rio, nesta terça-feira (17), foi marcado por expectativa e emoção. Foi a primeira vez que o vereador do PSD discursou na tribuna desde a sua prisão na semana passada, durante uma operação da Polícia Civil que investiga a suposta ligação de agentes públicos com o Comando Vermelho. Liberado por meio de um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça do Rio, ele aproveitou a sessão para negar as acusações e expressar confiança na reversão do caso.
Durante o seu discurso, Salvino destacou que foi vítima de uma ação politizada e criticou severamente a atuação da polícia no episódio. Ele enfatizou: "Não é algo banal que um parlamentar seja preso por mensagens enviadas por outras pessoas. E eu, sinceramente, nunca imaginei passar por uma situação como essa. Jamais pensei em ver a nossa respeitável Polícia Civil sendo instrumentalizada por um grupo político e agindo da forma como agiu na minha residência. Eu deposito total confiança nas instituições e estou seguro, senhores vereadores, de que a minha inocência será comprovada", afirmou o vereador em plenário.
O pronunciamento repercutiu no Palácio Pedro Ernesto. Segundo relatos desta terça-feira, o parlamentar foi aplaudido por colegas de diversos espectros políticos, como Rafael Satiê, do PL, e recebeu abraços de figuras como Monica Benicio, Flávio Pato, Talita Galhardo, Tânia Bastos e Pastor Deangeles Percy.
Além da sua defesa política, Salvino Oliveira apresentou documentos durante a sessão. Ele exibiu uma cópia do seu extrato bancário para rebater a acusação de movimentação financeira atípica acima de R$ 100 mil, apontada pela investigação. De acordo com o vereador, a quantia tem origem em uma premiação internacional recebida para o desenvolvimento de um projeto até o final do ano. Ele explicou: "Trouxe uma cópia do meu extrato bancário, que posso entregar aos jornalistas, comprovando a origem do dinheiro: são R$ 117 mil provenientes de um prêmio recebido da ONU para a execução de um projeto até dezembro, quando devo prestar contas desse valor. Fico muito entristecido com tudo o que está ocorrendo, especialmente pela justificativa utilizada", afirmou.
No dia anterior, Salvino já havia afirmado publicamente que a quantia mencionada pela Polícia Civil estava relacionada a uma premiação ligada à Young Activists Summit, um evento realizado na ONU em Genebra, e não a transações suspeitas.
O vereador também utilizou a tribuna para rebater outro aspecto central da investigação: a suspeita de negociação de quiosques na Gardênia Azul com traficantes em troca de apoio eleitoral em 2024. Ele negou categoricamente as acusações. "Sei que irei provar a minha inocência. Quem está presente nesta casa, quem faz parte do meio político, sabe que nunca tive qualquer envolvimento com quiosques desde o início, muito menos com organizações criminosas. Estou otimista de que as instituições funcionarão adequadamente e que conseguirei demonstrar a minha inocência", declarou.
O retorno ao plenário ocorre poucos dias após uma sequência de decisões judiciais. Após a prisão, a detenção foi mantida em uma audiência na quinta-feira (12). No dia seguinte, entretanto, o TJRJ concedeu um habeas corpus e determinou a liberdade do parlamentar, que passou a responder ao processo em liberdade.
Com informações do portal Tempo Real.
