Estratégia política em torno da classificação de facções como terroristas
O ex-presidente Jair Bolsonaro orientou o senador Flávio Bolsonaro a explorar politicamente a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A orientação foi transmitida durante encontro realizado na manhã de sexta-feira no condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, conforme relatos de aliados ouvidos por fontes próximas ao assunto.
Reunião de prestação de contas da viagem a Washington
O encontro entre pai e filho, com duração aproximada de 30 minutos, ocorreu no dia seguinte ao retorno de Flávio dos Estados Unidos. A reunião funcionou como prestação de contas da viagem realizada a Washington naquela semana. Durante o encontro, o senador relatou detalhes da conversa mantida com o presidente americano Donald Trump, discutindo também os próximos passos da pré-campanha presidencial, a situação dos principais palanques estaduais e cenários para a disputa ao Senado no Rio de Janeiro.
Segundo interlocutores próximos ao ex-presidente, Flávio informou que Trump questionou sobre Bolsonaro, demonstrando interesse em sua situação atual e no momento vivido pelo ex-presidente. Bolsonaro avaliou positivamente o saldo da viagem, mostrando-se particularmente animado com a decisão americana envolvendo as duas maiores facções criminosas do país.
Segurança pública como estratégia de campanha
Na conversa, Bolsonaro defendeu que o filho explorasse politicamente o episódio, reforçando críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área de segurança pública. O ex-presidente considera este um dos temas mais favoráveis ao bolsonarismo e acredita que a medida adotada pelos Estados Unidos cria oportunidade para recolocar o debate político em terreno historicamente associado à direita.
A avaliação estratégica é oportuna, já que a pré-campanha de Flávio vinha sendo consumida pelos desdobramentos da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A pauta da segurança pública pode ajudar a reposicionar a campanha e recuperar protagonismo político necessário para consolidar a candidatura presidencial.
Impasses eleitorais e definição de candidaturas
Além da estratégia nacional, a conversa abordou um dos principais impasses enfrentados pelo grupo: a definição do representante do bolsonarismo na disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro. Com a desistência do governador Cláudio Castro, lideranças do PL passaram a discutir alternativas, incluindo os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy.
Bolsonaro manifestou avaliação de que Sóstenes chegaria mais preparado à disputa em razão da experiência acumulada na liderança do partido na Câmara dos Deputados e proximidade com a direção nacional do PL. Flávio ponderou que o parlamentar tem demonstrado resistência para aceitar a candidatura, enquanto Jordy continua sendo visto como um dos principais quadros eleitorais do bolsonarismo no estado, mantendo apoio de parcelas importantes da militância.
Negociações em estados estratégicos
Os dois discutiram a situação de outros estados considerados estratégicos para o projeto presidencial, incluindo Minas Gerais, onde o PL ensaia lançar candidatura própria e ofereceu a vaga de vice ao Republicanos. Uma nova conversa com Bolsonaro deverá ocorrer após a agenda de Flávio em Curitiba, ainda neste fim de semana.
O casal também conversou sobre lista de candidatos alinhados ao projeto político que Bolsonaro pretende divulgar nas próximas semanas como forma de demonstrar capilaridade nacional. A divulgação deve ocorrer assim que os principais impasses estaduais forem resolvidos, ainda no mês de junho, funcionando como tentativa de demonstrar musculatura nacional para a candidatura de Flávio.
