{"id":23784,"date":"2026-03-16T22:27:04","date_gmt":"2026-03-17T01:27:04","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/noticias\/aumento-do-uso-de-cogumelos-alucinogenos-disfarcados-de-produto-de-pesquisa-no-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2026-03-16T22:27:04","modified_gmt":"2026-03-17T01:27:04","slug":"aumento-do-uso-de-cogumelos-alucinogenos-disfarcados-de-produto-de-pesquisa-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/noticias\/aumento-do-uso-de-cogumelos-alucinogenos-disfarcados-de-produto-de-pesquisa-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Aumento do uso de cogumelos alucin\u00f3genos disfar\u00e7ados de &#8220;produto de pesquisa&#8221; no Rio de Janeiro."},"content":{"rendered":"<p>O consumo de cogumelos alucin\u00f3genos tem crescido no Rio de Janeiro, mesmo quando os produtos s\u00e3o vendidos com avisos expl\u00edcitos de que n\u00e3o devem ser ingeridos. Nas embalagens, \u00e9 comum encontrar a advert\u00eancia: \u201cProduto destinado a pesquisa e contraindicado ao consumo humano\u201d. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, o alerta n\u00e3o tem impedido o uso recreativo.<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o dos chamados \u201ccogumelos m\u00e1gicos\u201d, que cont\u00eam a subst\u00e2ncia psilocibina (presente em esp\u00e9cies como o Psilocybe cubensis) ocorre principalmente por meio de redes sociais, sites especializados em produtos naturais e pontos de venda informais.<\/p>\n<p>Entre os consumidores, o interesse est\u00e1 ligado \u00e0 busca por experi\u00eancias psicod\u00e9licas e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que o produto ocuparia uma zona cinzenta da legisla\u00e7\u00e3o. O analista de pesquisa Mathias Ribeiro, de 33 anos, afirma que passou a utilizar os cogumelos ap\u00f3s deixar de consumir maconha.<\/p>\n<p>Segundo ele, a mudan\u00e7a foi motivada tamb\u00e9m pela ideia de que o produto n\u00e3o estaria associado ao tr\u00e1fico de drogas. O consumo costuma ocorrer em encontros sociais e viagens, em que grupos experimentam coletivamente os fungos psicod\u00e9licos.<\/p>\n<p>Venda nas ruas evidencia lacuna jur\u00eddica<\/p>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o do produto tornou-se cada vez mais vis\u00edvel em \u00e1reas p\u00fablicas da cidade. Em locais movimentados, como parques e regi\u00f5es bo\u00eamias, an\u00fancios improvisados j\u00e1 chegaram a oferecer cogumelos alucin\u00f3genos ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>No Parque Guinle, em Laranjeiras, por exemplo, um cartaz chegou a divulgar a venda do produto. Durante o carnaval, ambulantes tamb\u00e9m passaram a oferecer os fungos ao lado de bebidas e doces alco\u00f3licos. O fen\u00f4meno ocorre em meio a uma lacuna jur\u00eddica que alimenta interpreta\u00e7\u00f5es divergentes sobre a legalidade do produto.<\/p>\n<p>Atualmente, a psilocibina (subst\u00e2ncia respons\u00e1vel pelo efeito alucin\u00f3geno) integra a lista de subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas proibidas pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). A produ\u00e7\u00e3o, a comercializa\u00e7\u00e3o e a manipula\u00e7\u00e3o do composto isolado s\u00e3o consideradas ilegais.<\/p>\n<p>Por outro lado, as esp\u00e9cies de cogumelos que cont\u00eam naturalmente essa subst\u00e2ncia n\u00e3o aparecem explicitamente na lista de plantas e fungos proibidos. Essa aus\u00eancia abre espa\u00e7o para interpreta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas distintas sobre o porte ou a venda do produto em estado natural, situa\u00e7\u00e3o que tem sido explorada por comerciantes.<\/p>\n<p>Especialistas alertam para riscos \u00e0 sa\u00fade<\/p>\n<p>Pesquisadores da \u00e1rea de qu\u00edmica e farmacologia alertam que o consumo sem controle pode trazer riscos importantes, especialmente no campo da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>A farmac\u00eautica Eliani Spinelli, do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que a psilocibina \u00e9 considerada uma subst\u00e2ncia proscrita e pode provocar altera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas intensas. Al\u00e9m da quest\u00e3o legal, ela destaca o perigo de confus\u00e3o entre esp\u00e9cies de cogumelos semelhantes, o que pode levar \u00e0 ingest\u00e3o de fungos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cExistem esp\u00e9cies visualmente parecidas que s\u00e3o altamente venenosas. A identifica\u00e7\u00e3o equivocada pode provocar intoxica\u00e7\u00f5es graves e at\u00e9 fatais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Especialistas tamb\u00e9m alertam para poss\u00edveis efeitos psicol\u00f3gicos prolongados. Embora os impactos f\u00edsicos sejam considerados leves em alguns casos, as altera\u00e7\u00f5es mentais podem ser profundas e, dependendo da condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do usu\u00e1rio, persistir por longos per\u00edodos.<\/p>\n<p>Pesquisas investigam potencial terap\u00eautico<\/p>\n<p>Apesar dos riscos e da proibi\u00e7\u00e3o legal da subst\u00e2ncia isolada, estudos cient\u00edficos t\u00eam retomado o interesse na psilocibina como poss\u00edvel ferramenta terap\u00eautica. Pesquisas internacionais analisam seu potencial no tratamento de transtornos mentais e depend\u00eancia qu\u00edmica. Um estudo publicado na revista cient\u00edfica JAMA Network Open aponta que a subst\u00e2ncia pode ajudar no tratamento do tabagismo.<\/p>\n<p>Dados do Instituto de Efetividade Cl\u00ednica e Sanit\u00e1ria indicam que o cigarro provoca cerca de 477 mortes por dia no Brasil, o que tem impulsionado o interesse por novas abordagens terap\u00eauticas. No pa\u00eds, pesquisadores acompanham o avan\u00e7o dessas investiga\u00e7\u00f5es. O N\u00facleo de Estudos em Uso de Drogas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) observa os resultados de estudos cl\u00ednicos internacionais e avalia poss\u00edveis pesquisas futuras dentro de protocolos cient\u00edficos rigorosos.<\/p>\n<p>Mercado informal e novos produtos preocupam autoridades<\/p>\n<p>Enquanto o debate cient\u00edfico avan\u00e7a, o mercado informal continua a se expandir. Iniciativas culturais tamb\u00e9m come\u00e7am a surgir na cidade.<\/p>\n<p>Um projeto em desenvolvimento na regi\u00e3o da Gamboa pretende criar uma \u201cCentral de Cogumelos\u201d, espa\u00e7o voltado para palestras, exposi\u00e7\u00f5es e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre fungos e sustentabilidade. A proposta inclui atividades educativas e culin\u00e1rias com esp\u00e9cies utilizadas na gastronomia, como shiitake e shimeji, e n\u00e3o descarta abordar cogumelos psicod\u00e9licos caso a legisla\u00e7\u00e3o permita.<\/p>\n<p>Paralelamente, autoridades sanit\u00e1rias monitoram a circula\u00e7\u00e3o de produtos derivados. Em 2025, o Sistema de Alerta R\u00e1pido sobre Drogas identificou no Brasil balas importadas com extratos de cogumelos contaminadas com um opioide sint\u00e9tico altamente t\u00f3xico.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio refor\u00e7ou o alerta sobre os riscos associados \u00e0 expans\u00e3o de um mercado ainda pouco regulado. Com a venda cada vez mais vis\u00edvel nas ruas e nas redes sociais, e a ci\u00eancia investigando poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas, os cogumelos alucin\u00f3genos passaram a ocupar espa\u00e7o crescente no debate p\u00fablico, especialmente diante da aus\u00eancia de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre sua comercializa\u00e7\u00e3o e consumo no pa\u00eds.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Venda do produto aumenta em redes sociais, bares e at\u00e9 nas ruas da cidade, apesar de avisos nas embalagens de que \u00e9 \u201ccontraindicado para consumo humano\u201d e da presen\u00e7a da subst\u00e2ncia psilocibina na lista de psicotr\u00f3picos proibidos pela Anvisa<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":23785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[269],"tags":[271,277,127],"class_list":["post-23784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-destaque","tag-rio-de-janeiro","tag-saude"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23784\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}