{"id":24599,"date":"2026-04-11T16:01:33","date_gmt":"2026-04-11T19:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/documentario-itacoatiaras-passado-indigena-niteroi-festival-espanha\/"},"modified":"2026-04-11T16:01:33","modified_gmt":"2026-04-11T19:01:33","slug":"documentario-itacoatiaras-passado-indigena-niteroi-festival-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/documentario-itacoatiaras-passado-indigena-niteroi-festival-espanha\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio Itacoatiaras Revela Passado Ind\u00edgena de Niter\u00f3i em Festival de Cinema Ambiental na Espanha"},"content":{"rendered":"<h2>Um Legado Ind\u00edgena Esquecido em Itacoatiara<\/h2>\n<p>Itacoatiara, uma das praias mais encantadoras de Niter\u00f3i localizada na Regi\u00e3o Oce\u00e2nica da cidade, guarda em seu nome e nas pedras ao longo da costa uma hist\u00f3ria ancestral que poucos visitantes conhecem. O termo, origin\u00e1rio do tupi-guarani, significa literalmente &#8220;pedra pintada, esculpida ou riscada&#8221;, revelando as marcas deixadas pelos povos origin\u00e1rios que habitaram a regi\u00e3o durante s\u00e9culos. Este importante patrim\u00f4nio cultural agora ganha destaque internacional atrav\u00e9s de um document\u00e1rio inovador que examina as profundezas hist\u00f3ricas deste lugar singular.<\/p>\n<h2>Itacoatiaras: Um Filme que Conecta Dois Mundos<\/h2>\n<p>O document\u00e1rio &#8220;Itacoatiaras&#8221; \u00e9 fruto da colabora\u00e7\u00e3o entre o cineasta amazonense S\u00e9rgio Andrade e a pesquisadora e artista fluminense Patricia Go\u00f9vea. A produ\u00e7\u00e3o estabelece um di\u00e1logo fascinante entre dois espa\u00e7os de mesmo nome: a Itacoatiara fluminense em Niter\u00f3i e a regi\u00e3o hom\u00f4nima localizada na \u00e1rea metropolitana de Manaus. Atrav\u00e9s de uma abordagem investigativa profunda, o filme explora como estas localidades compartilham n\u00e3o apenas denomina\u00e7\u00f5es id\u00eanticas, mas tamb\u00e9m uma heran\u00e7a de ancestralidade ind\u00edgena que foi sistematicamente apagada pela coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A narrativa do document\u00e1rio transcende a simples compara\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Ele revela as realidades e desafios contempor\u00e2neos distintos que cada Itacoatiara enfrenta, ao mesmo tempo que demonstra as liga\u00e7\u00f5es espirituais e hist\u00f3ricas que as unem. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o levanta quest\u00f5es cr\u00edticas sobre a fragilidade ambiental de ambos os territ\u00f3rios e a urg\u00eancia de sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>A Import\u00e2ncia da Preserva\u00e7\u00e3o Territorial e Arqueol\u00f3gica<\/h2>\n<p>Patricia Go\u00f9vea, que possui uma conex\u00e3o pessoal profunda com a Itacoatiara fluminense frequentada desde a inf\u00e2ncia e onde reside h\u00e1 tr\u00eas anos, enfatiza a import\u00e2ncia vital da preserva\u00e7\u00e3o destes s\u00edtios. &#8220;O filme mostra como os territ\u00f3rios s\u00e3o importantes para a gente, como precisamos defender os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, a nossa natureza, ou tudo vai acabar. Se a gente deixar \u00e0 merc\u00ea da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria tudo vai ser destru\u00eddo. A hist\u00f3ria do Rio de Janeiro \u00e9 de sucessivo apagamento&#8221;, destaca a diretora. Ao produzir o document\u00e1rio, Patricia conseguiu compreender o motivo pelo qual sempre sentiu uma profunda conex\u00e3o espiritual ao visitar Itacoatiara, um sentimento compartilhado por muitos frequentadores da praia.<\/p>\n<p>Segundo a diretora, o document\u00e1rio revela aspectos espirituais \u00fanicos do lugar: &#8220;O document\u00e1rio mostra que foi um lugar de passagem dos ancestrais. As pedras de Itacoatiara s\u00e3o lugares de conex\u00e3o com o sagrado, atrav\u00e9s dos povos origin\u00e1rios&#8221;. Esta perspectiva ressignifica a experi\u00eancia de estar naquele espa\u00e7o, transformando-o de simples balne\u00e1rio em um local de profundo significado cultural.<\/p>\n<h2>O Patrim\u00f4nio Ind\u00edgena de Niter\u00f3i<\/h2>\n<p>O escritor e jornalista Rafael Freitas da Silva, autor de &#8220;O Rio antes do Rio&#8221;, livro que serviu como base para as pesquisas do filme e que tamb\u00e9m participa da produ\u00e7\u00e3o, reafirma que a conex\u00e3o com a ancestralidade ind\u00edgena n\u00e3o se limita apenas a Itacoatiara. Niter\u00f3i inteira carrega este legado em sua geografia e nomenclatura. &#8220;H\u00e1 fontes hist\u00f3ricas que apontam Niter\u00f3i como uma antiga comunidade tupinamb\u00e1. A costa da cidade, interiores, lagoas e toda a \u00e1rea que vai at\u00e9 a Regi\u00e3o dos Lagos esteve sob dom\u00ednio total dos tupinamb\u00e1s durante pelo menos 2 mil anos. Ali eles criaram o que podemos chamar de civiliza\u00e7\u00e3o tupinamb\u00e1, com as aldeias e as estradas que as ligavam&#8221;, explica Rafael.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que os nomes de diversos bairros niteroienses t\u00eam origem ind\u00edgena, entre eles Pendotiba, Itaipua\u00e7u, Piratininga, Jurujuba e Icara\u00ed. Muitos frequentadores da cidade naturalizaram essas denomina\u00e7\u00f5es sem questionar suas origens milenares. Rafael prop\u00f5e uma interpreta\u00e7\u00e3o ainda mais profunda para o nome Itacoatiara: &#8220;Ita \u00e9 &#8216;pedra&#8217; e coatiara seria &#8216;riscada&#8217;. Mas essa segunda palavra tem muitos outros significados. Pode ser atribu\u00edda tamb\u00e9m a coisas feitas a m\u00e3o ou certas marcas. Minha hip\u00f3tese \u00e9 que Itacoatiara era um lugar de culto dos cara\u00edbas tupinamb\u00e1s, que tinham marcas espec\u00edficas nas pedras, que eles mostravam para os jesu\u00edtas, as marcas dos deuses que estavam \u00e0 beira-mar&#8221;.<\/p>\n<h2>Trajet\u00f3ria do Document\u00e1rio: De 2021 ao Reconhecimento Internacional<\/h2>\n<p>A jornada de &#8220;Itacoatiaras&#8221; come\u00e7ou em 2021, ainda durante o per\u00edodo de pandemia. A produ\u00e7\u00e3o enfrentou uma interrup\u00e7\u00e3o significativa de tr\u00eas anos devido a limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, mas foi retomada em 2024 e conclu\u00edda no primeiro semestre de 2025. Ap\u00f3s seu lan\u00e7amento no segundo semestre de 2024, o filme teve sua estreia mundial no Festival de Cinema Latino-americano de Estocolmo, na Su\u00e9cia, consolidando sua relev\u00e2ncia internacional.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o document\u00e1rio participou de importantes mostras e competi\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, incluindo o Festival do Rio do ano passado, onde foi exibido na Mostra COP 30. Este reconhecimento evidencia a import\u00e2ncia da obra para as discuss\u00f5es contempor\u00e2neas sobre patrim\u00f4nio, meio ambiente e justi\u00e7a hist\u00f3rica.<\/p>\n<h2>Participa\u00e7\u00e3o no Ecozine: Festival de Cinema Ambiental na Espanha<\/h2>\n<p>Atualmente, &#8220;Itacoatiaras&#8221; compete no festival Ecozine, um prestigiado evento internacional de cinema ambiental que ocorre em Zaragoza, na Espanha. Patricia Go\u00f9vea viajou para a Espanha para participar pessoalmente da mostra. Na competi\u00e7\u00e3o, o filme brasileiro disputa com outros sete longas-metragens de cineastas mundiais que exploram emerg\u00eancia clim\u00e1tica, meio ambiente e poss\u00edveis futuros sustent\u00e1veis. Patricia agradece o apoio oferecido pela embaixada do Brasil na Espanha e pelo Instituto Guimar\u00e3es Rosa, que tornaram esta participa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Na cidade de Zaragoza, ser\u00e3o realizadas duas sess\u00f5es seguidas de debates com o p\u00fablico. A primeira acontecer\u00e1 na segunda-feira \u00e0s 10h30 na Aula Magna da Faculdade de Filosofia e Letras, e a segunda ter\u00e7a-feira \u00e0s 20h na Filmoteca de Zaragoza. Para este semestre, a diretora planeja levar o document\u00e1rio para outros festivais de cinema ambiental, expandindo seu alcance e impacto na discuss\u00e3o global sobre preserva\u00e7\u00e3o ambiental e patrim\u00f4nio ind\u00edgena.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Document\u00e1rio &#8216;Itacoatiaras&#8217; investiga passado ind\u00edgena de Niter\u00f3i e compete em festival ambiental espanhol Ecozine em Zaragoza<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":24595,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-24599","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24599\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}