{"id":25886,"date":"2026-05-13T08:02:15","date_gmt":"2026-05-13T11:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/marcelo-gleiser-transumanismo-bilionarios-critica\/"},"modified":"2026-05-13T08:02:15","modified_gmt":"2026-05-13T11:02:15","slug":"marcelo-gleiser-transumanismo-bilionarios-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/marcelo-gleiser-transumanismo-bilionarios-critica\/","title":{"rendered":"Marcelo Gleiser critica sonhos transumanistas de bilion\u00e1rios: &#8216;Seriam c\u00f4micos se n\u00e3o fossem tr\u00e1gicos&#8217;"},"content":{"rendered":"<h2>O alerta de Marcelo Gleiser sobre o futuro da ci\u00eancia<\/h2>\n<p>O renomado f\u00edsico e best-seller brasileiro Marcelo Gleiser chega ao Brasil nesta semana para participar de apresenta\u00e7\u00f5es na S\u00e3o Paulo Innovation Week, trazendo consigo uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente: o futuro da ci\u00eancia imaginado pelas pessoas mais ricas e poderosas do mundo representa uma mistura perigosa de realidade delirante e vis\u00e3o dist\u00f3pica.<\/p>\n<p>Em cr\u00edtica contundente, Gleiser posiciona-se contra figuras como Peter Thiel, Jeff Bezos e Elon Musk, afirmando que seus sonhos transumanistas de imortalidade seriam c\u00f4micos se n\u00e3o fossem potencialmente tr\u00e1gicos. Para o cientista, \u00e9 particularmente preocupante que esses empres\u00e1rios tenham capturado o imagin\u00e1rio cient\u00edfico que antes era dom\u00ednio de cientistas e escritores como Carl Sagan e Isaac Asimov.<\/p>\n<h2>Transumanismo e a falsa promessa da imortalidade<\/h2>\n<p>Gleiser questiona profundamente a proposta transumanista de estender indefinidamente a vida humana atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de tecnologias no corpo. Esse conceito inclui ideias como a transfer\u00eancia da mente para m\u00e1quinas, o que supostamente tornaria os humanos imortais. Para o f\u00edsico, essa abordagem possui um car\u00e1ter quase vamp\u00edrico, exemplificado pelo empres\u00e1rio Bryan Johnson, que recebe transfus\u00f5es de sangue do filho em busca de um sangue mais jovem.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental levantada por Gleiser \u00e9: se coloniz\u00e1ssemos Marte, quantas pessoas realmente poderiam ir? Cem? Mil? Um milh\u00e3o? E o que aconteceria com os outros oito bilh\u00f5es de habitantes da Terra? Essa contradi\u00e7\u00e3o exp\u00f5e o vi\u00e9s colonialista e religioso subjacente a essas propostas, onde os bilion\u00e1rios se autoproclamam novos deuses oferecendo um para\u00edso celestial.<\/p>\n<h2>O risco da escravid\u00e3o digital e controle algor\u00edtmico<\/h2>\n<p>Durante sua apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, Gleiser pretende alertar sobre os perigos do que chama de escravid\u00e3o digital. Esse conceito refere-se \u00e0 forma como os algoritmos capturam nossa aten\u00e7\u00e3o, sugando-nos para um buraco negro de consumo infinito de conte\u00fado. Quanto mais voc\u00ea se aprofunda em um assunto espec\u00edfico, mais o algoritmo refor\u00e7a esse mesmo conte\u00fado, causando isolamento intelectual e social progressivo.<\/p>\n<p>Mais preocupante ainda \u00e9 a tentativa de estender esse controle para o \u00e2mbito emocional. Os bilion\u00e1rios agora prop\u00f5em que as pessoas possam se apaixonar por algoritmos, com m\u00e1quinas substituindo terapeutas e companhias humanas. Para Gleiser, essa \u00e9 uma ideia extremamente perigosa que desumaniza as rela\u00e7\u00f5es e aprofunda a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<h2>Impactos econ\u00f4micos e sociais da intelig\u00eancia artificial<\/h2>\n<p>O f\u00edsico tamb\u00e9m enfatiza os perigos econ\u00f4micos e sociais da depend\u00eancia de intelig\u00eancia artificial no mercado de trabalho. Essa depend\u00eancia pode levar a desemprego em massa e desigualdade econ\u00f4mica, especialmente quando controlada por alguns poucos bilion\u00e1rios com interesses pr\u00f3prios, n\u00e3o alinhados com o bem-estar geral da humanidade.<\/p>\n<h2>Artemis versus colonialismo espacial<\/h2>\n<p>Embora cr\u00edtico ao colonialismo espacial dos bilion\u00e1rios, Gleiser expressa entusiasmo genu\u00edno pelo programa Artemis, que visa retornar humanos \u00e0 Lua em 2028. Ele relata emo\u00e7\u00e3o ao presenciar astronautas orbitando a Lua e experimentando o fen\u00f4meno do p\u00f4r da Terra, uma experi\u00eancia transformadora que apenas dezesseis pessoas tiveram at\u00e9 agora. Esse aspecto po\u00e9tico da explora\u00e7\u00e3o espacial\u2014ver nosso planeta de forma diferente e compreender sua fragilidade\u2014diferencia-se fundamentalmente das motiva\u00e7\u00f5es comerciais dos bilion\u00e1rios, que buscam minera\u00e7\u00e3o espacial e turismo orbital.<\/p>\n<h2>A busca por vida em exoplanetas<\/h2>\n<p>Em pesquisa recente, Gleiser e seus coautores desenvolveram uma metodologia para identificar rapidamente planetas candidatos a abrigar vida. O m\u00e9todo envolve an\u00e1lise das atmosferas de exoplanetas, comparando sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com a terrestre. Com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e o futuro Extremely Large Telescope no Chile, essa pesquisa ser\u00e1 potencializada, permitindo investigar cerca de mil exoplanetas at\u00e9 2030.<\/p>\n<h2>O dilema do cientismo moderno<\/h2>\n<p>Gleiser articula uma preocupa\u00e7\u00e3o fundamental: a ci\u00eancia est\u00e1 sendo transformada em verdade absoluta e em substituta para divindade. Essa cren\u00e7a, que denomina cientismo, presume que a tecnologia pode resolver qualquer problema humano. Um exemplo pr\u00e1tico \u00e9 a falsa esperan\u00e7a de que tecnologias de sequestro de carbono podem resolver o aquecimento global sem necessidade de pol\u00edticas ambientais reais.<\/p>\n<p>Essa mentalidade m\u00edstica em torno da ci\u00eancia enfraquece-a, em vez de fortalec\u00ea-la. Para Gleiser, \u00e9 essencial reumanizar a ci\u00eancia, reconhecendo seus limites enquanto celebram-se suas realiza\u00e7\u00f5es genu\u00ednas, como a vacina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o lunar. A verdadeira defesa da ci\u00eancia passa por honestidade intelectual sobre suas incertezas e impossibilidades, n\u00e3o por promessas vazias de imortalidade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Gleiser critica transumanismo de bilion\u00e1rios, escravid\u00e3o digital e colonialismo espacial. Debate futuro da ci\u00eancia.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":25881,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-25886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}