{"id":26265,"date":"2026-05-28T08:01:35","date_gmt":"2026-05-28T11:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/javier-gomez-santander-casa-papel-fracasso-sucesso\/"},"modified":"2026-05-28T08:01:35","modified_gmt":"2026-05-28T11:01:35","slug":"javier-gomez-santander-casa-papel-fracasso-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/javier-gomez-santander-casa-papel-fracasso-sucesso\/","title":{"rendered":"Javier G\u00f3mez Santander: do fracasso ao sucesso global de &#8216;La Casa de Papel&#8217; e os desafios dos roteiristas"},"content":{"rendered":"<h2>A Jornada de &#8216;La Casa de Papel&#8217;: Do Cancelamento ao Fen\u00f4meno Global<\/h2>\n<p>Enquanto Javier G\u00f3mez Santander, chefe de roteiro e produtor-executivo da s\u00e9rie espanhola &#8216;La casa de papel&#8217;, percorre os corredores do Rio2C, evento criativo que ocorre na Cidade das Artes, uma curiosa ironia marca sua trajet\u00f3ria: a s\u00e9rie que hoje \u00e9 um dos maiores fen\u00f4menos do cat\u00e1logo da Netflix come\u00e7ou como um estrondoso fracasso. Durante sua participa\u00e7\u00e3o no painel &#8216;O valor da cria\u00e7\u00e3o&#8217;, ao lado da roteirista francesa No\u00e8mi Saglio e do brasileiro Cau\u00ea Laratta, Javier revelou os bastidores dessa transforma\u00e7\u00e3o surpreendente.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o foi inicialmente exibida pela emissora espanhola Antena 3, no in\u00edcio de 2017, dividida em duas partes que n\u00e3o alcan\u00e7aram os resultados esperados. O cancelamento parecia iminente, e a continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Professor, Berlim e seu ambicioso plano de assalto \u00e0 Casa da Moeda corria risco de nunca ser conclu\u00edda. No entanto, a Netflix adquiriu a s\u00e9rie para seu cat\u00e1logo global no final daquele ano, transformando completamente seu destino.<\/p>\n<h2>A Sorte Como Fator Determinante do Sucesso<\/h2>\n<p>Segundo Javier, essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi apenas resultado da qualidade da cria\u00e7\u00e3o, mas de um elemento crucial frequentemente subestimado: a sorte. <strong>&#8216;No nosso trabalho, por mais que voc\u00ea fa\u00e7a as coisas bem, sempre h\u00e1 uma grande incerteza de como vai funcionar&#8217;<\/strong>, afirmou durante conversa com o GLOBO. O roteirista ressaltou que, para ter sucesso no setor audiovisual, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas talento e dedica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m estar no lugar certo, no momento certo.<\/p>\n<p>Ironicamente, o p\u00fablico-alvo da s\u00e9rie havia abandonado a televis\u00e3o linear tradicional. <strong>Muitos amigos de Javier n\u00e3o assistiam &#8216;La casa de papel&#8217; na Antena 3 justamente porque preferiam plataformas de streaming<\/strong>. A narrativa de roubo e suspense se adaptou perfeitamente ao formato de binge-watching oferecido pela Netflix, criando as condi\u00e7\u00f5es ideais para seu fen\u00f4meno viral global.<\/p>\n<h2>A Recusa em Continuar: Encerramento Criativo<\/h2>\n<p>Hoje, enquanto o spin-off &#8216;Berlim e a Dama com Arminho&#8217; se destaca como a s\u00e9rie de l\u00edngua n\u00e3o inglesa mais vista globalmente na Netflix, Javier mant\u00e9m uma postura clara sobre seu envolvimento com o universo de &#8216;La casa de papel&#8217;. <strong>Ele n\u00e3o assistiu ao spin-off nem \u00e0 vers\u00e3o sul-coreana da produ\u00e7\u00e3o<\/strong>, preferindo encerrar seu envolvimento criativo ap\u00f3s a conclus\u00e3o da quinta temporada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de cinco anos dedicados \u00e0 hist\u00f3ria do maior assalto da hist\u00f3ria da Espanha, Javier sentiu que seu trabalho estava completo. A exaust\u00e3o criativa o levou a n\u00e3o querer explorar novos personagens, spin-offs ou poss\u00edveis continua\u00e7\u00f5es. Essa decis\u00e3o contrasta com as pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas de expandir universos narrativos indefinidamente, demonstrando uma escolha art\u00edstica deliberada sobre quando encerrar uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<h2>Disparidades nos Direitos Autorais: Brasil vs. Europa<\/h2>\n<p>Uma quest\u00e3o importante levantada por Javier durante o Rio2C refere-se \u00e0s diferen\u00e7as significativas na prote\u00e7\u00e3o dos direitos autorais entre pa\u00edses. Apesar do sucesso monumental de &#8216;La casa de papel&#8217; no Brasil, <strong>Javier n\u00e3o recebe pagamentos recorrentes cada vez que a s\u00e9rie \u00e9 exibida na plataforma brasileira<\/strong>, diferentemente do que ocorre em seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>No modelo audiovisual espanhol e europeu, roteiristas recebem <strong>residuals<\/strong>, compensa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas pela reexibi\u00e7\u00e3o de suas obras. No Brasil, por\u00e9m, o sistema opera de forma fundamentalmente diferente. Os criadores assinam uma cess\u00e3o de direitos com pagamento fixo durante o desenvolvimento do roteiro, mas o mercado nacional n\u00e3o prev\u00ea, de forma estruturada, o pagamento recorrente a cada reexibi\u00e7\u00e3o, independentemente da plataforma utilizada.<\/p>\n<h2>Cr\u00edtica ao Tratamento Injusto dos Roteiristas Brasileiros<\/h2>\n<p>Javier n\u00e3o poupou cr\u00edticas a essa disparidade. <strong>&#8216;O verdadeiro problema \u00e9 que os roteiristas brasileiros n\u00e3o recebem os direitos do mercado nacional, que deveria cuidar deles&#8217;<\/strong>, afirmou o criador espanhol. Ele considerou o Brasil como um dos mercados mais importantes do mundo cinematogr\u00e1fico e audiovisual, justamente por ser o \u00fanico que trata seus criadores de forma t\u00e3o injusta quando se trata de compensa\u00e7\u00e3o por sucesso.<\/p>\n<p>Atualmente, a Fran\u00e7a \u00e9 o pa\u00eds do qual Javier mais recebe compensa\u00e7\u00f5es por direitos autorais. A Uni\u00e3o Europeia enfrenta debates intensos sobre direitos autorais, mas mant\u00e9m estruturas de prote\u00e7\u00e3o mais robustas para criadores. <strong>Javier caracteriza a luta por direitos autorais como um conflito entre pessoas com poder na ind\u00fastria e criadores, que s\u00e3o muito menores em termos de poder de negocia\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<h2>Inspira\u00e7\u00e3o Criativa Brasileira e Novos Projetos<\/h2>\n<p>Apesar das cr\u00edticas ao sistema de direitos autorais no Brasil, Javier expressa admira\u00e7\u00e3o genu\u00edna pela narrativa brasileira, especialmente no g\u00eanero de hist\u00f3rias criminais. <strong>Os brasileiros conquistam uma verdade particular no contar hist\u00f3rias do mundo do crime<\/strong>, diferente do espet\u00e1culo visual que caracterizou &#8216;La casa de papel&#8217;.<\/p>\n<p>Entre suas s\u00e9ries favoritas est\u00e3o &#8216;Dom&#8217;, &#8216;Impuros&#8217; e &#8216;Irmandade&#8217;, todas produ\u00e7\u00f5es que exploram narrativas brasileiras complexas. Essa admira\u00e7\u00e3o traduz-se em seus projetos atuais: Javier est\u00e1 \u00e0 frente de tr\u00eas produ\u00e7\u00f5es confidenciais em M\u00e9xico, Espanha e Argentina, investindo no g\u00eanero de &#8216;baseado em fatos reais&#8217;.<\/p>\n<p>Suas abordagens criativas s\u00e3o influenciadas por sua experi\u00eancia anterior como jornalista de televis\u00e3o. <strong>&#8216;Investigamos algo como jornalistas e constru\u00edmos como roteiristas, mas de forma ficcional&#8217;<\/strong>, resume sua metodologia. Essa fus\u00e3o entre apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica rigorosa e narrativa ficcional promete continuar marcando sua carreira nos pr\u00f3ximos projetos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Javier G\u00f3mez Santander, criador de &#8216;La Casa de Papel&#8217;, revela o fracasso que precedeu o sucesso e critica direitos autorais no Brasil.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":26259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}