{"id":26395,"date":"2026-05-31T12:01:16","date_gmt":"2026-05-31T15:01:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/intolleranza-1960-opera-luigi-nono-municipal-sao-paulo\/"},"modified":"2026-05-31T12:01:16","modified_gmt":"2026-05-31T15:01:16","slug":"intolleranza-1960-opera-luigi-nono-municipal-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/noticias\/intolleranza-1960-opera-luigi-nono-municipal-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Intolleranza 1960: \u00d3pera In\u00e9dita de Luigi Nono Chega ao Municipal de SP com Centena de Artistas"},"content":{"rendered":"<h2>Uma Colabora\u00e7\u00e3o de 25 Anos Culmina em Montagem Oper\u00edstica Inovadora<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas de parcerias criativas que transitam entre o samba, as artes visuais e o cinema, os artistas Nuno Ramos e Eduardo Climachauska finalmente realizam seu grande projeto oper\u00edstico: a montagem de &#8220;Intolleranza 1960&#8221;, composi\u00e7\u00e3o do maestro italiano Luigi Nono (1924-1990). A produ\u00e7\u00e3o marca um novo patamar na trajet\u00f3ria art\u00edstica da dupla, que j\u00e1 surpreendeu o p\u00fablico com propostas audaciosas, como motoqueiros em globos da morte dentro de galerias de arte e concertos orquestrais inspirados no cl\u00e1ssico de Glauber Rocha.<\/p>\n<h2>Uma Narrativa Sobre Desastres e Resist\u00eancia Humana<\/h2>\n<p>A \u00f3pera, apresentada no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo entre 29 de maio e 6 de junho, retrata um mundo devastado pelas consequ\u00eancias da Segunda Guerra Mundial. O protagonista, identificado apenas como &#8220;Um imigrante&#8221;, vivencia as contradi\u00e7\u00f5es de sua \u00e9poca: o trauma at\u00f4mico, revoltas trabalhistas e a viol\u00eancia estatal. A montagem apresenta figuras sinistras, aparentemente oficiais de seguran\u00e7a equipados com c\u00e2meras que descem do teto por cabos de a\u00e7o, criando uma atmosfera opressiva e relevante para os tempos atuais.<\/p>\n<p><strong>Nuno Ramos destaca a contemporaneidade do trabalho:<\/strong> &#8220;Essa hist\u00f3ria parece uma carta ao nosso tempo, existe a quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, tem a viol\u00eancia do estado. Tem at\u00e9 a quest\u00e3o at\u00f4mica que est\u00e1 voltando&#8221;. A dire\u00e7\u00e3o toma uma abordagem \u00fanica ao posicionar a narrativa em um momento &#8220;ap\u00f3s o desastre&#8221;, evitando encena\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas de tortura e permitindo que a viol\u00eancia emerja como relato testemunhal.<\/p>\n<h2>Simbolismo e Inova\u00e7\u00e3o Cenogr\u00e1fica<\/h2>\n<p>Uma das decis\u00f5es mais significativas da montagem envolve a recria\u00e7\u00e3o da c\u00fapula do Memorial da Paz de Hiroshima, aquela estrutura met\u00e1lica que sobreviveu ao bombardeio at\u00f4mico de 1945. Este elemento central divide o palco e serve como suporte para cenas que recriam gravuras do pintor Francisco de Goya, evidenciando a crueza da guerra. Posteriormente, a mesma estrutura sustenta uma centena de cubos de gelo, simbolizando a for\u00e7a bruta da natureza contra a humanidade.<\/p>\n<p>O trabalho incorpora inova\u00e7\u00f5es que foram revolucion\u00e1rias at\u00e9 mesmo na \u00e9poca da composi\u00e7\u00e3o original: proje\u00e7\u00f5es c\u00eanicas, sons gravados e movimenta\u00e7\u00f5es coreografadas que expandem os limites tradicionais do palco.<\/p>\n<h2>Uma Produ\u00e7\u00e3o de Escala \u00c9pica com Mais de Uma Centena de Artistas<\/h2>\n<p>A montagem re\u00fane <strong>80 componentes do Coro L\u00edrico Municipal, 16 bailarinos e cinco solistas<\/strong>, totalizando mais de uma centena de artistas em cena simultaneamente. A complexidade aumenta quando consideramos que o elenco de dan\u00e7a n\u00e3o se limita ao palco, mas tamb\u00e9m utiliza uma rampa constru\u00edda desde o corredor central da plateia at\u00e9 a boca do fosso, onde a maestrina Priscila Bomfim rege a orquestra.<\/p>\n<p>O core\u00f3grafo Alejandro Ahmed explica a l\u00f3gica dos movimentos: cada solista possui um &#8220;fantasma&#8221; \u2014 bailarino posicionado imediatamente ao seu lado \u2014 e um &#8220;contra-fantasma&#8221; localizado na rampa. Esta triangula\u00e7\u00e3o de movimentos segue um conceito de &#8220;modo fantoche&#8221;, onde as figuras fazem movimentos correspondentes sem repeti\u00e7\u00e3o exata, criando uma linguagem visual \u00fanica.<\/p>\n<h2>Encerramento de Uma Era no Theatro Municipal<\/h2>\n<p>&#8220;Intolleranza 1960&#8221; representa o \u00faltimo trabalho produzido pela Sustenidos sob sua gest\u00e3o do Theatro Municipal. O contrato da organiza\u00e7\u00e3o social encerra no final de junho, cedendo espa\u00e7o para o Instituto Baccarelli, que administrar\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3ximos cinco anos em acordo avaliado em R$ 663 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar de um incidente anterior envolvendo um funcion\u00e1rio da Sustenidos e pol\u00eamica nas redes sociais, a organiza\u00e7\u00e3o manteve-se \u00e0 frente da gest\u00e3o at\u00e9 o t\u00e9rmino contratual, participando novamente do processo de concorr\u00eancia, ainda que tenha perdido para seu sucessor.<\/p>\n<h2>Uma Temporada Breve, Mas com Legado Digital<\/h2>\n<p>Climachauska e Ramos expressam apenas um lamento: a brevidade da temporada de duas semanas. &#8220;Podia durar mais. (Por vezes) A pot\u00eancia do que \u00e9 criado parece que \u00e9 maior do que o modo que (esse trabalho) \u00e9 assimilado&#8221;, reflete Nuno, que gostaria de ver a produ\u00e7\u00e3o ganhar forma em outros circuitos e se institucionalizar.<\/p>\n<p>Felizmente, existe uma perspectiva de continuidade: a grava\u00e7\u00e3o completa da \u00f3pera permanecer\u00e1 dispon\u00edvel no canal YouTube do Theatro Municipal por um ano, permitindo que p\u00fablicos distantes tamb\u00e9m acessem esta montagem hist\u00f3rica que une a genialidade de Nono com a vis\u00e3o contempor\u00e2nea de dois dos principais artistas brasileiros.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intolleranza 1960 chega ao Municipal de SP com centena de artistas. \u00d3pera de Luigi Nono dirigida por Nuno Ramos e Eduardo Climachauska. De 29 de maio a 6 de junho.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":26391,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[269],"tags":[],"class_list":["post-26395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}