{"id":26663,"date":"2026-06-07T16:01:06","date_gmt":"2026-06-07T19:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/as-copas-nelson-rodrigues-cronicas-futebol-brasileiro\/"},"modified":"2026-06-07T16:01:06","modified_gmt":"2026-06-07T19:01:06","slug":"as-copas-nelson-rodrigues-cronicas-futebol-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/noticias\/as-copas-nelson-rodrigues-cronicas-futebol-brasileiro\/","title":{"rendered":"As Copas de Nelson Rodrigues: Cr\u00f4nicas Imortais do Futebol Brasileiro em Novo Livro"},"content":{"rendered":"<h2>A Paix\u00e3o de Nelson Rodrigues pelo Futebol Brasileiro<\/h2>\n<p>Nelson Rodrigues, conhecido como o &#8220;anjo pornogr\u00e1fico&#8221; da literatura brasileira, revolucionou a forma como o jornalismo esportivo era praticado no Brasil. Sua incurs\u00e3o no mundo do futebol come\u00e7ou de forma org\u00e2nica, atrav\u00e9s de sua coluna &#8220;A vida como ela \u00e9&#8221; no jornal \u00daltima Hora, dedicada inicialmente ao drama humano. A motiva\u00e7\u00e3o para escrever sobre esportes veio ap\u00f3s o traum\u00e1tico resultado da Copa da Su\u00ed\u00e7a em 1954, quando a sele\u00e7\u00e3o brasileira perdeu de 4 a 2 para a Hungria nas quartas de final, em um confronto violent\u00edssimo que ficou eternizado como a &#8220;Batalha de Berna&#8221;.<\/p>\n<p>No ano seguinte, em 1955, Nelson Rodrigues lan\u00e7ou a coluna &#8220;Meu personagem da semana&#8221; na Manchete Esportiva, que posteriormente migrou para o \u00daltima Hora e depois para o GLOBO. Com sua verve inigual\u00e1vel e capacidade narrativa incompar\u00e1vel, o cronista comentava jogos com paix\u00e3o, exaltava o futebol-arte como express\u00e3o mais bem-acabada da nacionalidade brasileira e combatia ferozmente o que ele chamava de &#8220;complexo de vira-lata&#8221;, manifesta\u00e7\u00e3o do &#8220;velho e sinistro derrotismo brasileiro&#8221;.<\/p>\n<h2>Resgate Hist\u00f3rico de 150 Colunas Imortais<\/h2>\n<p>O pesquisador Caco Coelho realizou um trabalho monumental ao resgatar 150 dos textos mais memor\u00e1veis de Nelson Rodrigues sobre futebol na obra &#8220;As Copas de Nelson Rodrigues&#8221;, publicada em tr\u00eas volumes que re\u00fanem colunas escritas entre 1958 e 1970. Das 120 colunas que foram originalmente publicadas no GLOBO, todas agora saem em livro acompanhadas pelas ilustra\u00e7\u00f5es originais de Marcelo Monteiro, funcion\u00e1rio mais antigo do jornal que, aos 91 anos, segue trabalhando na prancheta at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es de Marcelo Monteiro, que acompanharam as colunas quando foram publicadas originalmente, conferem uma dimens\u00e3o visual \u00fanica a esta compila\u00e7\u00e3o. Uma delas, publicada em 4 de julho de 1970, exemplifica perfeitamente a sintonia entre o texto de Nelson e a arte visual que o complementava.<\/p>\n<h2>Temas Recorrentes: Do Derrotismo \u00e0 Gl\u00f3ria<\/h2>\n<p>Nas cr\u00f4nicas de Nelson Rodrigues sobre futebol, encontram-se reflex\u00f5es profundas sobre a identidade brasileira. O cronista frequentemente discutia como o esporte representava uma transforma\u00e7\u00e3o do brasileiro, passando de um povo marcado pelo derrotismo para um que podia se orgulhar de suas conquistas. Ele via no futebol muito mais que um jogo: via uma express\u00e3o da alma nacional, uma forma pela qual o Brasil podia compensar suas inseguran\u00e7as coletivas.<\/p>\n<p>Suas palavras sobre a Copa de 1958 ilustram bem essa perspectiva: &#8220;A derrota! Atrav\u00e9s de quase quinhentos anos, o brasileiro acordou derrotado e dormiu derrotado&#8221;. Mas ap\u00f3s a vit\u00f3ria na Su\u00e9cia, tudo mudou. Nelson vislumbrava um novo brasileiro, um que podia finalmente erguer a cabe\u00e7a e se orgulhar de sua nacionalidade.<\/p>\n<h2>Pel\u00e9: O G\u00eanio Multiplicado<\/h2>\n<p>Uma das figuras mais recorrentes nas cr\u00f4nicas de Nelson Rodrigues \u00e9 Pel\u00e9, para quem dedicou p\u00e1ginas memor\u00e1veis. O cronista descrevia o craque com admira\u00e7\u00e3o quase religiosa, elevando-o a um patamar pr\u00f3ximo \u00e0 divindade. Quando Pel\u00e9 marcava, especialmente em seus gols mais espetaculares, Nelson transformava a narrativa em poesia, em um registro quase sagrado do que era testemunhar a genialidade em campo.<\/p>\n<p>A capacidade de Nelson de transformar um simples lance de futebol em reflex\u00e3o profunda sobre a condi\u00e7\u00e3o humana e a identidade nacional \u00e9 marca registrada de seu trabalho como cronista esportivo. Ele entendia que futebol era, para o brasileiro, muito mais que divers\u00e3o: era catarse coletiva, era esperan\u00e7a, era reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Lan\u00e7amento da Obra e Legado<\/h2>\n<p>O lan\u00e7amento de &#8220;As Copas de Nelson Rodrigues&#8221; aconteceu no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, consolidando a import\u00e2ncia dessa compila\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria da literatura e do jornalismo brasileiros. A organiza\u00e7\u00e3o de Caco Coelho, a editora Nova Fronteira e a qualidade da edi\u00e7\u00e3o de 632 p\u00e1ginas transformam esta obra em volume essencial para compreender tanto a hist\u00f3ria do futebol quanto a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento sobre a identidade brasileira no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>O legado de Nelson Rodrigues como cronista esportivo continua influenciando gera\u00e7\u00f5es de jornalistas e escritores brasileiros, provando que grandes talentos liter\u00e1rios podem encontrar sua voz mais aut\u00eantica justamente quando abordam temas que tocam o cora\u00e7\u00e3o popular, como o futebol.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Copas de Nelson Rodrigues re\u00fane 150 cr\u00f4nicas do genial escritor sobre futebol. Conhe\u00e7a a paix\u00e3o do anjo pornogr\u00e1fico pela sele\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":26658,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[269],"tags":[],"class_list":["post-26663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26663\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26658"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}