{"id":26971,"date":"2026-06-14T16:00:41","date_gmt":"2026-06-14T19:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/funk-carioca-berlim-baile-cria-cultura-brasileira\/"},"modified":"2026-06-14T16:00:41","modified_gmt":"2026-06-14T19:00:41","slug":"funk-carioca-berlim-baile-cria-cultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/funk-carioca-berlim-baile-cria-cultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Funk carioca conquista pistas de dan\u00e7a em Berlim: cultura brasileira invade capital alem\u00e3"},"content":{"rendered":"<h2>O som do Rio de Janeiro ecoa pelas ruas de Berlim<\/h2>\n<p>Com term\u00f4metros marcando 28\u00b0C em uma tarde de s\u00e1bado, a cervejaria Berliner Berg, localizada em Neuk\u00f6lln na zona sudoeste de Berlim, se transformou em um reduto da cultura funkeira carioca. Na \u00e1rea externa, com pista de areia e ambiente praiano, pessoas de diferentes nacionalidades dan\u00e7avam ao som do batid\u00e3o inconfund\u00edvel que saiu das comunidades do Rio de Janeiro. De Bonde do Tigr\u00e3o a 150 BPM, o funk carioca conquistava novos adeptos na capital alem\u00e3.<\/p>\n<h2>Baile Cria: levando o funk para a Europa<\/h2>\n<p>Por tr\u00e1s dessa miss\u00e3o cultural est\u00e1 o projeto Baile Cria, fundado pelo designer e produtor cultural Ricardo Cort\u00eas, de 41 anos, natural da Ilha do Governador. O coletivo re\u00fane DJs cariocas dedicados a espalhar a cultura funkeira em Berlim atrav\u00e9s de festas tem\u00e1ticas e eventos culturais. H\u00e1 mais de quatro anos, Ricardo e sua equipe organizam eventos de funk e afrofunk na cidade alem\u00e3, come\u00e7ando com projetos como Samba de Sarjeta em 2022 e Maloca em 2023.<\/p>\n<p>O projeto Baile Cria nasceu oficialmente em abril deste ano, consolidando uma iniciativa que vai muito al\u00e9m de simplesmente tocar m\u00fasicas brasileiras. <strong>A proposta \u00e9 disseminar a cultura do funk em novos contextos, reconhecendo-a n\u00e3o como mero produto de exporta\u00e7\u00e3o, mas como uma pot\u00eancia cultural genu\u00edna<\/strong>. Ricardo, conhecido profissionalmente como DJ MDZN (sigla para Maloca da Zona Norte), explica que o objetivo \u00e9 contar a hist\u00f3ria do funk para europeus, dando dignidade aos criadores dessa m\u00fasica e aos territ\u00f3rios de onde ela emergiu.<\/p>\n<h2>Receptividade e surpresas na pista de dan\u00e7a<\/h2>\n<p>Durante o evento em quest\u00e3o, a programa\u00e7\u00e3o musical variava entre amapiano, eletr\u00f4nico sul-africano, afrohouse e pop. Por\u00e9m, quando o funk come\u00e7ava a tocar, a energia da pista mudava completamente. As pessoas oscilavam entre a curiosidade e o fasc\u00ednio, tentando compreender os movimentos caracter\u00edsticos do estilo. Um momento memor\u00e1vel foi protagonizado por Douglas Oliveira, dan\u00e7arino niteroiense de 30 anos que mora na Alemanha e visitava Berlim. Ele caprichou no passinho, gerando surpresa entre os presentes ao demonstrar os movimentos aut\u00eanticos do funk carioca.<\/p>\n<p>As amigas Calli M\u00fcller, 26 anos, e Yenne Strauss, 25 anos, tamb\u00e9m participavam da festa com entusiasmo. Ambas buscavam algo diferente da m\u00fasica techno, que domina a cena de boates em Berlim. <strong>Para elas, o funk representa uma express\u00e3o muito mais alegre e amig\u00e1vel, com uma energia que convida \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas<\/strong>. Enquanto a m\u00fasica techno tende a ser mais introspectiva e s\u00e9ria, o funk oferece uma experi\u00eancia coletiva de divers\u00e3o e compartilhamento.<\/p>\n<h2>Uma trajet\u00f3ria de transforma\u00e7\u00e3o pessoal<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria de Ricardo Cort\u00eas em Berlim come\u00e7ou em 2012, quando ele viajava de mochil\u00e3o pela Europa e se encantou com a capital alem\u00e3. Na \u00e9poca, trabalhava como desenvolvedor de TI, profiss\u00e3o que exerceu at\u00e9 2022. Ap\u00f3s uma longa jornada profissional em \u00e1reas diferentes, Ricardo finalmente conseguiu viver exclusivamente fazendo cultura brasileira na Alemanha, reunindo gradualmente outros DJs cariocas para integrar seu projeto.<\/p>\n<p>Entre seus colaboradores est\u00e1 Ang\u00e9lica Xavier, de 35 anos, conhecida como DJ Yandra Furiosa e nascida em Santa Teresa. Morando na Alemanha h\u00e1 quatro anos, ela enxerga seu trabalho com funk em Berlim como uma miss\u00e3o diplom\u00e1tica de grande import\u00e2ncia. <strong>Para Ang\u00e9lica, o funk nasceu em um lugar de poucos recursos materiais mas de imenso potencial cultural, representando muito mais que m\u00fasica: \u00e9 identidade, sobreviv\u00eancia e criatividade<\/strong>.<\/p>\n<h2>Funk como express\u00e3o cultural aut\u00eantica<\/h2>\n<p>O que diferencia a iniciativa do Baile Cria \u00e9 a compreens\u00e3o profunda de que o funk \u00e9 uma express\u00e3o cultural leg\u00edtima e poderosa. N\u00e3o se trata simplesmente de exportar produto musical, mas de compartilhar uma forma de estar no mundo, de resist\u00eancia, criatividade e comunidade. Os DJs cariocas em Berlim trabalham para garantir que as hist\u00f3rias por tr\u00e1s dessa m\u00fasica sejam contadas, que o contexto social e cultural seja respeitado, e que os criadores recebam o reconhecimento merecido.<\/p>\n<p>Esse trabalho de dissemina\u00e7\u00e3o cultural em Berlim demonstra como o funk transcende fronteiras geogr\u00e1ficas e culturais, encontrando resson\u00e2ncia em pessoas de diferentes origens que buscam express\u00e3o aut\u00eantica e conex\u00e3o comunit\u00e1ria atrav\u00e9s da m\u00fasica e da dan\u00e7a.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funk carioca conquista Berlim com projeto Baile Cria. DJs do Rio levam cultura brasileira \u00e0 Alemanha em festas de dan\u00e7a.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":26967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}