{"id":27006,"date":"2026-06-15T08:00:52","date_gmt":"2026-06-15T11:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/tehrangeles-comunidade-iraniana-usa-copa-mundo-protestar\/"},"modified":"2026-06-15T08:00:52","modified_gmt":"2026-06-15T11:00:52","slug":"tehrangeles-comunidade-iraniana-usa-copa-mundo-protestar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/tehrangeles-comunidade-iraniana-usa-copa-mundo-protestar\/","title":{"rendered":"Tehrangeles: Como a comunidade iraniana em Los Angeles usa a Copa do Mundo para protestar contra o regime"},"content":{"rendered":"<h2>A mobiliza\u00e7\u00e3o de iranianos nos EUA durante a Copa do Mundo<\/h2>\n<p>Tehrangeles, o apelido carinhoso dado \u00e0 regi\u00e3o de Westwood em Los Angeles, abriga a maior comunidade iraniana fora do Ir\u00e3, com aproximadamente 500 mil pessoas. Neste momento hist\u00f3rico, essa comunidade se mobiliza de forma sem precedentes para usar a Copa do Mundo como plataforma de protesto contra o regime teocr\u00e1tico iraniano. O eletricista Orang, que deixou o Ir\u00e3 h\u00e1 mais de vinte anos em busca de uma vida livre, lidera esfor\u00e7os ao lado de seus conterr\u00e2neos para transformar o torneio esportivo em um ve\u00edculo de mudan\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n<h2>A estrat\u00e9gia de protesto nas arquibancadas<\/h2>\n<p>Na v\u00e9spera da estreia iraniana contra a Nova Zel\u00e2ndia no SoFi Stadium, ativistas se reuniram em Westwood para distribuir camisas e bandeiras iranianas modificadas a torcedores. A estrat\u00e9gia \u00e9 ousada e carrega riscos significativos: utilizam a vers\u00e3o antiga da bandeira iraniana, anterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica de 1979, que exibe o le\u00e3o e o sol no centro. Este s\u00edmbolo est\u00e1 explicitamente vetado pela <strong>Fifa<\/strong>, que tenta manter o torneio livre de manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Apesar das restri\u00e7\u00f5es e dos riscos envolvidos, os ativistas prometem levar o s\u00edmbolo \u00e0s arquibancadas. Sherry, uma comerciante que vive nos EUA desde 1995, afirma estar determinada a balan\u00e7ar a bandeira verdadeira atr\u00e1s do gol, mesmo que isso signifique desafiar as autoridades do torneio. Para ela e para muitos como ela, o futebol deixa de ser apenas esporte e se torna um instrumento leg\u00edtimo de resist\u00eancia.<\/p>\n<h2>O contexto geopol\u00edtico que permeia o torneio<\/h2>\n<p>Dissociar a participa\u00e7\u00e3o iraniana neste Mundial do contexto geopol\u00edtico atual \u00e9 tarefa imposs\u00edvel. Em fevereiro, ataques a\u00e9reos coordenados entre Estados Unidos e Israel contra Teer\u00e3 desencadearam uma crise que amea\u00e7ou a participa\u00e7\u00e3o iraniana no torneio. A federa\u00e7\u00e3o iraniana chegou a amea\u00e7ar abandonar sua vaga e cobrou interven\u00e7\u00e3o direta da Fifa para resolver problemas com vistos para entrada no territ\u00f3rio americano.<\/p>\n<p>A resposta foi um arranjo extraordin\u00e1rio: a delega\u00e7\u00e3o iraniana foi obrigada a se concentrar em Tijuana, no M\u00e9xico, e atravessar a fronteira apenas na v\u00e9spera das partidas. O avi\u00e3o com a delega\u00e7\u00e3o pousou em Los Angeles apenas um dia antes do jogo. Curiosamente, logo ap\u00f3s a chegada, o presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais um acordo entre EUA e Ir\u00e3 para interromper o conflito no Oriente M\u00e9dio, abrindo caminho para negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<h2>Tehrangeles: o cora\u00e7\u00e3o cultural iraniano nos EUA<\/h2>\n<p>Westwood Boulevard \u00e9 o epicentro desta pequena Teer\u00e3 na Calif\u00f3rnia. \u00c0 primeira vista, parece apenas mais uma das in\u00fameras largas avenidas de Los Angeles, mas rapidamente revela sua natureza \u00fanica. Superfranquias americanas como 7-Eleven e Domino&#8217;s dividem espa\u00e7o com letreiros em persa, e a l\u00edngua iraniana sobressai entre as m\u00faltiplas l\u00ednguas que a diversidade californiana abriga.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o reflete tanto a cultura persa preservada quanto a influ\u00eancia do novo mundo. As mulheres exibem cabelos soltos, usam cal\u00e7as jeans justas e batons vermelhos, contrastando com as restri\u00e7\u00f5es impostas no Ir\u00e3. A proximidade do campus da University of California (UCLA) contribui para manter a m\u00e9dia de idade baixa e a regi\u00e3o dinamicamente multicultural.<\/p>\n<h2>Os restaurantes como guardi\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Se existe um lugar onde a cultura persa se preserva com maior efici\u00eancia, s\u00e3o os restaurantes de Westwood. Os card\u00e1pios dominados por diferentes tipos de <strong>kebab<\/strong> atraem turistas de todas as partes e moradores de diferentes vizinhan\u00e7as de Los Angeles. Nestes estabelecimentos, ainda que quest\u00f5es pol\u00edticas nem sempre sobressaiam, h\u00e1 uma indiferen\u00e7a not\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o iraniana oficial. Como afirma Amir, gar\u00e7om da regi\u00e3o, a maior parte da comunidade iraniana n\u00e3o demonstra liga\u00e7\u00e3o emocional com o time.<\/p>\n<h2>A amea\u00e7a de retirada e o trauma coletivo<\/h2>\n<p>Ciente de que grupos tentar\u00e3o usar a partida para protestar, o ministro do Esporte iraniano Ahmad Donyamali amea\u00e7ou retirar literalmente o time de campo caso observe s\u00edmbolos hostis \u00e0 Rep\u00fablica Isl\u00e2mica nas arenas. Esta amea\u00e7a reflete a tens\u00e3o extrema que envolve cada aspecto da participa\u00e7\u00e3o iraniana.<\/p>\n<p>Para historiadores como Arvin, a mobiliza\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do futebol. Ele lembra que o povo iraniano enfrenta trauma significativo em casa, e os iranianos que vivem nos EUA com liberdade de express\u00e3o t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o moral de usar suas vozes para manter viva a voz daqueles que n\u00e3o podem falar livremente. Este Mundial n\u00e3o ser\u00e1 um jogo comum, e Tehrangeles est\u00e1 determinada a garantir que o mundo saiba disso.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tehrangeles mobiliza comunidade iraniana em Los Angeles para protestar contra regime na Copa do Mundo, desafiando restri\u00e7\u00f5es da Fifa.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":27002,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27006","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27006\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}