{"id":27103,"date":"2026-06-17T20:00:43","date_gmt":"2026-06-17T23:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/ondas-de-calor-120-mil-mortes-brasil-fiocruz\/"},"modified":"2026-06-17T20:00:43","modified_gmt":"2026-06-17T23:00:43","slug":"ondas-de-calor-120-mil-mortes-brasil-fiocruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/saude-natural\/ondas-de-calor-120-mil-mortes-brasil-fiocruz\/","title":{"rendered":"Ondas de Calor Mataram 120 Mil Pessoas no Brasil em 20 Anos, Revela Estudo Fiocruz"},"content":{"rendered":"<h2>Impacto Devastador das Ondas de Calor na Sa\u00fade Brasileira<\/h2>\n<p>Um estudo abrangente realizado pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) revelou dados alarmantes sobre o impacto das ondas de calor na mortalidade brasileira. Ao cruzar hist\u00f3ricos detalhados de temperaturas com registros de \u00f3bitos, os pesquisadores identificaram que, entre 2000 e 2019, as ondas de calor causaram mais de 120 mil mortes no pa\u00eds. Esses eventos extremos de temperatura explicam aproximadamente 0,6% da mortalidade total registrada no Brasil durante este per\u00edodo de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Embora a pesquisa n\u00e3o projete a progress\u00e3o futura do fen\u00f4meno, os autores indicam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tendem a intensificar o peso desses eventos extremos sobre a sa\u00fade p\u00fablica brasileira nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<h2>Mecanismos Fisiol\u00f3gicos e Vulnerabilidades<\/h2>\n<p>Para compreender por que o calor extremo afeta tanto a mortalidade, \u00e9 essencial entender o funcionamento do corpo humano sob essas condi\u00e7\u00f5es. <strong>Quando uma pessoa est\u00e1 exposta a muito calor, o corpo produz uma rea\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica para manter a temperatura corporal entre 36,5\u00b0C e 37\u00b0C<\/strong>, intervalo \u00f3timo para nossas fun\u00e7\u00f5es vitais. Segundo Beatriz Oliveira, cientista coautora do trabalho, quando essa exposi\u00e7\u00e3o ocorre em conjunto com esfor\u00e7o f\u00edsico, uso de roupas inadequadas e outros fatores, o corpo pode n\u00e3o conseguir dissipar o calor adequadamente.<\/p>\n<p>Essa falha nos mecanismos de termorregula\u00e7\u00e3o sobrecarrega sistemas cr\u00edticos, <strong>comprometendo principalmente as fun\u00e7\u00f5es cardiovasculares e respirat\u00f3rias<\/strong>. Os problemas renais tamb\u00e9m se destacaram como condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica relevante no estudo.<\/p>\n<h2>Metodologia Precisa e Mapeamento Nacional<\/h2>\n<p>Os cientistas utilizaram uma metodologia inovadora ao mapear a varia\u00e7\u00e3o local de temperatura em todo o pa\u00eds com precis\u00e3o de 9 quil\u00f4metros. Cruzando esses dados com informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas nos registros de \u00f3bitos, conseguiram identificar o efeito do calor em problemas de sa\u00fade por ele agravados. O estudo considerou como crit\u00e9rio que uma onda de calor \u00e9 um per\u00edodo de 48 horas no qual a temperatura est\u00e1 acima do percentil 95% da m\u00e9dia hist\u00f3rica de temperatura daquele local espec\u00edfico.<\/p>\n<p>O mapeamento nacional revelou uma <strong>rela\u00e7\u00e3o clara entre esses eventos extremos e as mortes por causas agravadas pelo calor intenso<\/strong>. Conforme explica Oliveira, essas 120 mil mortes podem ser interpretadas como o n\u00famero de \u00f3bitos diretamente atribu\u00eddos aos eventos de calor extremo.<\/p>\n<h2>Popula\u00e7\u00f5es Mais Vulner\u00e1veis<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise evidenciou que <strong>os idosos foram os mais afetados pelas ondas de calor<\/strong>, representando 80% do total de mortes. Mais de 97 mil \u00f3bitos de pessoas com 65 anos ou mais foram associados a esses eventos. Os idosos possuem mais limita\u00e7\u00f5es em manter os mecanismos de homeostase corporal para o controle de temperatura, tornando-os particularmente vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m avaliou o impacto na quantidade de interna\u00e7\u00f5es pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Nessa an\u00e1lise, as crian\u00e7as se mostraram como grupo de risco relevante, afetadas por problemas gastrointestinais al\u00e9m dos efeitos diretos do calor. As crian\u00e7as s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o, e o calor estimula a prolifera\u00e7\u00e3o de micro-organismos de transmiss\u00e3o por via oral, tanto em alimentos contaminados quanto em \u00e1gua impr\u00f3pria para consumo.<\/p>\n<h2>Desigualdades Sociais e Acesso a Prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Um fator crucial que amplificou o impacto foi o <strong>grau de escolaridade das v\u00edtimas<\/strong>. Os pesquisadores usaram a quantidade de anos de estudo como indicador indireto de acesso a ambientes com temperatura controlada, como resid\u00eancias com ar-condicionado, e da qualidade do atendimento de sa\u00fade, considerando hospitais privados melhor preparados.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o regional foi menor que o esperado inicialmente. Enquanto as regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste apresentaram os maiores valores em dias de ondas de calor, as regi\u00f5es Sudeste e Sul tiveram eventos relativamente mais intensos, com o Nordeste em valores intermedi\u00e1rios. O Amap\u00e1 registrou o maior impacto de letalidade, com 1,07% das mortes atribu\u00eddas ao fen\u00f4meno, enquanto a Para\u00edba foi menos impactada com 0,30%. S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro ficaram pr\u00f3ximos \u00e0 m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<h2>Recomenda\u00e7\u00f5es e Chamado \u00e0 A\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/h2>\n<p>Os pesquisadores enfatizam que <strong>as autoridades devem reconhecer as ondas de calor e o calor extremo como riscos priorit\u00e1rios para a sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>. Beatriz Oliveira destaca que, apesar dos eventos frequentes em 2023 e 2024, pouqu\u00edssimos locais declararam emerg\u00eancia por ondas de calor.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es incluem estabelecer sistemas de monitoramento que permitam \u00e0s prefeituras e ao SUS antecipar impactos, al\u00e9m de campanhas que estimulem mudan\u00e7as culturais. \u00c9 necess\u00e1rio que a popula\u00e7\u00e3o compreenda que eventos extremos exigem prote\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o, com mudan\u00e7as de hor\u00e1rios para atividades f\u00edsicas e prote\u00e7\u00e3o especial para trabalhadores expostos ao sol, intercalando trabalho com hidrata\u00e7\u00e3o e pausas adequadas.<\/p>\n<h2>Perspectivas Futuras da Pesquisa<\/h2>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do estudo da Fiocruz \u00e9 estimular mais pesquisas na \u00e1rea que cubram limita\u00e7\u00f5es do trabalho atual. Uma das limita\u00e7\u00f5es importantes foi o uso de dados apenas at\u00e9 2019, pois a pandemia de Covid-19 tornou dif\u00edcil identificar e isolar o impacto das ondas de calor ap\u00f3s aquele ano. Novos dados ser\u00e3o essenciais para guiar adequadamente as pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade no pa\u00eds.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo Fiocruz revela que ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019. Idosos e desigualdades sociais s\u00e3o fatores determinantes.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":27097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-27103","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude-natural"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27103\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}