{"id":27121,"date":"2026-06-18T04:01:18","date_gmt":"2026-06-18T07:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/sao-paulo-maior-numero-mortes-pedestres-desde-2017\/"},"modified":"2026-06-18T04:01:18","modified_gmt":"2026-06-18T07:01:18","slug":"sao-paulo-maior-numero-mortes-pedestres-desde-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/brasil\/sao-paulo-maior-numero-mortes-pedestres-desde-2017\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo registra maior n\u00famero de mortes de pedestres desde 2017: especialistas apontam desenho urbano hostil"},"content":{"rendered":"<h2>Trag\u00e9dia nas ruas: S\u00e3o Paulo enfrenta crise de seguran\u00e7a para pedestres<\/h2>\n<p>S\u00e3o Paulo vive um per\u00edodo alarmante de inseguran\u00e7a para pedestres. Entre janeiro e maio de 2026, a capital paulista registrou 169 mortes por atropelamento, o maior n\u00famero para esse per\u00edodo desde 2015, quando foram contabilizadas 215 v\u00edtimas. Os dados prov\u00eam do Infosiga, sistema oficial de monitoramento de acidentes de tr\u00e2nsito do governo estadual, revelando uma trajet\u00f3ria preocupante de crescimento cont\u00ednuo desde 2021.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio mudou drasticamente ap\u00f3s a pandemia de Covid-19. Em 2021, quando as restri\u00e7\u00f5es limitavam o tr\u00e2nsito, S\u00e3o Paulo atingiu o m\u00ednimo hist\u00f3rico com 106 mortes. Desde ent\u00e3o, os n\u00fameros crescem anualmente, acumulando alta de 59,4% em cinco anos. Essa retomada n\u00e3o veio acompanhada de pol\u00edticas eficazes de prote\u00e7\u00e3o aos usu\u00e1rios mais vulner\u00e1veis das vias.<\/p>\n<h2>Uma cidade planejada para carros, n\u00e3o para pessoas<\/h2>\n<p>Para Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria Global, o aumento reflete falha estrutural no planejamento urbano. Segundo o especialista, quando um pedestre precisa caminhar 200, 300 ou at\u00e9 600 metros para encontrar uma faixa de travessia, ou esperar v\u00e1rios minutos para cruzar a rua, a cidade est\u00e1 criando riscos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Paulo Guimar\u00e3es, CEO do Observat\u00f3rio Nacional de Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria (ONSV), identifica a raiz do problema: o modelo urbano herdado coloca o carro como ator principal do sistema de tr\u00e2nsito, tornando os pedestres estruturalmente vulner\u00e1veis. Tr\u00eas fatores principais explicam os n\u00fameros crescentes: a constru\u00e7\u00e3o das cidades numa l\u00f3gica hostil para pedestres, a intensifica\u00e7\u00e3o do fluxo veicular p\u00f3s-pandemia e o descontrole de velocidade com toler\u00e2ncia cada vez maior \u00e0s velocidades inseguras.<\/p>\n<h3>Perfil das v\u00edtimas<\/h3>\n<p>Os dados revelam caracter\u00edsticas importantes das v\u00edtimas. Entre 2015 e 2026, 37,7% das mortes por atropelamento envolveram idosos com 60 anos ou mais. Alarmantemente, 68,6% das v\u00edtimas morreram no local do acidente, indicativo de impactos de alta energia sem possibilidade de interven\u00e7\u00e3o hospitalar. Entre os falecidos, 71,3% eram do sexo masculino.<\/p>\n<h2>Velocidade e distra\u00e7\u00e3o: os vil\u00f5es do tr\u00e2nsito<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do desenho das vias, velocidade e distra\u00e7\u00e3o ao volante s\u00e3o os principais fatores comportamentais que contribuem para a gravidade dos atropelamentos. Guimar\u00e3es enfatiza que a velocidade interfere nos tr\u00eas momentos de um acidente: contribui para que aconte\u00e7a, para sua gravidade e para o estado final das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 crucial: um pedestre atropelado a 30 km\/h tem alta chance de sobreviver. A 60 ou 70 km\/h, essa chance praticamente desaparece. Pesquisa da plataforma Life360, que analisou mais de 3,47 bilh\u00f5es de viagens no Brasil entre mar\u00e7o de 2025 e mar\u00e7o de 2026, indica que 97% dos motoristas s\u00e3o impactados por alguma forma de distra\u00e7\u00e3o ao volante.<\/p>\n<h3>A gera\u00e7\u00e3o Z e o risco digital<\/h3>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos jovens com a dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 fortemente atravessada por m\u00faltiplas fontes de distra\u00e7\u00e3o, especialmente digitais. Entre os motoristas da gera\u00e7\u00e3o Z, 67% admitem enviar mensagens enquanto dirigem, e a taxa de acidentes nessa faixa et\u00e1ria \u00e9 quase seis vezes maior que entre condutores mais experientes. Comportamentos comuns incluem conversar com passageiros (89%), buscar m\u00fasicas ou podcasts (86%) e comer ou beber enquanto dirige (55%).<\/p>\n<p>Um padr\u00e3o importante emerge dos dados: acidentes de tr\u00e2nsito s\u00e3o 57% mais frequentes aos domingos comparado aos dias \u00fateis, enquanto \u00edndices de velocidade mais que dobraram nesse per\u00edodo.<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00f5es simples e vi\u00e1veis para salvar vidas<\/h2>\n<p>Especialistas apontam interven\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para reduzir mortes. Reduzir o espa\u00e7amento entre faixas de pedestres para at\u00e9 100 metros em avenidas \u00e9 um dos principais pontos. Lemos tamb\u00e9m cita amplia\u00e7\u00e3o de cal\u00e7adas nas esquinas, diminui\u00e7\u00e3o do raio de convers\u00e3o de ve\u00edculos e revis\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o semaf\u00f3rica. Muitas dessas medidas s\u00e3o simples e de baixo custo, mas dependem de decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Lemos prop\u00f5e mudan\u00e7a na abordagem: em vez de perguntarem apenas quem errou, as cidades precisam perguntar por que esse erro virou morte. O princ\u00edpio de um Sistema Seguro reconhece que pessoas erram, mas esses erros n\u00e3o podem custar a vida.<\/p>\n<h2>O que a prefeitura est\u00e1 fazendo<\/h2>\n<p>A Prefeitura de S\u00e3o Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tr\u00e1fego (CET), informou que tem adotado medidas voltadas \u00e0 seguran\u00e7a de pedestres. As a\u00e7\u00f5es incluem cria\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Calmas com velocidade m\u00e1xima de 30 km\/h, Rotas Escolares Seguras, redu\u00e7\u00e3o do limite de 50 para 40 km\/h em 24 vias e implanta\u00e7\u00e3o de mais de dez mil novas faixas de pedestres. A gest\u00e3o tamb\u00e9m implementou travessias elevadas em locais estrat\u00e9gicos, aumento do tempo de travessia semaf\u00f3rica e o Programa Operacional de Seguran\u00e7a para vias com maior \u00edndice de acidentes.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo registra 169 mortes de pedestres em cinco meses, maior n\u00famero desde 2015. 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