{"id":27911,"date":"2026-08-05T16:00:34","date_gmt":"2026-08-05T19:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/redacao\/aposentados-reducao-credito-consignado-dilema-renda\/"},"modified":"2026-08-05T16:00:34","modified_gmt":"2026-08-05T19:00:34","slug":"aposentados-reducao-credito-consignado-dilema-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/economia\/aposentados-reducao-credito-consignado-dilema-renda\/","title":{"rendered":"Aposentados enfrentam redu\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito consignado: entenda o dilema da renda complementar"},"content":{"rendered":"<h2>A queda da margem consign\u00e1vel para aposentados<\/h2>\n<p>Desde maio de 2026, aposentados e pensionistas do INSS enfrentam uma realidade mais desafiadora. A <strong>margem consign\u00e1vel<\/strong>, que representa o percentual da renda que pode ser comprometido com empr\u00e9stimos descontados em folha, caiu de 45% para 40%. O governo federal tem um plano ambicioso: reduzir esse percentual em dois pontos anuais at\u00e9 atingir 30% em 2031, conforme informa\u00e7\u00f5es do Portal A Cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria. Ela responde a um crescimento preocupante da inadimpl\u00eancia entre idosos. Dados da Serasa Experian mostram um quadro alarmante: o n\u00famero de inadimplentes com mais de 60 anos saltou de 14,1 milh\u00f5es em janeiro de 2025 para 15,9 milh\u00f5es em janeiro de 2026, representando uma alta de 12,7% em apenas um ano. Quando se analisa o per\u00edodo entre 2020 e abril de 2025, o crescimento chega a 43,16%.<\/p>\n<h2>A depend\u00eancia de cr\u00e9dito para sobreviv\u00eancia b\u00e1sica<\/h2>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, que ouviu 1.052 brasileiros aposentados e prestes a se aposentar, revelou dados perturbadores. <strong>Seis em cada dez aposentados (60%) j\u00e1 precisaram buscar cr\u00e9dito ou empr\u00e9stimo para cobrir despesas essenciais<\/strong>, como alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, que representam os dois maiores gastos desse grupo populacional.<\/p>\n<p>O levantamento apresenta um cen\u00e1rio ainda mais amplo da crise financeira enfrentada pelos idosos. Metade dos aposentados recorreu a cr\u00e9dito para pagar contas e despesas correntes, enquanto 64% consideram o valor da aposentadoria insuficiente para manter seu padr\u00e3o de vida. Al\u00e9m disso, 53% continuam trabalhando para complementar a renda, 48% sentem instabilidade financeira e 45% relatam maior risco de endividamento ap\u00f3s se aposentar.<\/p>\n<p>O cr\u00e9dito deixou de ser um instrumento para lazer e tornou-se <strong>uma ferramenta de sobreviv\u00eancia<\/strong>. Gastos com sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o consomem mais de 55% da renda dos aposentados, deixando pouco espa\u00e7o para outras necessidades.<\/p>\n<h2>A garantia constitucional versus a realidade<\/h2>\n<p>O artigo 7\u00ba, inciso IV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que o sal\u00e1rio m\u00ednimo deve atender \u00e0s necessidades vitais b\u00e1sicas do cidad\u00e3o, incluindo moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, vestu\u00e1rio, higiene, transporte e previd\u00eancia social. Na teoria, essa prote\u00e7\u00e3o deveria garantir a dignidade dos trabalhadores urbanos e rurais.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, essa diretriz n\u00e3o se reflete integralmente no cotidiano dos benefici\u00e1rios do INSS, cujo piso de aposentadoria acompanha o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente: <strong>60% dos aposentados continuam trabalhando e 50% dependem de cr\u00e9dito para suprir despesas essenciais<\/strong>, sinalizando que o Estado n\u00e3o consegue garantir o poder de compra do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<h2>Fim do cart\u00e3o consignado: uma medida pol\u00eamica<\/h2>\n<p>O Governo Federal anunciou que, a partir de 2027, ser\u00e1 iniciado o processo de extin\u00e7\u00e3o do <strong>cart\u00e3o consignado vinculado ao INSS<\/strong> em todo o territ\u00f3rio nacional. Essa medida integra o Programa Desenrola Brasil e objetiva reestruturar o sistema de concess\u00e3o de cr\u00e9dito para a popula\u00e7\u00e3o idosa, contendo os \u00edndices de superendividamento na base previdenci\u00e1ria.<\/p>\n<p>A equipe de an\u00e1lise da PrecPago, l\u00edder no setor de antecipa\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rios no Brasil, apresenta uma perspectiva cr\u00edtica sobre essas mudan\u00e7as. Segundo a empresa, as novas regras tentam proteger o m\u00ednimo existencial e evitar que o aposentado entre em mais d\u00edvidas. Contudo, elas tamb\u00e9m evidenciam uma verdade inc\u00f4moda: <strong>o Estado n\u00e3o consegue garantir o poder de compra do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<h2>Os dilemas de uma pol\u00edtica restritiva<\/h2>\n<p>Embora o cr\u00e9dito consignado seja historicamente uma das linhas de cr\u00e9dito mais baratas dispon\u00edveis, a redu\u00e7\u00e3o da margem consign\u00e1vel e a extin\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o buscam conter o comprometimento excessivo da renda com cr\u00e9dito no longo prazo. Por\u00e9m, essa pol\u00edtica tamb\u00e9m reduz, no curto prazo, uma das poucas fontes de liquidez r\u00e1pida \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem j\u00e1 usa esse cr\u00e9dito para necessidades do cotidiano.<\/p>\n<p>O aumento da inadimpl\u00eancia entre idosos e a maior depend\u00eancia de cr\u00e9dito para despesas b\u00e1sicas ajudam a explicar os motivos dessa abordagem restritiva. A tentativa \u00e9 limitar o acesso ao cr\u00e9dito para evitar a insolv\u00eancia total da popula\u00e7\u00e3o idosa. Mas a quest\u00e3o permanece: sem alternativas vi\u00e1veis de renda complementar e com benef\u00edcios insuficientes, como os aposentados conseguir\u00e3o sobreviver?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiba como a redu\u00e7\u00e3o da margem consign\u00e1vel afeta aposentados do INSS e por que 60% precisam de cr\u00e9dito para despesas b\u00e1sicas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":27908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"googlesitekit_rrm_CAow6MXMDA:productID":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-27911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}