{"id":9881,"date":"2022-06-27T15:32:18","date_gmt":"2022-06-27T18:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/?p=9881"},"modified":"2022-06-27T15:32:21","modified_gmt":"2022-06-27T18:32:21","slug":"como-o-aborto-passou-de-pratica-comum-a-estigmatizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/internacional\/como-o-aborto-passou-de-pratica-comum-a-estigmatizada\/","title":{"rendered":"Como o aborto passou de pr\u00e1tica comum a estigmatizada"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Engana-se quem pensa que o direito ao aborto \u00e9 algo novo. Na realidade, a pr\u00e1tica era comum na Antiguidade \u2014 e foi uma mistura de avan\u00e7o cient\u00edfico com dom\u00ednio religioso crist\u00e3o em sociedades de patriarcado consolidado que fez com que, com o passar dos s\u00e9culos, a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez passasse a ser estigmatizada e, muitas vezes, proibida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto na Gr\u00e9cia como na Roma da Antiguidade, o aborto era visto como algo comum. A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica, quando havia, n\u00e3o se dava em defesa do embri\u00e3o ou do feto, mas nos casos em que o pai argumentava que n\u00e3o queria ser privado do direito de um filho que julgava j\u00e1 ser seu. Vale ressaltar que eram sociedades em que a mulher era considerada propriedade de seu marido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Religi\u00e3o<br>Na B\u00edblia, tamb\u00e9m h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que o aborto era praticado nas sociedades antigas do Oriente M\u00e9dio. H\u00e1 uma men\u00e7\u00e3o no Livro do \u00caxodo e, principalmente, uma passagem no Livro dos N\u00fameros. Nesta, est\u00e1 a instru\u00e7\u00e3o do que fazer &#8220;quando a mulher de algu\u00e9m se desviar, e transgredir contra ele&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Onda conservadora<br>&#8220;O controle do corpo da mulher est\u00e1 sempre colocado em pauta, est\u00e1 sempre pressuposto. E o [direito ao] aborto \u00e9 fundamental porque temos de ter o direito de decidir sobre nosso corpo&#8221;, afirma a historiadora Rosin. &#8220;Uma mulher n\u00e3o \u00e9 um hospedeiro, n\u00e3o \u00e9 uma chocadeira.&#8221;<br>&#8220;Em \u00faltima inst\u00e2ncia, [praticar ou n\u00e3o o aborto] essa \u00e9 uma decis\u00e3o da mulher, n\u00e3o deveria, um tema t\u00e3o espinhoso e t\u00e3o delicado, um tema como este n\u00e3o deveria ser politizado nesse n\u00edvel&#8221;, diz Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O historiador demonstra preocupa\u00e7\u00e3o porque &#8220;a onda conservadora que vemos nos Estados Unidos&#8221; tem &#8220;reflexos aqui, porque o Brasil \u00e9 uma c\u00f3pia malfeita do que acontece l\u00e1, uma esp\u00e9cie de puxadinho&#8221;.<br>&#8220;Desde o momento em que temos Estado com suas pr\u00f3prias leis, [permitir ou n\u00e3o o aborto] \u00e9 um sinal de estabilidade democr\u00e1tica e de prote\u00e7\u00e3o aos direitos fundamentais&#8221;, defende Debora Diniz, professora na Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez sempre existiu. Mas aborteiras s\u00e3o personagens que aparecem raramente nos estudos<\/p>","protected":false},"author":3,"featured_media":9882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-9881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"brizy_media":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9881\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalcorporativo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}