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Especialistas propõem uma abordagem mais abrangente para definir o que é saúde mental

Especialistas propõem uma abordagem mais abrangente que contemple também fatores biológicos, psicológicos e sociais
Amanda Omura

Amanda Omura

Está na hora de redefinir o que é saúde mental, levando em conta uma abordagem que abranja fatores biológicos, psicológicos e sociais. Resumindo, temos que ser vistos sob uma ótica biopsicossocial. Times interdisciplinares do Massachusetts General Hospital e da Faculdade de Medicina de Harvard estão desenvolvendo um novo tipo de intervenção que seja, ao mesmo tempo, focada no indivíduo e holística, para contemplar todas as esferas de sua existência. O objetivo? Prevenir as doenças mentais em vez de apenas tratar os sintomas; promover a funcionalidade do paciente, ou seja, dar ferramentas para que a pessoa continue integrada à sociedade; e melhorar sua qualidade de vida. Essa é uma mudança significativa num campo que, nas últimas décadas, encarou as enfermidades neurológicas e psiquiátricas exclusivamente do ponto de vista biomédico. O espectro que abrange as doenças mentais tem provocado um aumento substancial do número de mortes e incapacidade no mundo. Foi o que levou os pesquisadores, autores de artigo publicado no NEJM Catalyst, a propor uma abordagem multidimensional e multidisciplinar para substituir a atual. O cérebro é um órgão de enorme complexidade: controla nossos pensamentos, memórias, emoções, habilidades motoras e personalidade. Um cérebro saudável é a chave para viver por mais tempo e com propósito, por isso é tão urgente inovar nessa área. Somente nos EUA, questões relacionadas à saúde mental impactam 100 milhões de americanos e custam 800 bilhões de dólares por ano.

O conceito do modelo biopsicossocial, que analisa não apenas o peso das questões biológicas, mas também das psicológicas e sociais para o desenvolvimento de uma doença, foi criado em 1977 pelo psiquiatra George Engel. No entanto, sua utilização não teve o alcance que deveria. Fatores como acesso ao sistema de saúde, relacionamentos, resiliência e preconceitos ou estigmas, entre outros, não eram computados como relevantes para a saúde do cérebro. Vale acrescentar que o termo expossoma foi cunhado em 2005 para designar a totalidade das situações a que o ser humano fica exposto durante a sua trajetória, da concepção à morte. Ele se baseia em três domínios, começando pelo interno, que é exclusivo do indivíduo: idade, fisiologia, genoma. Os outros dois são as condições externas gerais (socioeconômicas e sociodemográficas) e as externas específicas, como dieta alimentar, ocupação, estilo de vida. São conceitos complementares.

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