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Lula diz que juro ainda está alto e volta a criticar Campos Neto

Petista voltou a defender a queda de juros. Em agosto, Banco Central cortou a taxa Selic pela primeira vez em 3 anos
Amanda Omura

Amanda Omura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nesta sexta-feira (1°). O petista voltou a defender a queda de juros no país e deu a entender que não possui diálogo com o presidente do BC.

"Nós temos que ter dinheiro para investir. E dinheiro para ser investido a juros baratos. Por isso é que o cidadão do Banco Central precisa saber que ele é presidente do Banco Central do Brasil e não do Banco Central de um país que não seja o Brasil, e que precisa baixar o juros. Não é possível", disse.
"Então, nós vamos continuar brigando. É importante vocês saberem: o presidente do Banco Central não foi indicado por nós. Ele foi indicado pelo presidente anterior. E o Banco Central agora é autônomo. Não tem mais interferência da Presidência da República e conversar. Esse cidadão, se ele conversa com alguém, não é comigo. Ele deve conversar com quem o indicou. E quem o indicou não fez coisas boas nesse país. A sociedade brasileira vai descobrir com o tempo", continuou.

As declarações foram durante cerimônia de comemoração aos 18 anos de criação do Programa Agroamigo e de 25 anos do Programa Crediamigo, em Fortaleza (CE).

No início do discurso, Lula disse esperar que Campos Neto e "alguns economistas" entendam que "o dinheiro que existe nesse país precisa circular nas mãos de muita gente".

"Não pense que eu acho que o juro tá baixo. O juro ainda está alto. Porque 2,16% ao mês é muita coisa. Dá quase 30% ao ano, porque é juros sobre juros. Então, eu acho que nós precisamos baixar ainda. Obviamente que nós também não queremos quebrar o banco, porque o banco tem que dar o lucro. Porque se quebrar, vai ser muito pior para nós", disse.

Em agosto, o Banco Central cortou a taxa básica de juros pela primeira vez em três anos. A Selic passou de 13,75% ao ano – maior patamar desde 2017 – para 13,25% ao ano.

Antes disso, a última queda havia acontecido em agosto de 2020, em meio à fase mais aguda da pandemia de Covid-19, quando a taxa Selic caiu de 2,5% para 2% ao ano.

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