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Mulheres, maiores de 80 anos e com baixa escolaridade: os idosos mais solitários

Em relação à escolaridade, idosos que nunca foram à escola têm duas vezes mais chance de se sentirem sozinhos
Amanda Omura

Amanda Omura

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou quem são os idosos mais afetados pelo sentimento de solidão: mulheres, com mais de 80 anos e baixa ou nenhuma escolaridade.

Além desses aspectos, a pesquisa, publicada na sexta-feira (21) na revista científica "Cadernos de Saúde Pública", considerou a relação da solidão com outros indicadores e comportamentos. A partir disso, foi possível concluir que:
Em relação à escolaridade, idosos que nunca foram à escola têm duas vezes mais chance de se sentirem sozinhos;
A prevalência da solidão também foi duas vezes maior entre participantes que moram sozinhos;
O sentimento de solidão foi maior em idosos que têm dietas consideradas não saudáveis e qualidade de sono e autoavaliação de saúde ruins/muito ruins.

O estudo considerou as respostas de 7.957 brasileiros, com 50 anos ou mais e de 70 cidades diferentes na primeira edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado entre 2015 e 2016.

Dieta, sono e solidão
Uma das autoras do estudo, Anita Liberalesso Neri explica que a qualidade da dieta dos entrevistados, por exemplo, foi levada em consideração pois impacta muito além da saúde física. "Comida também é afeto, é prazer, é presença de outras pessoas, é ter quem te ajude, quem cuide de você".

Já em relação ao sono, a pesquisadora afirma que noites mal dormidas estão frequentemente associadas a quadros de depressão. Normalmente, pessoas que têm dificuldades para dormir acabam cochilando à tarde e, com isso, deixam de interagir socialmente.

"[O sono] Tem a ver com depressão e no fim acaba tendo relação com a solidão. Porque solidão é uma experiência subjetiva. De falta de apoios, de falta de companheiros, pessoas que possam te fazer bem e satisfazer suas necessidades afetivas", diz Neri.

Dificuldades de estar só
Uma das autoras do estudo, Anita Liberalesso Neri explica que os resultados observados podem ajudar a nortear políticas públicas dedicadas aos idosos, que geralmente estão mais expostos a eventos sob os quais não têm nenhum controle.

"Morte de entes queridos, doenças na família, problemas com os netos, problemas que atingem a a descendência, discriminação. Em geral eles ganham menos, são sozinhos, isolados e se encontram com pouco apoio de agências públicas ou privadas de serviços de saúde", afirma.
Segundo Neri, medidas como educação de qualidade, previdência social organizada, equipes de saúde preparadas e garantia de direitos dos idosos são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos mais velhos e combater a solidão.

"Não é só fazer lei bonita, mas colocar isso em prática. As pessoas falam 'depressão é coisa de velho', mas é isso que acaba matando essas pessoas. E antes disso eles sofrem muito, custam bastante para os serviços públicos, para a família e para si mesmos", diz a pesquisadora.

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